Visão Celestial

VISÃO CELESTIAL 


Stephen Kaung 







“Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial” (At 26.19)

A necessidade de estudarmos isso em nossos dias:

“De modo que a visão espiritual é sempre um milagre do céu. Isso significa que aquele que vê espiritualmente tem um milagre logo no fundamento da sua vida. Toda a sua vida espiritual brota de um milagre, e é o milagre de receber a visão nos olhos que nunca viram. E exatamente aqui que a vida espiritual começa, onde a vida cristã tem seu início: no ver”.

T. Austin-Sparks, Visão Espiritual, pg 8

O que é a visão celestial?




At.26.19 – “Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial”.

Superficialidade

Um dos problemas que precisamos identificar e cuidar é a superficialidade, nisso encontramos base para desconsiderar uma vida sem propósito, ou seja, uma vida sem visão espiritual – todo cristão deve saber a visão espiritual que Deus lhe deu, isso serve como base sólida para sua vida cristã.

Necessidade atual: Essa grande pobreza espiritual que invadiu nossa geração, pessoas que acabaram recebendo um caminho totalmente obscuro, levadas a cegueira e lideres que dedicaram suas vidas em um declínio de visão cega – momentos como esse se enquadram no que Jeremias passou, declaram paz, mas não há paz, dizem dos sonhos como se fossem de Deus, mas não são – hoje se necessita muito de pessoas que podem ter uma mensagem e dizer – “Eu estou vendo!

“Dizem continuamente aos que me desprezam: O SENHOR disse: Paz tereis; e a qualquer que anda segundo a dureza do seu coração dizem: Não virá mal sobre vós. Porque quem esteve no conselho do SENHOR, e viu (רָאָה: ver, perceber), e ouviu (שָׁמַע: ouvir, escutar) a sua palavra? Quem esteve atento à sua palavra e a ela atendeu?” (Jr 23.17,18).

Paulo e sua carreira Cristã

2Tm.4.7 – “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”

Que combate era esse? Paulo combateu o mundo e sua imoralidade (Roma), combateu os judaizantes de mexerem com a doutrina do Evangelho (Gálatas), combateu a carnalidade na Igreja (Coríntios), combateu uma visão fechada de exclusivismo (judeus que não queriam gentios na salvação), combateu contra ele próprio (carne), combateu contra uma cultura idólatra (seu idolatrado). Então sabemos o que Paulo combateu e como encerrou sua carreira.
Precisamos saber que existe uma carreira para corrermos e combatermos, que não será fácil, iremos passar por muita dor, negando muitas coisas, mas é uma carreira que haverá triunfo no final:

Jd.3: “Amados, quando empregava toda a diligência em escrever- vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes (επαγωνιζομαι, epagonizomai: lutar, contender), diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”.

O segredo de Paulo para continuar a lutar: Paulo tinha um segredo ao mencionar ao rei Agripa que não foi infiel a visão que recebera, ele havia recebido uma visão, e por ela ele caminhou. Precisamos entender que sem visão o povo perece e o indivíduo fica sem direção: Veja o sentido de visão como revelação, propósito, ambição, causa, sonho, ideal. Mesmo no mundo natural uma pessoa precisa ter visão (um ideal, um caminho), se não ela é fraca, irá perecer. Se isso é tão verdadeiro e essencial no mundo natural, no mundo espiritual também.

Pb. 29.18: “Não havendo profecia (חזונּ chazown: visão, oráculo, comunicação divina), o povo se corrompe (פרע, para: deixar ir, soltar); mas o que guarda a lei, esse é feliz”.

Existe a maior necessidade da visão, porque se não o povo de corrompe. Nós também como homens, necessitamos estar com visão para não estarmos soltos. Salomão diz que o povo de corrompe, esta palavra pode ser entendida como parece, ou como desatar um nó ou desprender os cabelos e os deixar cair. Sem visão as pessoas perdem o controle e ficam perdidas, sem disciplina, direção ou propósito.   

