O conselho de DEUS

 




Jr 23.18, “Porque quem esteve no conselho do SENHOR, e viu, e ouviu a sua palavra? Quem esteve atento à sua palavra e a ela atendeu?”.

O que realmente é o conselho de Deus?

Qual era o objetivo de Deus ao usar essa palavra para distinguir os verdadeiros dos falsos profetas?

De fato, os autênticos profetas estão mesmo neste conselho?


    Vamos estudar sobre o tema e compreender o verdadeiro significado da reunião nomeada como conselho de YHWH. A palavra usada como conselho é côd (סוֹד) que possui os significados de “concilio, assembleia, conversa familiar, conselho confidencial, conversa intima ou familiar com Deus” . No mesmo sentido, a palavra é como uma “conversa confidencial” (árabe sã,’wada, “falar em segredo”) por isso entende-se como um conselho. Ou seja, uma palavra inteligente, extremamente sabia como fundamental para o sucesso; “Onde não há conselho (סוֹד) fracassam os projetos...” Pb 15.22). (CULVER. p.1031). A palavra “conselho” terá o seu sentido acrescido indicando um determinado círculo de pessoas da especial intimidade de alguém (PETTERSON. p.1030). Neste círculo surgem os conselhos que estão acima das palavras normais do cotidiano; “Juntos andávamos (סוֹד), juntos nos entretínhamos e íamos com a multidão à Casa de Deus” (Sl 55.14). Para a língua portuguesa essa palavra vem do latim “consilium” relacionado a “juízo, um parecer, uma recomendação elevadíssima, uma comissão reservada, prudência direcionada, uma assembleia sábia” .
    Algo que precisamos reformular é a nossa compreensão ao ler as Escrituras no Antigo Testamento. O contexto social da época obriga-nos a uma compreensão mais exata. Voltar ao tempo e entender que a linguagem usada é totalmente diferente da visão que temos atualmente sobre a civilização. A maioria de nós não saberia viver em um mundo em que há guerras constantes, uso da força para a sobrevivência, valentia individual para sua proteção e o acolhimento familiar. Uma família real no poder e a sua influência através dos filhos. Centralidade exclusiva de um rei. Viver em um reino é servir a uma família. Ela o mantém e o administra. Os filhos herdam este domínio não dando ao povo chance de entrar na família real. Neste lugar está a capital e com ela a retenção de todos os recursos conquistados. O povo não tem acesso a arte, música, entretenimento e as regalias. A concentração do poder fica a mercê da família real, de seus súditos e daqueles que podem percorrer os palácios reais.
    Quando o rei decide entreter a multidão, festas e convenções são organizadas. Essa concentração de poder evitada pelo próprio Deus acabou sendo exigida pelo povo, quando o caos surgiu por causa da perversão dos filhos do profeta Samuel. Joel e Abias eram juízes constituídos sobre Israel. Mas avarentos, aceitavam subornos e pervertiam a justiça. Os anciãos não aguentavam mais as reclamações do povo. Pressionaram Samuel, já velho, para instituir um rei. O poder centralizado nos filhos corruptos seria arrancado.
    Momentaneamente o problema acabaria. Porém, futuramente haveria uma dificuldade maior, pois neste poder, se concentrariam famílias e membros usando todo o benefício das riquezas de uma nação. Um rei justo organizaria para que o povo tivesse acesso a essa herança, mas um rei injusto, privaria o povo desse benefício e o limitaria a certos indivíduos. O próprio Javé falou sobre esse perigo: “Agora, pois, atende à sua voz, porém adverte-o solenemente e explica-lhe qual será o direito do rei que houver de reinar sobre ele” (ISm 8.9). O Senhor continua alertando o povo através de Samuel e dá detalhes de como será ter um rei no poder:

Este será o direito do rei que houver de reinar sobre vós: ele tomará os vossos filhos e os empregará no serviço dos seus carros e como seus cavaleiros, para que corram adiante deles; e os porá uns por capitães de mil e capitães de cinquenta; outros para lavrarem os seus campos e ceifarem as suas messes; e outros para fabricarem suas armas de guerra e o aparelhamento de seus carros. Tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e padeiras. Tomará o melhor das vossas lavouras, e das vossas vinhas, e dos vossos olivais e o dará aos seus servidores. As vossas sementeiras e as vossas vinhas dizimará, para dar aos seus oficiais e aos seus servidores. Também tomará os vossos servos, e as vossas servas, e os vossos melhores jovens, e os vossos jumentos e os empregará no seu trabalho. Dizimará o vosso rebanho, e vós lhe sereis por servos. Então, naquele dia, clamareis por causa do vosso rei que houverdes escolhido; mas o SENHOR não vos ouvirá naquele dia. Porém o povo não atendeu à voz de Samuel e disse: Não! Mas teremos um rei sobre nós (ISm 8.11-19)

