Espaço para Deus




Henri Nouwen

 

“Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.31-33).

 

Neste livro eu gostaria de explorar o que significa viver uma vida espiritual, e como se pode vivê-la. No meio das nossas vidas agitadas e turbulentas às vezes indagamos: Qual a nossa verdadeira vocação na vida? Onde podemos achar tranquilidade de mente para poder escutar a voz de Deus que chama? Quem pode guiar-nos através do labirinto interior dos nossos pensamentos, emoções, e sentimentos? Estas e muitas outras indagações semelhantes expressam um profundo desejo de viver uma vida espiritual, mas ao mesmo tempo uma grande obscuridade sobre seu significado e pratica.

Como ponto de partida, escolhi as palavras de Jesus: “Não se preocupem” (Não vos inquieteis). A preocupação tornou-se uma parte tão integral da nossa vida cotidiana que uma vida sem preocupações não só parece ser impossível, mas até mesmo indesejável. Suspeitamos que ficar despreocupado é não ser realista e – pior ainda – é perigoso. Nossas preocupações nos motivam a trabalhar muito, a preparar-nos para o futuro, e amar-nos contra pendentes ameaças. Entretanto Jesus diz: “Não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.31-33). Com este conselho radical e “utopista”, Jesus indica a possibilidade de uma vida sem preocupações, uma vida em que todas as coisas estão se fazendo novas. Desejo, então, descrever a vida espiritual em que o Espírito de Deus pode nos recriar como pessoas verdadeiramente livres.

 

TODAS ESTAS COISAS

 

A vida espiritual não é uma vida antes, após, ou além da nossa existência cotidiana. Não, a vida espiritual só pode ser real quando é vivida no meio das dores e das alegrias do aqui e agora. Portanto, precisamos começar com um exame cuidadoso da forma como pensamos, falamos, sentimos, e agimos a cada hora, a cada dia, a cada semana, e a cada ano, a fim de ficarmos mais plenamente conscientes da nossa fome pelo Espírito. Enquanto tivermos apenas um vago sentimento interior de insatisfação com nossa presente forma de vida, e somente um desejo indefinido por “coisas espirituais”, nossas vidas continuarão a estagnar-se em melancolia generalizada. Frequentemente dizemos: “Não estou muito feliz. Não estou contente com o rumo da minha vida. Não tenho muita alegria ou paz, mas como não sei como as coisas poderiam ser diferentes, suponho que devo ser realista e aceitar a vida como ela é”. É este o espírito de resignação que nos impede de ativamente buscar a vida do Espírito.

 

CHEIOS

 

Uma das características mais obvias das nossas vidas diárias é que estamos atarefados. Na nossa experiência os dias são cheios de coisas para fazer, pessoas para encontrar, projetos para terminar, cartas para escrever, telefonemas para completar, e compromissos para guardar. Nossas vidas muitas vezes parecem malas abarrotadas rebentando nas costuras. Na realidade, quase sempre estamos cônscios de algum atraso. Há um sentimento incomodo que importunamente nos avisa que há tarefas incompletas, promessas não cumpridas, propostas não realizadas. Sempre há algo mais que deveríamos ter lembrado, feito ou dito. Sempre há pessoas com quem não falamos, a quem não escrevemos ou não visitamos. Assim, embora sejamos muito atarefados, também temos um sentimento persistente de que nunca realmente cumprimos nossas obrigações.

Mais escravizadoras do que nossas ocupações, porém, são as nossas preocupações. Estar preocupado significa encher nosso tempo e espaço muito antes de chegar lá. Isto é inquietação no sentido mais especifico da palavra. É uma mente cheia de “se”. Dizemos a nós mesmos: “E se eu ficar gripado? Se eu perder meu emprego? Se o meu filho não chegar em casa na hora certa? Se não houver alimento amanhã? Se o mundo acabar? Todas essas perguntas enchem a nossa mente com pensamentos ansiosos e fazem-nos indagar constantemente sobre o que fazer e o que dizer caso algo aconteça no futuro. Grande parte, se não a maioria, do nosso sofrimento tem ligação com estas preocupações. Possíveis mudanças de carreira, possíveis conflitos familiares, possíveis enfermidades, possíveis desastres, e um possível holocausto nuclear fazem-nos ansiosos, temerosos, desconfiados, gananciosos, nervosos, e melancólicos. Impedem-nos de sentir uma verdadeira liberdade interior. Por estarmos sempre prontos para eventualidades, raramente confiamos plenamente no agora. Não é exagero dizer que grande parte da energia humana é investida nestas preocupações temerosas. Tanto nossa vida individual como coletiva estão tão profundamente moldadas por nossas preocupações com o amanhã, que dificilmente o hoje pode ser vivido.     