A visão de Paulo



Ele era Saulo e obviamente tinha uma visão em sua vida, ser fariseu dos fariseus, rabi dos rabi. Ele era ousado e incrivelmente convicto de sua ambições, mas no momento que recebe o choque ao encontrar com Cristo, tendo impacto com a visão dos céus, Saulo tem de abandonar sua visão egoísta para se entregar a visão correta do Senhor.

“Quando a visão celestial vem, invariavelmente, inevitavelmente, ela acaba com sua visão terrena”

A visão do céu é mais forte, ela acaba com nossos planos egoístas e nos leva para os planos enriquecedores de Deus. As duas visões irão colidir, não há como viver as duas, ou acreditar que nossa visão terrena será aprovada. A visão do céu é a mais forte e nos tomará.  

“Sempre que a visão celestial vem, ela sempre destrói a visão terrena. Você nunca mais poderá ser o mesmo, nunca poderá fazer o que planejou fazer”

Então, como Cristãos, somos uma nova criação e as coisas velhas já passaram (2Cor.5.17: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”) – aqui percebemos uma nova criação, e com isso uma nova visão e propósitos de vida. Se alguém que se diz cristão ainda permanece na mesma de quando era egoísta e carnal, algo está errado, a visão de Deus nos mostra como estávamos errados e tudo agora é novo.  

Exemplo de homens com visão nas Escrituras

Noé é um ótimo exemplo, com certeza ele vivia sua vida de maneira local, ou seja, de uma maneira corriqueira de acordo com os padrões sociais daquela época – mas um dia ele recebe a visão de Deus, construir um arca em um ambiente onde nunca choveu. Essa visão custou 100 anos da vida de Noé (Gn.5.32 / 7.6). Ele e sua família tiveram suas vidas direcionadas a visão de Deus, foram escravos dessa visão. Mas aquilo fez de Noé o que ele foi

Gn 5.32, “Era Noé da idade de quinhentos anos e gerou a Sem, Cam e Jafé”.

Gn 7.6, “Tinha Noé seiscentos anos de idade, quando as águas do dilúvio inundaram a terra

Hb.11.7 –“Pela fé, Noé, divinamente instruído acerca de acontecimentos que ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para a salvação de sua casa; pela qual condenou o mundo e se tornou herdeiro da justiça que vem da fé”.

Abraão também é um grande homem que podemos ver tomado pela visão de Deus, obviamente essa visão o tomou de tal forma que precisou sair de onde estava e peregrinar rumo a visão de Deus. Ele viu uma cidade celestial.

Gn 12.1-4, “Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra. Partiu, pois, Abrão, como lho ordenara o SENHOR, e Ló foi com ele. Tinha Abrão setenta e cinco anos quando saiu de Harã”.

Hb.11.8-10, “Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia. Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador”.

Moisés cortou relações com seu passado glorioso, e preferiu sofrer como Cristo, apenas a visão de Deus pode fazer um homem trocar a glória do mundo para preferir uma glória eterna.

Hb.11.23-27Pela fé, Moisés, apenas nascido, foi ocultado por seus pais, durante três meses, porque viram que a criança era formosa; também não ficaram amedrontados pelo decreto do rei. Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado; porquanto considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão. Pela fé, ele abandonou o Egito, não ficando amedrontado com a cólera do rei; antes, permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível”.

Os apóstolos também deixaram tudo para seguir a Cristo (Mat.19.27-30), e o que os motivou a isso? Com certeza não foi apenas um conhecer com o estado físico de Cristo, mas porque contemplaram a Sua glória

Jo.1.14 –“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”.

Homens que viram algo: Abel viu o melhor sacrifício (Gn.4), Noé viu a arca (Gn.6), Abraão viu a cidade que tem fundamentos (Hb.11), Moisés viu o tabernáculo (Ex.25.40), Davi viu o templo (ICron.17), Isaias viu o Senhor no Templo (Is.6), Daniel viu a vinda do Rei (Dn.12), Zacarias viu o candeeiro (Zc.4), Pedro viu o lençol branco no céu de animais (At.10), Paulo viu a Jesus e teve revelação do Cabeça da Igreja (Efésios), João viu a Nova Jerusalém (Ap.21). 