    Este texto é extremamente importante para entendermos a realidade em que o profeta Jeremias estava vivendo. Era um acúmulo de poder que vinha de famílias reais. Uma localidade autêntica. Um lugar. Uma organização. Uma pessoa. Um rei. Isso nos sugere entender que neste local, que é um reino, está a concentração da riqueza de uma nação. Tanto em informações, como arte, poder, força militar, música, entretenimento, justiça, leis e decisões vindas através de uma pessoa ou de uma família. A história de Ester é um claro exemplo. O rei da Pérsia fazia seus banquetes e todos eram convidados. Príncipes de povos conquistados e líderes associados de todos os lugares. Obviamente haveria diferenciação no local. Em uma parte, estariam os nobres, porém, o povo seria convidado em uma parte inferior. Mas todos estariam presentes. O auge da concentração do poder estava no palácio do rei Assuero:

Nos dias de Assuero, o Assuero que reinou, desde a Índia até à Etiópia, sobre cento e vinte e sete províncias, naqueles dias, assentando-se o rei Assuero no trono do seu reino, que está na cidadela de Susã, no terceiro ano de seu reinado, deu um banquete a todos os seus príncipes e seus servos, no qual se representou o escol da Pérsia e Média, e os nobres e príncipes das províncias estavam perante ele. Então, mostrou as riquezas da glória do seu reino e o esplendor da sua excelente grandeza, por muitos dias, por cento e oitenta dias. Passados esses dias, deu o rei um banquete a todo o povo que se achava na cidadela de Susã, tanto para os maiores como para os menores, por sete dias, no pátio do jardim do palácio real. Havia tecido branco, linho fino e estofas de púrpura atados com cordões de linho e de púrpura a argolas de prata e a colunas de alabastro. A armação dos leitos era de ouro e de prata, sobre um pavimento de pórfiro, de mármore, de alabastro e de pedras preciosas. Dava-se-lhes de beber em vasos de ouro, vasos de várias espécies, e havia muito vinho real, graças à generosidade do rei. Bebiam sem constrangimento, como estava prescrito, pois o rei havia ordenado a todos os oficiais da sua casa que fizessem segundo a vontade de cada um. Também a rainha Vasti deu um banquete às mulheres na casa real do rei Assuero (Et 1.1-9).

    Observe o texto e note o poder centralizado em um homem. O rei está em seu trono demonstrando toda a sua glória. Através disso, a evidência da força do exército, da música, do entretenimento, do convite aos líderes dos povos já conquistados, a apresentação de boa comida e de roupas belíssimas. Todas essas riquezas tinham acesso limitado. O povo só podia ter quando o rei decidia repartir. Ao contrário, haveria uma escassez desse tesouro para o cotidiano de uma família. Há exemplo disso temos a biblioteca de “Alexandria fundada no século III a.C., na cidade de Alexandria, que fazia parte do império macedônico.

    A biblioteca foi ideia do primeiro rei grego Ptolomeu I (366 a.C. - 283 a.C.), sucessor de Alexandre. Os reis do Egito apoiavam generosamente a biblioteca. Mandaram emissários para comprar manuscritos em todos os idiomas e os papiros que chegavam com os comerciantes ao porto de Alexandria eram3 copiados e devolvidos aos donos” . Tanto a biblioteca como outras grandes obras, palácios, jardins, construções extraordinárias, escrita, documentos e música; eram mantidos e acrescentados a cultura mundial por um reino conquistador no momento. Centralizados na visão de um rei e administrados por uma elite de intelectuais que governavam a sua época. O povo era a força deste reino, porém, ficavam a mercê deste poder.

    Relembremos a glória do rei Salomão. As doze tribos estavam unidas por causa de Davi e isso cooperou com o reinado do seu filho. Com a competência de Salomão, todo o Israel levava a fama em prol desta administração. Essa popularidade percorre o mundo antigo e os reis passam a visitá-lo. Em uma dessas visitas, surge a rainha de Sabá. Podemos notar que a apresentação da glória do reino se restringe nos palácios reais. O acesso da rainha a riqueza do reino não está no cotidiano das tribos. Sua estadia está no palácio real, junto ao rei Salomão, com seu exército particular e o serviço dos seus súditos. Obviamente todo o capital do reino distribuído no poder militar, no ouro, em riquezas culturais, roupas, arquitetura, serviço, música, arte, apresentação intelectual; é oferecido a rainha sem nenhum limite: “Vendo, pois, a rainha de Sabá toda a sabedoria de Salomão, e a casa que edificara, e a comida da sua mesa, e o lugar dos seus oficiais, e o serviço dos seus criados, e os trajes deles, e seus copeiros, e o holocausto que oferecia na Casa do SENHOR, ficou como fora de si” (IRs 10.4,5). Samuel Schultz comenta que o rei Salomão obteve um tal respeito e reconhecimento internacional que suas riquezas foram grandemente aumentadas por presentes que lhe foram enviados de perto e de longe. Em resposta ao seu rogo inicial, fora divinamente dotado de sabedoria, de tal modo que pessoas de outros países vinham ouvir-lhe os provérbios, os cânticos e seus discursos sobre vários temas:

Deu também Deus a Salomão sabedoria, grandíssimo entendimento e larga inteligência como a areia que está na praia do mar. Era a sabedoria de Salomão maior do que a de todos os do Oriente e do que toda a sabedoria dos egípcios. Era mais sábio do que todos os homens, mais sábio do que Etã, ezraíta, e do que Hemã, Calcol e Darda, filhos de Maol; e correu a sua fama por todas as nações em redor. Compôs três mil provérbios, e foram os seus cânticos mil e cinco. Discorreu sobre todas as plantas, desde o cedro que está no Líbano até ao hissopo que brota do muro; também falou dos animais e das aves, dos répteis e dos peixes. De todos os povos vinha gente a ouvir a sabedoria de Salomão, e também enviados de todos os reis da terra que tinham ouvido da sua sabedoria (IRs 4.29-34).

    Os reinos que passaram deixaram sua marca. Através das conquistas, acúmulo de riquezas, poder, domínio, aumento da ciência e influência social. Até hoje temos as marcas dos pensadores gregos, das construções romanas, das maravilhas dos povos antigos. Assim Deus permite para que tudo coopere ao seu plano glorioso. Ele estabelece, Ele interrompe, Ele mesmo mantém e Ele também destrói: “Seja bendito o nome de Deus, de eternidade a eternidade, porque dele é a sabedoria e o poder; é ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes. Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz” (Dn 2.20-22). Enquanto os povos passam, o povo de Deus permanece. Pois é mantido através do próprio YHWH, porque existe um plano maior. Israel é a nação escolhida para que através dela o mundo conheça e se submeta ao futuro reino do Filho: “Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião. Proclamarei o decreto do SENHOR: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei. Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão. Com vara de ferro as regerás e as despedaçarás como um vaso de oleiro” (Sl 2.6-9). 

    Geerhardus Vos comenta que “esse reino humano, contudo, é somente uma representação do reino do próprio Yahweh. Inicialmente, quando o povo pediu por um rei, Yahweh desaprovou o espírito não-teocrático no qual a solicitação foi feita, e declarou como sendo o equivalente a rejeitá-lo. Não obstante, o desejo foi concedido, obviamente a fim de que, por meio da conduta errada do ofício de Saul, seu conceito verdadeiro pudesse ser ensinado mais5 claramente” . Por isso há um olhar fixo de Deus sobre o andar do reino. Na medida que existe o apontamento para o reino do Filho, há aprovação de YHWH. Entretanto, se houver um caminho contrário, ocorrerá o envio dos seus servos, os profetas, para que haja correção. Geerhardus continua dizendo que “o surgimento e o desenvolvimento do profetismo se ligam a esse movimento que produz o reino. Os profetas eram os guardiães da teocracia em desenvolvimento e essa posição era exercida no centro dela - o reino. O propósito era mantê-lo como uma representação verdadeira do reino de Yahweh. Algumas vezes parece que os profetas foram enviados aos reis em vez de ao povo. Dessa interligação do ofício profético com os interesses nacionais de Israel, resumidos no reino, podemos explicar melhor as circunstâncias peculiares sob as quais a profecia surgiu no tempo de Samuel, num profundo movimento patriótico, com uma grande mescla de aspirações nacionais, estruturando-se coletivamente, no início, bem como individualmente. Os bandos ou as tão chamadas “escolas” de profetas eram, ao mesmo tempo, centros da vida religiosa e patriótica. Porém, em harmonia com o propósito da existência de Israel, o religioso dominava o6 patriótico, não o contrário” . Desta maneira podemos entender a comparação feita com o exército de Davi: “Porque, naquele tempo, dia após dia, vinham a Davi para o ajudar, até que se fez um grande exército, como exército de Deus” (ICr 12.22). O rei Davi conseguiu formar um exército tão poderoso como o exército de Deus? De maneira alguma, isso é impossível. Porém, havia no exército de Davi um apontamento aprovado por YHWH que revelaria o futuro exército do seu Filho. Se notarmos o texto anterior veremos o porquê desses homens receberem essa honra. Eles possuem um intenso desejo de se alinhar ao coração de Davi.

    Estamos falando de homens de guerra que possuem habilidades de conseguir o melhor da terra, ouro, recompensa, prestígio, valor, nome, cargo, hierarquia, futuras propriedades, valor social e herança. Todos os reinos e principalmente os reis sabiam do valor de homens de guerra honrados. Homens que acompanhariam o rei nas piores batalhas e permaneceriam ao seu lado. Homens dispostos a morrer por uma causa. Um rei sem homens assim ao lado não sobreviveria naqueles tempos. Nenhum reino se manteria sem homens desta forma. Porém, deveriam ser pagos, muitas vezes comprados e até muito bem recompensados. Mas esse não era o exército de Davi. Eles escolheram estar ao lado do rei Davi porque desejaram se alinhar ao coração do escolhido de YHWH:

Também vieram alguns dos filhos de Benjamim e de Judá a Davi, à fortaleza. Davi lhes saiu ao encontro e lhes falou, dizendo: Se vós vindes a mim pacificamente e para me ajudar, o meu coração se unirá convosco; porém, se é para me entregardes aos meus adversários, não havendo maldade em mim, o Deus de nossos pais o veja e o repreenda. Então, entrou o Espírito em Amasai, cabeça de trinta, e disse: Nós somos teus, ó Davi, e contigo estamos, ó filho de Jessé! Paz, paz seja contigo! E paz com os que te ajudam! Porque o teu Deus te ajuda. Davi os recebeu e os fez capitães de tropas (1Cr 12.16-18).

