As Bem-aventuranças

 



por J. C. Ryle


    Os três capítulos que têm início com estes versículos merecem atenção especial da parte de todos os estudiosos da Bíblia. Esses capítulos contêm o que usualmente se chama de “Sermão da Montanha”.
    Cada palavra do Senhor Jesus deveria ser reputada como preciosa pelos que se dizem crentes. É a voz do nosso supremo Pastor, a palavra do grande Superintendente e Cabeça da igreja. É o Senhor quem está falando. É a palavra dAquele que falava como ninguém jamais falou, a voz dAquele por meio de quem seremos julgados no último dia.
    Gostaríamos de saber que tipo de pessoa deveria ser o crente? Gostaríamos de saber que caráter cristão deveria ser o nosso alvo? Gostaríamos de saber qual a conduta e os hábitos mentais que deveríamos cultivar como seguidores de Jesus? Nesse caso, estudemos com freqüência o Sermão da Montanha. Meditemos constantemente sobre as sentenças de Cristo, e submetamo-nos à prova de acordo com elas. Não devemos deixar de considerar a quem o Senhor Jesus chamou de “bem-aventurados” no começo do sermão. Aqueles que são abençoados pelo nosso Sumo Sacerdote são verdadeiramente benditos. 

    Jesus chamou de bem-aventurados aos humildes de espírito. Referia-se aos humildes, modestos quanto a seu auto-conceito, auto- -rebaixados. Apontava para os que estão profundamente convictos de sua própria pecaminosidade diante de Deus. Aqueles que não “são sábios aos seus próprios olhos, e prudentes em seu próprio conceito” (Is 5.21). Esses não se consideram “ricos e abastados” (Ap 3.17); não ficam fantasiando de que nada precisam. Antes, consideram-se infelizes, miseráveis, pobres, cegos e nus. Todos esses são bem-aventurados! No alfabeto do cristianismo, a humildade é a primeira letra. Devemos começar bem por baixo, se quisermos atingir grandes alturas espirituais.

    O Senhor Jesus também chamou de bem-aventurados àqueles que choram. Com isso Ele quis dar a entender aqueles que se entristecem por causa do pecado, e que também se lamentam diariamente por causa das suas próprias falhas. São esses os que se preocupam mais por causa do pecado do que por qualquer outra coisa na face da terra. A memória dessas coisas deixa-os profundamente tristes. Tal carga lhes parece intolerável, Bem-aventurados são todos os tais. “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus” (SI 51.17). Algum dia, eles não mais derramarão lágrimas, “porque serão consolados”.

    O Senhor Jesus também chama de bem-aventurados aos mansos. Ele tinha em mente aqueles cujo espírito é paciente e satisfeito. Os que se dispõem a serem com pouca honra neste mundo, capazes de sofrer injustiças sem guardar ressentimentos. Os que dificilmente se deixam irritar. Como Lázaro na parábola, eles estão contentes em esperar pelas boas coisas que Deus tem para dar. Bem-aventurados são todos esses! A longo prazo, eles nunca são os perdedores. Chegará o dia quando eles “reinarão sobre a terra“ (Ap 5.10).

    O Senhor Jesus chama de bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, os que desejam acima de tudo ajustar-se à mente do Senhor. Eles anelam não tanto por se tomarem ricos ou poderosos ou eruditos, mas por serem santos. Bem-aventurados são todos os tais! Um dia terão o suficiente do que desejam. Um dia acordarão revestidos à semelhança de Deus e serão satisfeitos (SI 17.15).

    Jesus chama de bem-aventurados aos misericordiosos, os que se mostram compassivos para com os seus semelhantes. Eles têm compaixão de todos quantos sofrem, seja por causa do pecado ou de adversidades, e desejam ternamente suavizar tais sofrimentos. Praticam boas obras e esforçam-se por fazer o bem. Bem-aventurados são todos os tais! Tanto nesta vida quanto na vindoura, terão uma rica colheita.

    O Senhor Jesus também considerou bem-aventurados os que são limpos de coração. Ao assim dizer, Ele pensava naqueles que não almejam apenas uma conduta externa correta, e, sim, a santidade interior. Esses tais não se satisfazem com uma mera exibição externa de religiosidade. Antes, esforçam-se por manter o coração e a consciência isentos de ofensa, desejando servir a Deus com o espírito e com o homem interior. Bem-aventurados são todos esses! O coração é o próprio homem. “O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração” (1 Sm 16.7). Quanto mais a mente estiver voltada para as coisas espirituais, maior comunhão terá o homem com Deus.

    O Senhor Jesus chama de bem-aventurados aos pacificadores, isto é, os que exercem a sua influência pessoal a fim de promoverem a paz e o amor; tanto em particular como em público, em casa ou no estrangeiro. São os que se esforçam para que todos os homens se amem mutuamente, ensinando aquele evangelho que diz: “o cumprimento da lei é o amor” (Rm 13.10). Bem-aventurados são todos esses, pois, estão realizando a mesma obra que o Filho de Deus iniciou, quando veio à terra pela primeira vez, e que Ele terminará em sua segunda vinda.

    Por fim, o Senhor Jesus chama de bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, os que são alvos de zombarias e risos, os desprezados e que sofrem abusos somente porque se esforçam por viver como verdadeiros crentes. Bem-aventurados são todos os tais! Esses bebem do mesmo cálice de que o Mestre bebeu. Eles O estão confessando perante os homens, e Ele, por sua vez, haverá de confessá-los perante Deus Pai e os anjos no último dia. “É grande o vosso galardão nos céus.”

    Estas são as oito pedras fundamentais que o Senhor Jesus lançou, logo no começo do seu Sermão da Montanha. Oito grandes verdades, oito grandes testes foram colocados diante de nós. Marquemos bem cada uma delas, e assim aprenderemos a sabedoria!

    Aprendamos quão inteiramente contrários aos princípios deste mundo são os princípios ensinados por Cristo. É inútil tentar negar esse fato. São princípios diametralmente opostos entre si. O mundo menospreza as próprias virtudes que nosso Senhor Jesus exaltou. Orgulho, falta de consideração, espírito de exaltação, mundanismo, formalismo, egoísmo e falta de amor, que proliferam neste mundo por toda a parte, são coisas que o Senhor Jesus condenou.

    Aprendamos, da mesma forma, quão tristemente diferentes da vida prática de muitos professos ’ ‘cristãos' ‟ são os ensinos de Jesus Cristo. Onde encontraremos, entre os que frequentam os cultos nas igrejas locais, homens e mulheres que se esforçam por viver segundo os padrões acerca dos quais acabamos de ler? Infelizmente, há muitas razões para temer que um grande número de pessoas batizadas são totalmente ignorantes acerca do que o Novo Testamento contém!

    Acima de tudo, aprendamos quão santos e espirituais todos os crentes deveriam ser. Jamais deveriam ter como alvo qualquer padrão inferior ao do Sermão da Montanha. O cristianismo é eminentemente uma religião prática. A sã doutrina é a sua raiz e fundamento, mas o seu fluxo deveria sempre ser uma vida santa. E, se quisermos saber o que é uma vida santa, consideremos então, com freqüência, quem são aqueles a quem Jesus chamou de “bem-aventurados”.


Retirado do livro Meditações do Evangelho de Mateus. J. C. Ryle. Editora Fiel. 2002 - SP  


Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.

@osprofetas_ @lagrimasportuacausa @templodefogo @portuacasa




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