A visão terrena


Este é um grande desafio para todo homem, porque em essência recebe em sua vida um caminho da desobediência, no qual possui uma visão de ganância e do poder. Sempre deseja um caminho onde seu nome e sua visão será centrada em si mesmo.   
Adão quis ser como Deus mas não quis esperar, então seguiu um caminho de desobediência (Gn.3), caminho este que o próprio Satanás oferece a Jesus (Mt.4). Lembre de Ninrode também, grande caçador diante do Senhor, mas que construiu uma grande cidade opositora a vontade de Deus (Gn.10 -11). Olhe também o poder de Nabucodonosor e como o seu poder o corrompeu, ele fez uma estatua sua de ouro.

“A visão celestial nos liberta da terra, ela nos liberta de nós mesmos”

“A visão revela Cristo e sua Igreja e se você ainda está ligado na terra ou nos seus planos ambiciosos, você ainda não teve a visão do céu”

A visão é como os mistérios de Deus
(você precisa desvendá-los)

Não confunda visão com salvação, estes homens eram salvos, tinham o seu lugar em Deus, mas foram impactados por uma caminho de revelação, eles foram tomados para a concretização de algo. Se você não tiver essa missão, essa revelação, você será como uma criança que não tem uma direção correta para ir. Jesus comparava o reino com algo de muito valor, note como aquele que o descobre, vende tudo ao encontrá-lo (Mt.13.44-46,

Mt 13.44-46, “O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo. O reino dos céus é também semelhante a um que negocia e procura boas pérolas; e, tendo achado uma pérola de grande valor, vende tudo o que possui e a compra”.

“A visão celestial está além de experimentar Jesus como Salvador, ela o consome para descobrir os mistérios de Deus – Cristo e sua Igreja”

Lembre-se dos Hebreus que saíram do Egito, eles foram salvos do Egito, mas Deus deseja mais a eles, desejava canaã, uma terra boa, mas muito morreram no deserto.  

A visão se encaixa e caminha em tudo o que Cristo é:

O Primeiro!

Ap.1.17-18, “Quando o vi, caí a seus pés como morto. Porém ele pôs sobre mim a mão direita, dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno”

Cristo deve ser o primeiro em todas as coisas, é assim que Deus deseja que Ele seja reconhecido por nós, pela Igreja e pelo mundo.

Cl.1.15-20, “Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus”.

CRISTO

O último!

Ele deve ser o último em tudo, Ele deve ser aquele que tem a palavra final nas nossas vidas, Ele é aquele que conclui todas as coisas. CRISTO é o único que pode encerrar a história. Ele é o único que tem poder e autoridade de encerrar e concretizar a história.  


A visão de encaixa no propósito divino de Deus:

Ef.1.22-23, “E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas”.

Note como a visão está intimamente ligada aos propósitos de Deus, porque a responsabilidade da Igreja está em cumprir em autoridade aquilo que Deus deseja. A visão de submete a vontade de Deus. Cristo como cabeça da Igreja, mas não só da Igreja, Cristo é o cabeça de todas as coisas. Nos tornamos instrumentos de Deus para convergir todas as coisas em Cristo.    

Não desobedeça a visão celestial


“A visão celestial não é opcional, ela é obrigatória”

Quando a visão é entregue, ela nos atrai, e nos torna parte da visão, somos envolvidos por completo nela. A fidelidade é algo importante na visão e nisso você pode se lembrar de um casamento e seu juramento. Pode passar o que for, você precisa se manter fiel ao que viu, ao casar com sua esposa.  