    Por isso o exército de Davi é comparado ao exército dos céus. Os seus homens não estão com ele por dinheiro, por fama, por recompensa, por prestígio ou por terras. Os seus valentes estão com o capitão porque reconhecem que YHWH está com ele. Desta forma, querem se alinhar plenamente ao líder. O reino pertence ao Filho e todos os que compreendem essa mensagem de YHWH passam a se ligar com o Escolhido: “Beijai o Filho para que se não irrite...” (Sl 2.12). O exército de Davi aponta para o exército de Cristo nos últimos dias: “São eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá...” (Ap 14.4). O termo não se trata apenas de seguir, acompanhar ou marchar. O sentido é mais profundo, pois aponta para alguém que passou a admirar um mestre, desejando ser seu discípulo. Ligando-se com seus ensinamentos, deixando de lado sua vida passada e passando agora a dedicar-se totalmente ao seu senhor. É um novo amor, uma nova vida, uma caminhada envolvida de admiração e honra. Grant Osborne comenta que “diante da imagem masculina, muitos exegetas defendem que o termo é uma referência aos soldados numa guerra santa. Essa possibilidade se encaixaria em várias declarações do livro: 17.14, os “escolhidos e fiéis seguidores” de Cristo o acompanharão em sua conquista das forças do mal; 19.14, os “exércitos do céu” estarão “vestidos de linho fino, branco e puro”. O autor continua dizendo que a ideia de “seguir” a Cristo é o cerne do discipulado nos Evangelhos (Mc 1.18; 8.34). João descreve Cristo como o bom pastor que “chama” suas ovelhas pelo nome e as conduz para fora e elas o seguem, pois conhecem sua voz (Jo 10.3,4). Aqui, “aonde quer que vá” o discipulado que envolve sofrimento e morte” .

    Partindo deste entendimento sobre um reino e suas características, começamos a entender o sentido exato do que realmente significava um “conselho”. Uma reunião exclusiva, partindo de representantes centralizados no poder e o acesso a este lugar, estaria direcionado entre pessoas escolhidas. Neste âmbito haveria total descrição e atenção completa, pois o assunto tratado neste recinto requer altíssima posição secreta. Essa área sagrada é diferenciada de qualquer outro lugar no palácio. Torna-se um setor sacro, mantido em segurança e a invasão ou evasão destes assuntos secretos devem ser considerados com morte imediata. Por isso a “invasão” da rainha Ester é considerada um ato de sacrifício pelo seu povo, mesmo sendo uma rainha entendia que a invasão sem a permissão do rei era um suicídio:

Todos os servos do rei e o povo das províncias do rei sabem que, para qualquer homem ou mulher que, sem ser chamado, entrar no pátio interior para avistar-se com o rei, não há senão uma sentença, a de morte, salvo se o rei estender para ele o cetro de ouro, para que viva; e eu, nestes trinta dias, não fui chamada para entrar ao rei” (Et 4.11).

    Este é o local mais sagrado de um reino. Não pode haver nenhum tipo de invasão ou evasão. É o lugar onde o rei se assenta. Decisões são tomadas que afetarão toda a Terra. Assuntos serão confidenciados aos súditos que devem ser fiéis ao rei. Em alguns reinos mais sangrentos, os escravos que serviam neste local sagrado, tinham suas línguas cortadas para não haver nenhuma possibilidade de traição, expondo os segredos reais. A rainha Ester consegue acesso simplesmente porque o rei Assuero permite: “Quando o rei viu a rainha Ester parada no pátio, alcançou ela favor perante ele; estendeu o rei para Ester o cetro de ouro que tinha na mão; Ester se chegou e tocou a ponta do cetro” (5.2). Ester poderia não ter sido atendida pelo rei. Por isso os Judeus estavam em jejum e oração para que ocorresse graça aos olhos do rei em receber a rainha e ouvir sua petição.

    Nesta linha de compreensão podemos relembrar e vivenciar mais da realidade em que o profeta Micaías estava. O rei de Israel, Acabe, junto com o rei de Judá, Josafá, reuniram um “conselho” para tratar de um assunto importante. Tomar novamente a região de Ramote-Gileade que estava nas mãos do rei da Síria. Para isso reuniram todos os que poderiam falar pelo Senhor – este é um conselho real no qual os homens mais importantes e influentes do reino devem estar. A sala do trono, os reis reunidos, súditos, conselheiros, sábios e os profetas: “Disse mais Josafá ao rei de Israel: Consulta primeiro a palavra do SENHOR. Então, o rei de Israel ajuntou os profetas, cerca de quatrocentos homens, e lhes disse: Irei à peleja contra Ramote-Gileade ou deixarei de ir? Eles disseram: Sobe, porque o Senhor a entregará nas mãos do rei” (IRs 22.5,6). Note que este conselho tem por finalidade um objetivo. Ir a guerra para reaver um território. Porém, eles precisam de uma garantia. Essa segurança é descobrir se o Senhor estará com eles. Então, no sentido correto, este conselho terreno deveria se submeter a um conselho celestial e os agentes correspondentes em saber sobre a posição divina eram os profetas.