NÃO REALIZADOS

 

Sob a preocupação das nossas vidas, contudo, algo mais está acontecendo. Ao mesmo tempo que nossa mente e coração estão cheios com muitas coisas, levando-nos a indagar como podemos satisfazer as expectativas impostas sobre nós por nós mesmos e por outros, temos um sentimento profundo de não realização. Embora atarefados e preocupados com muitas coisas, raramente nos sentimos verdadeiramente realizados, em paz, ou em casa. Um sentimento corrosivo de não realização está sob a superfície das nossas vidas ocupadas. Refletindo um pouco mais sobre esta experiência de não realização, posso discernir diversos sentimentos. Os mais significativos são enfado, ressentimento e depressão.

 

SEU REINO EM PRIMEIRO LUGAR


 

A resposta de Jesus para nossas vidas cheias de preocupação é bem diferente. Ele pede de nós que substituamos nosso ponto de gravidade, relocalizemos o centro de nossa atenção, que mudemos as nossas prioridades. Jesus quer que deixemos “as muitas coisas” para a “única coisa necessária”. É importante que compreendamos que Jesus não quer de forma alguma que deixemos nosso mundo de muitas facetas. Antes, quer que vivamos nele, mas firmemente arraigados no centro de todas as coisas. Jesus não fala sobre uma mudança de atividades, uma mudança de contatos, ou até uma mudança de ritmo. Ele fala sobre uma mudança de coração. Esta mudança de coração faz todas as coisas diferentes, até mesmo quando todas as coisas parecem permanecer as mesmas. Este é o significado de: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino...e todas estas coisas vos serão acrescentadas”.

 


BUSCAI O REINO

 

A vida espiritual é um dom. É o dom do Espírito Santo, que nos introduz no reino do amor de Deus. Mas dizer que ser introduzido no reino de Deus é um dom divino não quer dizer que esperamos passivamente até que o dom se nos ofereça. Jesus nos fala para buscar o reino. Buscar alguma coisa envolve não somente aspiração séria mas também determinação forte. A vida espiritual requer esforço humano. As forças que sempre nos puxam de volta a uma vida cheia de preocupação não são fáceis de se vencer. “Quão dificilmente”, Jesus exclama, “entrarão no reino de Deus...” (Mc 10.23). E para nos convencer da necessidade de trabalho duro, ele diz: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24).

 

COMUNIDADE

 

A disciplina de solidão não se mantém sozinha. Está intimamente relacionada com a disciplina de comunidade. Comunidade como disciplina é o esforço de criar um espaço livre e vazio entre pessoas, onde juntos possamos praticar verdadeira obediência. Através da disciplina de comunidade nos prevenimos de nos apegar um ao outro com sentimentos de medo e isolamento, e criamos um espaço livre para ouvir a voz libertadora de Deus.                  



Este estudo é um resumo do livro Espaço para Deus. O autor se chama Henri Nouwen. A editora que publica é a Impacto Publicações. Acesse o link para comprar:

 

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Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.


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Ouça o CD completo:






    
Este é um projeto envolvendo todos os irmãos da Igreja PorTuaCasa (@igrejaportuacasa). O objetivo é unir duas coisas. As Escrituras e um bom Rock N Roll. Atualmente temos muitas músicas que se dizem "gospel", porém, encontramos muitas frases que exaltam mais o homem do que à Deus. Essa é a primeira música, temos o objetivo de fazer o sermão do monte por completo (Mateus 5.1-7.29).

Nesta música, fizemos o texto das Bem-aventuranças (Mateus 5.3-12). 


Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. 
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. 
Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. 
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. 
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 
Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus. 
Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. 
Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. 
Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.  


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