Visão e vocação

A visão é dada para a vocação, ela é aceita por fé, mas irá obrigar um comprometimento e depois uma comissão. Não é algo vago e nem abstrato, é prático e deve tocar nossa vida na terra. Revoluciona a nossa vida e o nosso ministério.  

A visão irá mostrar o quanto somos indignos

Algo que precisamos compreender, a visão é uma verdade poderosa e ela nos fará temer, irá quebrar nosso ego de independência. Ela nos fará ver que não conseguiremos cumprir pelas nossas forças, somos indignos, fracos, pecadores e perdedores. Lembre de Jacó e como escolheu o caminho errado para desejar ter a benção de Deus. Toda sua vida após seu caminho enganoso foi uma vida de tratamento de Deus, Deus tratou Jacó até o final da sua vida (Fugido de casa, enganou o pai, perseguido pelo irmão, enganado pelo sogro várias vezes, trocado pela esposa, traído pelos filhos). Mas houve um momento na vida de Jacó que se encontra com a visão poderosa de Deus. Como ele se sente? Ele se vê aterrorizado.

Gn.28.16,17 – “Despertado Jacó do seu sono, disse: Na verdade, o SENHOR está neste lugar, e eu não o sabia. E, temendo, disse: Quão temível é este lugar! É a Casa de Deus, a porta dos céus”.
  
Lembre-se de Isaias quando tem a visão do Senhor, ele viu que era indigno de usar seus lábios para proclamar sobre o Senhor:
Is.1.5 –“ Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos”.

Ezequiel também, quando viu a glória do Senhor, ele não pode ficar de pé, caiu diante dessa glória:

Ez 1.26-28, “Por cima do firmamento que estava sobre a sua cabeça, havia algo semelhante a um trono, como uma safira; sobre esta espécie de trono, estava sentada uma figura semelhante a um homem. Vi-a como metal brilhante, como fogo ao redor dela, desde os seus lombos e daí para cima; e desde os seus lombos e daí para baixo, vi-a como fogo e um resplendor ao redor dela. Como o aspecto do arco que aparece na nuvem em dia de chuva, assim era o resplendor em redor. Esta era a aparência da glória do SENHOR; vendo isto, caí com o rosto em terra e ouvi a voz de quem falava”.

Daniel também, não pode ficar de pé diante dessa glória:

Dn 10.7-9, “Só eu, Daniel, tive aquela visão; os homens que estavam comigo nada viram; não obstante, caiu sobre eles grande temor, e fugiram e se esconderam. Fiquei, pois, eu só e contemplei esta grande visão, e não restou força em mim; o meu rosto mudou de cor e se desfigurou, e não retive força alguma. Contudo, ouvi a voz das suas palavras; e, ouvindo-a, caí sem sentidos, rosto em terra”.

A visão demanda obediência

Sempre que a visão vem ela irá nos chamar para a obediência. Ela nunca será apenas para você se sentir bem ou se achar melhor que os outros. Mas lembre o que Paulo diz sobre sua visão:

At 26.19 – “Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial”.

Por que Paulo usou o sentido negativo para expressar sua fidelidade? Porque Paulo sabia do que carregava em seu corpo, a ação desobediente. O homem caído, o homem rebelde que prefere desobedecer ao obedecer. Uma criança sempre irá primeiramente dizer não, mas só depois de muita disciplina e conscientização ela irá dizer sim. Essa é a natureza humana. Com a visão, você enfrentará sua rebeldia humana e deverá persistir e ser fiel a visão que Deus lhe deu.   
É neste ponto que deve entrar a cruz, a revelação da cruz deve quebrar nossa rebeldia. Nosso ego em não obedecer precisa ser levado a cruz e morto, para que possamos ser fiel a visão de Deus. Cristo negou a si mesmo e foi com muito sofrimento:

Fp.2.5-8, “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando- se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando- se obediente até à morte e morte de cruz”.