    Os reis, sábios e capitães aguardam os profetas se comunicarem com o conselho divino e através disso passarem a vontade celestial. Desta maneira, deveriam crer que os profetas precisariam “subir as escadas” e entrar na sala do trono do Universo, onde está assentado o Rei dos reis e ouvir o conselho celestial. Então os profetas deveriam “descer as escadas” e no conselho terrestre serem ousados e fiéis segundo a palavra que ouviram. Porque os profetas são chamados para serem fiéis ao conselho de Deus e não ao interesse dos homens, que desejam ouvir segundo seu coração vaidoso. Porém este não é o quadro que encontramos neste conselho de Acabe. Os profetas não “sobem” as escadas e mesmo assim assumem o papel de profetizar pelo Senhor, mas estão falando conforme o rei deseja ouvir: “Eles disseram: Sobe, porque o Senhor a entregará nas mãos do rei”.

    Entretanto notamos no texto um profeta fiel ao conselho divino. Micaías é chamado para o conselho real sendo forçado a concordar com todos os profetas que foram infiéis a YHWH. Havia um número grande de profetas aconselhando os dois reis, diante de todos, que o Senhor estava a favor desta guerra: “O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, estavam assentados, cada um no seu trono, vestidos de trajes reais, numa eira à entrada da porta de Samaria; e todos os profetas profetizavam diante deles. Zedequias, filho de Quenaana, fez para si uns chifres de ferro e disse: Assim diz o SENHOR: Com este escornearás os siros até de todo os consumir. Todos os profetas profetizaram assim, dizendo: Sobe a Ramote-Gileade e triunfarás, porque o SENHOR a entregará nas mãos do rei” (IRs 22.10-12). Porém o profeta Micaías antes de participar deste conselho terreno, já estava em concordância com a realidade dos céus. Sua fidelidade é acima de qualquer pressão terrena. A ligação de um verdadeiro profeta lhe assegura ao pacto da palavra que sai do trono de Deus. Isso lhe transmite capacidade acima de preocupação com sua própria segurança. Ele estava no trono de YHWH. Ouviu e viu o verdadeiro conselho que comanda os céus e a terra. Futuramente o próprio Senhor iria confrontar os profetas na época de Jeremias. Pois estavam fazendo as mesmas coisas: “Porque quem esteve no conselho do SENHOR, e viu, e ouviu a sua palavra?” (Jr 23.8). Note a fala do profeta Micaías diante de todos que o pressionavam a concordar com o erro:

Vi o SENHOR assentado no seu trono, e todo o exército do céu estava junto a ele, à sua direita e à sua esquerda. Perguntou o SENHOR: Quem enganará a Acabe, para que suba e caia em Ramote-Gileade? Um dizia desta maneira, e outro, de outra. Então, saiu um espírito, e se apresentou diante do SENHOR, e disse: Eu o enganarei. Perguntou-lhe o SENHOR: Com quê? Respondeu ele: Sairei e serei espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas. Disse o SENHOR: Tu o enganarás e ainda prevalecerás; sai e faze-o assim. Eis que o SENHOR pôs o espírito mentiroso na boca de todos estes teus profetas e o SENHOR falou o que é mau contra ti (22.19-23).

    Um dos sinais da autenticidade profética é não só ouvir as palavras do Senhor, mas ver o Senhor pronunciando suas santas palavras. No conselho do Senhor existe a pressão da participação do profeta para estar presente, vendo e ouvindo o expressar na sua vontade. Gehard von Rad diz que “aqueles que se dirigem a nós nesses relatos eram homens que, por vocação, fugiam `as regras religiosas que a maioria tinha ainda por válidas (e sabe-se o que isso significa para uma pessoa do Oriente antigo!) e que, por isso, se encontravam na obrigação de justificar, a seus próprios olhos e diante dos outros, a sua situação nova e totalmente sem precedentes. O profeta relata um acontecimento que o incumbiu de uma missão, um saber e uma responsabilidade que o colocou diante de Deus de forma isolada e única, dependendo apenas de si mesmo. Isto obrigava o profeta a legitimar-se em sua posição excepcional diante dos demais. Fica claro assim que o fato de se pôr por escrito o relato da vocação, constituía, ao lado da própria vocação, um segundo acontecimento, cuja finalidade era, diferente do primeiro". Os profetas caminham fora do estabelecimento criado pela religião dos homens. Pelo fato de estarem ligados a pura religião que vem do trono de Deus, permitindo-lhes garantia de se justificarem diante dos homens. Por isso Micaías ousadamente relata antes do pronunciamento ter visto o Senhor! Sua maneira de falar mostra que ele vinha de um conselho celestial, com uma força devastadora, acima daquele conselho criado por reis que manipulavam os falsos profetas. Era a garantia profética que o colocava com um peso incalculável na sequência da sua narrativa. Sozinho ele enfrenta dois reis, uma rainha sanguinária (supostamente Jezabel haveria de saber do ocorrido), e inúmeros profetas reconhecidos pelo povo. Pois o falso profeta Zedequias fica tão indignado que acaba ferindo Micaías, crendo jamais aceitar que o “espírito” de Deus falasse por outra pessoa a não ser por ele.

