O lugar dos profetas
O lugar do profetismo na revelação do Antigo Testamento
Geerhardus Vos
Em seguida ao período mosaico, o profetismo indica um notável movimento progressivo na revelação no Antigo Testamento. A fim de entender o motivo disso, devemos ter em mente como o processo de revelação é articulado. A revelação segue os eventos. Mas nem todos os acontecimentos na história de Israel, ainda que aparentemente momentosos, dão vazão ao grande afluxo de nova revelação. O que é necessário para isso é que os novos acontecimentos deixem para trás algo novo e de importância permanente. Quando os atos do êxodo levam ao estabelecimento da organização teocrática, um grande volume de revelação segue o seu rastro. Nós devemos, portanto, perguntar qual foi o grande evento na história sagrada que poderia trazer à tona novo corpo de revelação de importância mais abrangente.
Esse evento não pode ser outro senão a nova organização do reino teocrático sob um governante humano. Nos dias de Samuel, esse movimento começou; ele encontrou corpo provisório no reinado de Saul, mas não foi consolidado sob uma base firme até a ascensão de Davi. Daqui por diante, a ideia desse reino permanece central na esperança de Israel. Esse reino humano, contudo, é somente uma representação do reino do próprio Yahweh. Inicialmente, quando o povo pediu por um rei, Yahweh desaprovou o espírito não-teocrático no qual a solicitação foi feita, e declarou como sendo o equivalente a rejeitá-lo. Não obstante, o desejo foi concedido, obviamente a fim de que, por meio da conduta errada do ofício de Saul, seu conceito verdadeiro pudesse ser ensinado mais claramente.
Essa foi também a razão pela qual, por tão longo tempo, durante o período de Josué e dos juízes, a instituição do reino foi mantida em suspenso. Somente dessa forma dupla - primeiro negando um rei, em seguida permitindo um tipo errado de rei - o ideal do rei segundo o coração de Yahweh havia sido cuidadosamente inculcado e aquilo que é permanente chegou. O reino é, em seu propósito, um instrumento de redenção bem como de materialização da bem- aventurança de Israel. As expectativas messiânicas se anexam a ela. É um erro grave conceber o reino como algo que se sucedeu acidentalmente, e tolerado meramente por um tempo à custa da democracia. A coisa era por demais grande e profunda para ter algo de não-essencial e dispensável a seu respeito. Ela atinge, por meio do reinado de Cristo, o apogeu e perfeição da religião bíblica.
VOS. Geerhardus. Teologia Bíblica Antigo e Novo Testamentos. Cultura. São Paulo: 2010 (p.225-233)
Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.
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