Capturados pela visão


A visão por um lado nos repele, nos mostra como somos indignos e por outro, ela nos atrai, nos convida, nos conquista, nos obriga. Exerce sobre nós um controle ativo de cumprimento.   
Lembre de Pedro e como foi seu encontro com Jesus, apenas um olhar de Cristo e poucas palavras, Pedro, um homem que tanto falava, que possuía uma expressão forte, calou-se e obedeceu – largou tudo por Cristo. Este é o poder da visão, sendo passado a Pedro através de um olhar de Cristo.

Jo.1.42: “e o levou a Jesus. Olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, o filho de João; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro)).

Esse impacto foi tão forte em Pedro que ele via que em Cristo estava o primeiro e o último. Não poderia haver vida fora dele e sentido na vida sem estar com Cristo. No discurso forte do Senhor, onde pressiona seus discípulos se querem permanecer com Ele ou não, Pedro responde:

Jo.6.66,67, “À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele. Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna”

Nunca confunda obediência com sacrifício

1Sm.15.22 –“Porém Samuel disse: Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros”.

Nossa carne será tendenciosa a querer cumprir a força da visão com sacrifício, pois com sacrifício iremos tentar enganar a Deus. Fazer e cumprir uma lei sem ter seu sentido real, separando o valor do que porquê ela nos foi dada, fugindo de se relacionar, de se entregar totalmente e cair em um sacrifício vão. A obediência é agradável a Deus pelo sentido de nos entregarmos a causa daquilo que o Senhor aprova, abrirmos nosso coração verdadeiramente para o Senhor agir.   

Deus deseja que todos nós tenhamos visão: Que possamos ver seu plano glorioso, encontrar nossa vocação, caminhar por um ideal onde nossas vidas encontrem um propósito. Este é o dirigir que Deus tem para todo o cristão. 

Ef.1.17-19, “para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados (φωτιζω, photizo - clarear, ilustrar, fazer brilhar, tornar evidente, fazer algo existir e assim vir a luz e tornar- se claro para todos, esclarecer, espiritualmente) os olhos (οφταλμος, ophthalmos - olhos da mente, faculdade de conhecer) do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder”

Uma Igreja em perigo: Mas precisamos vigiar sempre, para não sermos daqueles que recebem a visão e acabam perdendo. Algo que necessitamos é estar em alerta, receber a visão é uma obra divina, mas manter a visão é uma responsabilidade humana, tanto individual como coletiva. O processo de manter, ser fiel, caminhar para seu desenvolvimento, requer muita disciplina, oração, força e unidade. As Escrituras mostram uma Igreja que perdeu essa visão e foi chamada para o arrependimento e o Senhor amava esses irmãos. O grande problema dessa Igreja de Laodicéia é que esses irmãos pensavam que estavam vendo, mas estavam cegos.     

Ap.3.18, -“Aconselho- te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio (kollourion - preparo composto de vários ingredientes e usado com remédio para as pálpebras sensíveis) para ungires os olhos, a fim de que vejas”.

O triste caminho de Balaão: A figura de Balaão é um exemplo de como devemos vigiar sempre, porque nunca estamos seguros ao ponto de baixarmos a guarda. Balaão era é um homem, mesmo não estando com os Hebreus, conhecia os caminhos do mundo espiritual, ele é convocado por um Rei chamado Balaque para enfrentar o maior profeta do Velho Testamento, Moisés. Balaão profetiza diante do Senhor e coloca posições extremamente valiosas e profundas, ele tinha os olhos abertos enquanto profetizava, ele estava vendo o Senhor.  

Nm.24.3-4, “Proferiu a sua palavra e disse: Palavra de Balaão, filho de Beor, palavra do homem de olhos abertos; palavra daquele que ouve os ditos de Deus, o que tem a visão do Todo- Poderoso e prostra- se, porém de olhos abertos”

24.15,16 –“Então, proferiu a sua palavra e disse: Palavra de Balaão, filho de Beor, palavra do homem de olhos abertos, palavra daquele que ouve os ditos de Deus e sabe a ciência do Altíssimo; daquele que tem a visão do Todo- Poderoso e prostra- se, porém de olhos abertos”.

