O chamado e a comissão do profeta
por O. Palmer Robertson
Na tentativa de entender a função do profeta no plano e propósito de Deus, uma análise do chamado e da comissão do profeta fornecerá percepções singulares. A análise do que levou as pessoas a esse ofício sagrado ajuda a entender a função que se esperava que o profeta exercesse. Assim como uma cerimônia de casamento ou um culto de ordenação antecipam as relações básicas que se seguirão, assim o chamado do profeta provê uma clara definição das suas responsabilidades, pois os profetas começavam seu trabalho com “um profundo senso da vocação divina”. Esse senso de chamado da parte de Deus influenciava profundamente o trabalho deles. Não tinham dúvida de terem sido comissionados pelo Senhor para serem seus mensageiros. “Um profeta sabia que ele nunca escolheu por si mesmo seu caminho: ele foi escolhido por Deus”.
Como consequência, o profeta vivia com um senso de compulsão para falar, e falar unicamente aquilo que Deus lhe havia revelado. Sem dúvida nenhuma, o ministério dos profetas de Israel teria sido totalmente diferente à parte dessa consciência de ser chamado e comissionado diretamente por Deus. Por causa desse senso de chamado divino direto, o profeta atuava como uma figura religiosa totalmente independente na história de Israel.
A Escritura registra o chamado e comissão de vários indivíduos como porta-vozes do Senhor. Além dos profetas escritores de Israel, outras figuras proeminentes chamadas para um ministério profético foram Moisés (Êx 3 e 4), Samuel (1 Sm 3.1-4.1a), e o servo do Senhor, de Isaías (Is 49.1-6; 50.4-9).3 O chamado de Gideão (Jz 6.11b-17) e o divino comissão do profeta Miqueias (1 Rs 22.19-22) também são instrutivos na análise do significado do chamado profético. Em termos dos profetas escritores de Israel, encontram-se quatro registros de casos de chamado divino para um ministério profético: Isaías (Is 6), Amós (Am 7.10-17), Jeremias (Jr 1.4-10), e Ezequiel (Ez 1.4-3.11). Isaías e Amós viveram no século VIII a.C., perto do início da história dos profetas escritores de Israel. Em contraste, Jeremias e Ezequiel ministraram perto do final da história da antiga aliança profética, na última parte do século VII e avançando pelo século VI. Apesar do período de tempo em que esses profetas trabalharam durar mais de 150 anos, as circunstâncias associadas ao seu chamado e comissão foram essencialmente as mesmas.
O chamado de Deus pode vir como uma convocação geral ao ofício de profeta ou como uma incumbência de executar uma missão específica nalguma circunstância histórica concreta. Em ambos os casos, o relato do chamado divino dos seus servos, os profetas, inclui normalmente uma visão de Deus, uma palavra introdutória, uma comissão divina, uma expressão profética de relutância, uma divina tranquilização, e um sinal de confirmação. As várias descrições de chamados à função profética apresentam uma variedade muito grande para estabelecer a existência de uma forma predefinida para registrar um chamado profético. Mas certos aspectos dominantes do chamado dos profetas merecem maior consideração.
Retirado do livro: O Cristo dos profetas. O. Palmer Robertson. Editora Clire. 2016. Kindle
Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.
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