    Quem esteve no conselho do SENHOR? É a pergunta feita a todos na época do profeta Jeremias. No próprio interrogatório divino já possui a resposta: Nenhum deles estava pois não viam e nem ouviam ao Senhor dos exércitos. Os profetas só podem ver quando passam a enxergar a realidade através do olhar de Deus. Fora disso, interpretam os acontecimentos segundo a vaidade de seus corações. A partir do momento que estão fora do conselho de YHWH, passam a falar falsamente, pois a conexão com a verdade fora substituída pelos interesses dos poderosos. Thomas Brooks comenta que "os falsos mestres são bajuladores de homens (Gl 1.10; ITs 2.1-4). Eles pregam mais para agradar ao ouvido do que para beneficiar o coração: “Dizem aos videntes: Não vejais; e aos profetas: Não profetizeis para nós o que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis, e vede para nós enganos” (Isaías 30:10). “Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra. Os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam pelas mãos deles, e o meu povo assim o deseja; mas que fareis ao fim disto?” (Jeremias 5:30-31). Eles manejam as coisas sagradas mais com sagacidade e galanteio (divertidamente, note-se) do que com temor e reverencia. Falsos mestres são matadores-de-almas. Eles são como cirurgiões malignos, que esfacelam a ferida, mas nunca a curam. A adulação destruiu Acabe e Herodes, Nero e Alexandre. Os falsos mestres são os maiores abastecedores do inferno. Non acerba, sed blanda (Não amarga, mas doce). Não palavras amargas, mas lisonjeiras são as que fazem todo o mal, disse Valeriano, o imperador romano. Tais mestres bajuladores são doces envenenadores de almas (Jer 23.16,17). O próprio YHWH os condena segundo o pronunciamento que fazem: “Disse-me o SENHOR: Os profetas profetizam mentiras em meu nome, nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, adivinhação, vaidade e o engano do seu íntimo são o que eles vos profetizam” (Jr 14.14). O Senhor proíbe de ouvir estes enganadores: “Não deis ouvidos às palavras dos profetas que entre vós profetizam e vos enchem de vãs esperanças; falam as visões do seu coração, não o que vem da boca do SENHOR” (Jr 23.16).  

    Mas o conselho de Deus continua funcionando e reuniões sobre a Sua vontade são emitidas constantemente. Um homem está vendo e ouvindo. É o profeta de Deus chamado Jeremias. Mesmo que uma nação inteira esteja cega e surda, sempre haverá um profeta vendo e ouvindo. As palavras de YHWH estão na boca dos seus profetas verdadeiros: “Depois, estendeu o SENHOR a mão, tocou-me na boca e o SENHOR me disse: Eis que ponho na tua boca as minhas palavras. Olha que hoje te constituo sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares e derribares, para destruíres e arruinares e também para edificares e para plantares” (1.9,10). O profeta escolhido por Deus vê no conselho celestial os planos que ocorrerão na nação: “Que vês? Eu respondi: vejo uma panela ao fogo, cuja boca se inclina do Norte. Disse-me o SENHOR: Do Norte se derramará o mal sobre todos os habitantes da terra. Pois eis que convoco todas as tribos dos reinos do Norte, diz o SENHOR; e virão, e cada reino porá o seu trono à entrada das portas de Jerusalém e contra todos os seus muros em redor e contra todas as cidades de Judá” (1.13-15). Assim, são enviados segundo as palavras deste conselho pronunciando em favor do Senhor:

Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém: Assim diz o SENHOR: Lembro-me de ti, da tua afeição quando eras jovem, e do teu amor quando noiva, e de como me seguias no deserto, numa terra em que se não semeia. Então, Israel era consagrado ao SENHOR e era as primícias da sua colheita; todos os que o devoraram se faziam culpados; o mal vinha sobre eles, diz o SENHOR. Ouvi a palavra do SENHOR, ó casa de Jacó e todas as famílias da casa de Israel. Assim diz o SENHOR: Que injustiça acharam vossos pais em mim, para de mim se afastarem, indo após a nulidade dos ídolos e se tornando nulos eles mesmos, e sem perguntarem: Onde está o SENHOR, que nos fez subir da terra do Egito? Que nos guiou através do deserto, por uma terra de ermos e de covas, por uma terra de sequidão e sombra de morte, por uma terra em que ninguém transitava e na qual não morava homem algum? Eu vos introduzi numa terra fértil, para que comêsseis o seu fruto e o seu bem; mas, depois de terdes entrado nela, vós a contaminastes e da minha herança fizestes abominação. Os sacerdotes não disseram: Onde está o SENHOR? E os que tratavam da lei não me conheceram, os pastores prevaricaram contra mim, os profetas profetizaram por Baal e andaram atrás de coisas de nenhum proveito” (2.2-8).