O Novo Testamento usa o episódio de Balaão para nos alertar, menciona-se para ter cuidado com o caminho que Balaão tomou, mas qual seria realmente esse caminho?

Jd.11, “Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância (μισθος, misthos - valor pago pelo trabalho, salário, pagamento, recompensa), se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Corá”
2Pd.2.15,16, abandonando o reto caminho, se extraviaram, seguindo pelo caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça, recebeu, porém, castigo da sua transgressão, a saber, um mudo animal de carga, falando com voz humana, refreou a insensatez do profeta”.

Então entendemos o caminho de Balaão como um ganancioso, alguém que usou dos meios espirituais para lucrar, ganhar, se aproveitar. Este caminho é alertado pelos Apóstolos, Balaão, ao caminhar para o local onde deveria amaldiçoar o povo de Israel, sua rebeldia, seu caminho obscuro da ganancia, quase custou sua vida, pois pelo caminho perdeu sua visão e quase foi morto pelo anjo. Seu castigo e o fundo de seu orgulho é ser repreendido por uma jumenta.

Nm.22.27, “Vendo a jumenta o Anjo do SENHOR, deixou- se cair debaixo de Balaão; acendeu- se a ira de Balaão, e espancou a jumenta com a vara”.

22.31, “Então, o SENHOR abriu os olhos a Balaão, ele viu o Anjo do SENHOR, que estava no caminho, com a sua espada desembainhada na mão; pelo que inclinou a cabeça e prostrou- se com o rosto em terra”.      

“Perder a visão espiritual é perder a característica sobrenatural da vida espiritual. Quando isso termina, não importa quão religioso você seja, o Senhor tem apenas uma palavra a dizer: compre colírio; essa é a sua necessidade”.

T. Austin-Sparks, Visão Espiritual, pg 9

Saulo e seu zelo excessivo


“O zelo por algo não prova que você está certo. As vezes sua cegueira pode ser, porque está olhando excessivamente para o lado errado”.

Bem, por outro lado temos Saulo de Tarso. Não há dúvidas quanto à sua cegueira. Sua cegueira era seu zelo religioso, seu zelo por Deus, seu zelo pela tradição, seu zelo por sua religião histórica, seu zelo pelo estabelecido e aceito no mundo religioso. Era um zelo cego, sobre o qual mais tarde precisou falar: "Na verdade, a mim me parecia que muitas coisas devia eu praticar contra o nome de Jesus, o Nazareno..." (At 26:9). "A mim me parecia" que "eu devia". Que reviravolta tremenda aconteceu quando ele descobriu que as coisas que ele pensava e apaixonadamente pensava que devia fazer, a fim de agradar a Deus e satisfazer sua própria consciência, eram totalmente opostas a Deus e ao caminho do bem e da verdade. Certamente Saulo permanece como uma advertência constante para todos nós de que o zelo por alguma coisa não prova necessariamente que certa coisa é correta e que estamos no caminho certo. Nosso próprio zelo em si mesmo pode ser algo que cega e nossa devoção pela tradição a nossa cegueira. (SPARKS. p.7).

“Quando seus olhos foram abertos espiritualmente, seus olhos foram cegados naturalmente, e podemos usar isso como uma metáfora”.

Você irá observar Saulo e podemos inverter um pouco a ordem, Saulo via muito segundo seu zelo religioso e com certeza isso lhe dava confiança no que realizava, Deus fez Saulo perder essa confiança, quebrou seu mundo, destruiu sua visão, o deixou derrotado, fraco, sozinho e sem nenhuma esperança. Deus o deixou cego!

At.9.8,9, “Então, se levantou Saulo da terra e, abrindo os olhos, nada podia ver. E, guiando- o pela mão, levaram- no para Damasco. Esteve três dias sem ver, durante os quais nada comeu, nem bebeu”.
  
Precisamos passar por isso, sermos derrotados por Deus, permitir que o Senhor destrua nosso zelo que ganha forças com nossa visão terrena e nos leva ao caminho errado. Quando Paulo foi interrompido pelo Senhor a não ver mais com seus olhos naturais, ele passou a ver os planos do Senhor com seus olhos espirituais e entendeu sua vocação, abrir os olhos dos outros.

At.26.15-19, “Então, eu perguntei: Quem és tu, Senhor? Ao que o Senhor respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Mas levanta- te e firma- te sobre teus pés, porque por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha, tanto das coisas em que me viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda, livrando- te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio, para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim. Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial”.

Vocação



Vem do verbo latino voco, vocare, que quer dizer “chamar”. Quem faz algo por vocação sente que é chamado a isso pela voz de uma entidade superior. Neste ponto se ressalta o seguimento de uma função que gera mais prazer na sua concretização do que no lucro. Nisso podemos usar a frase que muitos mencionam: “você faz isso por dinheiro ou por prazer?”. Essa frase só tem sentido se compreendermos a vocação como desejo em sua realização e não no lucro que ela oferece. Porque acreditar que só haverá prazer naquilo que somos vocacionados, é mera ilusão, pois irá ver dor, fadiga, stress, dificuldades. Mas o caminho do que nos é oferecido como vocação, nos leva a ter expectativas e prazer na concretização, obviamente pode haver lucro, ou não.

Brasil social e as dificuldades: O Brasil possui dificuldades em sua forma social, sua herança é de portugueses querendo enriquecer, usando todo meio para ganhar. Negros escravos e apanhados a força, índios inseridos numa sociedade que não entendiam. Obviamente a “vocação” se resume ao lucro, ganhar do próximo, até dos próprios amigos, tendo vantagem em tudo e a um emprego aparentemente bem sucedido, mas medíocre. Então, ações justas, contribuições sociais, lutas por justiça são desvalorizadas e o sucesso pessoal, muitas vezes é uma afronta entre as pessoas. Consegue notar como não gostamos que nossos amigos tenham sucesso? Principalmente se estão tendo sucesso naquilo que desejamos ter? Isso é porque fomos criados numa sociedade do lucro e do ganho individualista, usamos um ao outro para nos beneficiar. Irmãos se tornam adversários e o sucesso dele não é o meu sucesso, e sim o meu fracasso, porque ele conseguiu e eu não. Mentalmente estamos separados, um muro nos separa, como da mesma forma geograficamente, estamos separados como vizinhança, estamos separados como família, cada um com seu quarto e suas coisas.

Exemplo de Viktor Frankl

Um grande homem, neurologista e psiquiatra que passou pelo campo de concentração e notou os homens naquele ambiente e percebeu que muitos que conseguiram passar por aquelas atrocidades, possuíam um forte senso de dever, missão e obrigação. Devem fazer parte do ser humano e essas coisas estão intimamente relacionadas a vocação. Nela você encontra o dever que precisa ser feito, pois outro não fará. Você compreende também o sentido de missão, precisa ser feito e outros aguardam sua concretização. A obrigação entra em um sentido de responsabilidade, nos tornamos responsáveis por aquilo que cremos. Frankl observou o ser humano e conseguiu concretizar que:

“O homem pode suportar tudo, menos a falta de sentido”

Isso nos leva a compreensão da vocação, ela te traz um sentido na vida.


Uma frase do escritor Mark Twain diz:


“Os dois dias mais importantes da sua vida são: O dia em que você nasceu, e o dia em que você descobre o porquê”.


“A vocação nos traz um sentido do porquê nascemos, do porquê vivemos e para quê devemos morrer”.

“Se você tem um porquê, então pode suportar todos os comos”


Faça essa pergunta a si mesmo:

“O que é que devo fazer e que não pode ser feito por ninguém, absolutamente ninguém exceto eu mesmo?”