    Os profetas de Deus serão perseguidos por causa desta posição, pois ela irá contra a corrente de engano dos falsos profetas: “Pasur, filho do sacerdote Imer, que era presidente na Casa do SENHOR, ouviu a Jeremias profetizando estas coisas. Então, feriu Pasur ao profeta Jeremias e o meteu no tronco que estava na porta superior de Benjamim, na Casa do SENHOR” (20.1,2). Mas o profeta reconhece que participar do conselho de Deus requer submissão total. Os profetas não podem lutar contra a força deste conselho, pois ela é a verdade de YHWH sobre o seu povo. Por isso, reconhecem a persuasão divina e com ela a opressão social:

Persuadiste-me, ó SENHOR, e persuadido fiquei; mais forte foste do que eu e prevaleceste; sirvo de escárnio todo o dia; cada um deles zomba de mim. Porque, sempre que falo, tenho de gritar e clamar: Violência e destruição! Porque a palavra do SENHOR se me tornou um opróbrio e ludíbrio todo o dia. Quando pensei: não me lembrarei dele e já não falarei no seu nome, então, isso me foi no coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; já desfaleço de sofrer e não posso mais (20.7-9).

    Isso causou um estrago terrível em Jeremias. Participar do conselho de Deus não é apenas estar em uma reunião de negócios. É estar diante do Rei dos reis que fará justiça. Isso trará destruição e morte. Você consegue se imaginar em uma reunião como essa? Você consegue imaginar ser aquele que tentará de todas as formas parar a justiça divina? Você consegue entender a gravidade de ser aquele que anunciará o fim de um povo; e mesmo assim, estarão tão enganados por falsas profecias que acabarão perseguindo o anunciador? Jeremias viveu essa realidade: “O meu coração está quebrantado dentro de mim; todos os meus ossos estremecem; sou como homem embriagado e como homem vencido pelo vinho, por causa do SENHOR e por causa das suas santas palavras” (23.9). Jeremias soube do plano de Deus no conselho celestial. Ele viu a destruição que viria e teria que ser o anunciador. Famílias seriam mortas. Um reino destruído. Crianças seriam escravas. Mulheres vendidas como objeto. Homens mortos a espada. Pais de famílias sendo levados cativos. Jovens seriam usados no trabalho escravo para manter regalias de outro reino. Locais sagrados e objetos santos seriam violados e roubados. Uma cultura zelosa por séculos seria aniquilada em dias por uma violência que viria dos exércitos de Nabucodonosor. O profeta Jeremias viu este plano no conselho do Senhor. Estava incumbido de anunciá-lo. Obviamente não o aceitaria no sentido humano. Nenhum homem, principalmente os verdadeiros profetas de Deus tem prazer na destruição do seu próprio povo. Relembre o mesmo acontecimento envolvendo o profeta Eliseu. O rei da Síria, Ben-Hadade, estava doente. O rei envia seu “confiável” servo Hazael pedindo ajuda ao profeta para que consultasse ao Senhor sobre sua enfermidade: “Sararei eu desta doença?” (IIRs 8.8). A resposta de Eliseu é o seguinte: “Certamente, sararás. Porém o SENHOR me mostrou que ele morrerá”. Neste momento, olhando para Hazael, Eliseu vê os planos de Deus. Ou seja, o profeta acessa o conselho divino e obtém informações restritas e confidenciais. Mesmo sabendo da força deste conselho e da realidade catastrófica que o profeta presenciava todos os dias em Israel. A humanidade profética é revelada na ação de Eliseu diante de Hazael. Ele simplesmente chora:

Olhou Eliseu para Hazael e tanto lhe fitou os olhos, que este ficou embaraçado; e chorou o homem de Deus. Então, disse Hazael: Por que chora o meu senhor? Ele respondeu: Porque sei o mal que hás de fazer aos filhos de Israel; deitarás fogo às suas fortalezas, matarás à espada os seus jovens, esmagarás os seus pequeninos e rasgarás o ventre de suas mulheres grávidas. Tornou Hazael: Pois que é teu servo, este cão, para fazer tão grandes coisas? Respondeu Eliseu: O SENHOR me mostrou que tu hás de ser rei da Síria. Então, deixou a Eliseu e veio a seu senhor, o qual lhe perguntou: Que te disse Eliseu? Respondeu ele: Disse- me que certamente sararás. No dia seguinte, Hazael tomou um cobertor, molhou- o em água e o estendeu sobre o rosto do rei até que morreu; e Hazael reinou em seu lugar (2Rs 8.10-15).