Pense nisso onde você está inserido, comece por âmbitos pequenos, como sua particularidade, seus amigos, sua família, sua igreja e sua nação. As vezes um caminho particular e familiar será o ponta pé inicial de você caminhar para uma vocação nacional.  
     
Visão e Vocação


Ingredientes que caminham juntos para a loucura da pregação

Você irá perceber que no fundo a pregação é uma exposição daquilo que vimos e também daquilo que ouvimos:

IJo.1.1-3, “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada), o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo”.

Então, não limitamos a visão no sentido apenas de ver algo, mas abrangemos a mensagem da visão como uma orientação divina de algo que recebemos por completo, vendo, ouvindo e tocando. Esses elementos irão nos vocacionar em vida para que corramos na sua concretização. Essa é a nossa mensagem, esse é o nosso evangelho sendo anunciado.   

“Um homem pode ter visto e pode estar pregando o que ele viu, mas nenhum dos que o ouvem viu ou vê o que ele viu. Assim ele está dizendo aos cegos: "Vejam!".

T. Austin-Sparks, Visão Espiritual, p.9



Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.


@ze.ronaldo.templodefogo @osprofetas_ @lagrimasportuacausa @templodefogo @portuacasa







 "O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com)   - Adquira o livro clicando:  http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576 

Banda TEMPLO (ICor 3.17) de FOGO (Hb 12.29)


CD – O VIDENTE


Este CD tem como característica fundamental a vida e a mensagem dos profetas do AT. Todas as músicas estão baseadas em textos das Escrituras. A música “o Vidente” baseia-se em uma linha de profetas do Antigo Israel chamados de Nabiy’, Chozeh e Ra’ah, Is 6.1-3; ISm 9.9; 16.1-13; Dn 7.1-8; Zc 3.1-10. (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-o-…). A música “Terra Especial” e “Alguém” conta a trajetória de Moisés com o povo de Israel rumo a Terra prometida (Ex 12.1-51; 14.1-31). A música “Jeremias 7” baseia-se nas advertências do profeta contra as perversidades dos religiosos (Jr 7.1-34). “Oséias, o profeta do amor” é poetizado com o intenso amor de Javé pelo seu povo (Os 1.2,9; 2.1; 11.1; 14.1,4). A música “Elias”, retratará o episódio no monte Carmelo, onde Javé responde com fogo no desafio entre Elias e os profetas de Baal (IRs 18.1-40). A música “Teu Querer” é uma balada baseada na doutrina da Eleição Incondicional – homens como (Paulo) e outros, impactados pela escolha soberana de Deus (At 9.3; Rm 8.29,30). A música “Confiar nos profetas” baseia-se neste texto das Escrituras: “...Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis...” – A música relata o contexto deste pronunciamento contando a história do Rei Josafá (2Cr 20.20). Por fim, temos a música do profeta “Joel”, especificamente com uma mensagem sobre “O Dia do Senhor”. Essa música fecha o CD com a profecia da volta de JESUS!

I. Você pode adquirir o CD no valor de 20,00 + custo de correios 8,00, total = 28,00
Você também pode adquirir o livro “o Profeta em Israel e a Justiça Social”. Este livro é do Pr Ronaldo José Vicente, baterista da banda. O livro foi a ideia inicial para o trabalho que se desenvolveu no CD (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-pr…)
II. Você pode adquirir o livro no valor de 30,00 + custo de correios 8,00, total = 38,00
III. Você pode adquirir o livro e + CD no valor de 50,00 + custo de correios 8,00, total = 58,00
Transferindo ou fazendo o depósito nas contas:
Banco Itaú. Ag 1664 Conta Corrente 28767-7 /Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente. Banco Santander: Ag 0201 Conta Corrente 01062968-1/ Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
(envie o comprovante em in box para enviarmos o pedido).
LANÇAMENTO 

ACESSE EM TODAS AS PLATAFORMAS:











Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Quem foi o primeiro Profeta

Avivamento nas Ilhas Fiji

AVIVAMENTO NAS ILHAS HÉBRIDAS