    O homem profeta não tem prazer em ver no conselho celestial seu próprio povo sendo destruído. Eliseu viu e relatou ao próprio Hazael o que ele iria fazer. Seus exércitos colocariam fogo nas cidades, matariam a força de uma nação que são os jovens, assassinariam crianças e não perdoariam até as mulheres gravidas, matando os bebês no ventre. O acesso ao conselho divino requer uma estrutura psicológica altíssima. Eliseu precisou se conter diante daquela realidade e mesmo assim acabou sendo destruído por dentro. Olhe a história do profeta e veja que em nenhum momento ele desabou desta forma. O que ele viu o quebrou. Foi profundo o bastante para que sua humanidade perdesse o controle. Porém, como profeta, se manteve fiel na entrega da mensagem.

    Jeremias tenta de todas as formas convencer o conselho a mudar de ideia. O profeta intercede incessantemente pelo povo. Mas o conselho está irredutível. É unanime em trazer a justiça para a terra. O próprio YHWH proíbe o profeta de interceder pelo povo: “Tu, pois, não intercedas por este povo, nem levantes por ele clamor ou oração, nem me importunes, porque eu não te ouvirei” (7.16). Deus não aceitaria nem os sacrifícios do profeta pelo povo. Ele estava decidido em trazer a morte para a terra: “Disse-me ainda o SENHOR: Não rogues por este povo para o bem dele. Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor e, quando trouxerem holocaustos e ofertas de manjares, não me agradarei deles; antes, eu os consumirei pela espada, pela fome e pela peste” (14.11,12). Jeremias não teria condições de salvar o povo. Quem participa do conselho de Deus lhe deve submissão, responsabilidade e fidelidade. O querer do profeta se alinha ao querer divino. O desejo dos céus toma a realidade do profeta. Isso é a causa profética. A opressão divina. O custo do chamado. A força dos céus em cima dos seus profetas. É o estrago de Deus em cima daqueles que são chamados em uma missão histórica:

Maldito o dia em que nasci! Não seja bendito o dia em que me deu à luz minha mãe! Maldito o homem que deu as novas a meu pai, dizendo: Nasceu-te um filho!, alegrando-o com isso grandemente. Seja esse homem como as cidades que o SENHOR, sem ter compaixão, destruiu; ouça ele clamor pela manhã e ao meio- dia, alarido. Por que não me matou Deus no ventre materno? Por que minha mãe não foi minha sepultura? Ou não permaneceu grávida perpetuamente? Por que saí do ventre materno tão-somente para ver trabalho e tristeza e para que se consumam de vergonha os meus dias? (20.14-18).

    A palavra do conselho aniquilou Jeremias como ser humano, mas o colocou como exemplo por décadas da verdadeira função profética. Sempre lembraremos do homem Jeremias que chorava em prol do povo. Nunca esqueceremos do profeta Jeremias que permaneceu até o fim ao lado das pessoas. Este homem se manteve fiel ao conselho de Deus. É um herói sem honra, um profeta não reconhecido naquele momento. Humilhado e ferido por tolos e rebaixado em praça publica. Teve sua vida destruída em função da palavra divina. Mas para sempre será lembrado como um autêntico profeta de YHWH. “Porque quem esteve no conselho do SENHOR, e viu, e ouviu a sua palavra? Quem esteve atento à sua palavra e a ela atendeu?”. Respondendo à pergunta de Deus: O homem Jeremias estava neste conselho. O profeta escolhido se dispôs a ver e ouvir as palavras do Todo-Poderoso!

“Ah! Meu coração! Meu coração! Eu me contorço em dores. Oh! As paredes do meu coração! Meu coração se agita! Não posso calar-me, porque ouves, ó minha alma, o som da trombeta, o alarido de guerra” (Jr 4.19).


Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.

@osprofetas_ @lagrimasportuacausa @templodefogo @portuacasa


Bibliografia

DicionárioBíblicoStrong

CULVER. Robert D. Professor de Antigo Testamento e Hebraico, Winnipeg Theological Seminary Otterburne, Manitoba, Canada.

Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. Vida Nova. São Paulo: 1998

PETTERSON. R. D. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. Vida Nova. São Paulo: 2012.

SCHULTZ.Samuel.AHistóriadeIsraelnoAntigoTestamento.VidaNova. São Paulo: 2007

VOS.Geerhardus.TeologiaBíblicaAntigoeNovoTestamentos.Cultura. São Paulo: 2010 (p.225-233)

OSBORNE. Grant. R. Comentário Exegético do Apocalipse. Vida Nova. São Paulo: 2014

RAD. G. Von. Teologia do Antigo Testamento. Aste, Targumim. São Paulo: 2006

BROOKS. Thomas. 7 Características de falsos profetas. EC, 2014. Tradução e capa por Camila Almeida. Revisão, por William Teixeira. Mountainretreatorg.net 

  


Você pode adquirir o livro. Entre no site: https://www.revistaimpacto.com.br/produto/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/ 


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