O Navi' - profeta



 


por José Luis Sicre Díaz 


    Com seus 315 usos no Antigo Testamento, nabî’ é o termo mais frequente, o termo clássico, para referir-se aos profetas. Sobretudo a partir do final do século VII e durante o século VI, coincidindo com a redação da História deuteronomista e com profetas como Jeremias, Ezequiel, Zacarias.

    Mas justamente a abundância de citações provoca os maiores problemas. Porque o título acaba sendo aplicado às pessoas mais diferentes e, inclusive, opostas. Na primeira edição desta obra eu apresentava uma ampla exposição do uso do termo nos livros bíblicos (Pentateuco, História deuteronomista, Lamentações, Neemias, Amós, Oseias etc.) e do uso do verbo nb’, denominativo de nabî’, que é empregado com sentidos muito diferentes: “ficar frenético”, “dançar ritualmente”, “atuar como um nabî’”, “profetizar”, “cantar”. Omito-a agora, passando para as conclusões derivadas da análise.

1) O título nabî’ não implica uma avaliação positiva; é aplicado inclusive aos profetas de Baal e aos falsos profetas de Javé; neste sentido, está muito longe do homem de Deus. Dada a conotação negativa que possui em muitos contextos – sobretudo quando aparece no plural – é curioso que o título acabasse impondo-se para designar personagens como Isaías, Amós, Miqueias, que nunca o reivindicam.

2) O sentido e a função de nabî’ variam ao longo da história, mas o traço predominante é o de comunicar a palavra de outra pessoa: assim como Aarão se torna nabî’ de Moisés e lhe serve de intérprete (Ex 7,1), assim os homens se tornam nebî’îm de Baal ou de Javé e transmitem sua palavra.

3) O nabî’ atua às vezes de maneira independente e às vezes em grupo; mas os dados mais antigos que possuímos os apresentam em grupo, e esta tradição se mantém até o final.

4) Nesta tradição corporativa, enquanto no Norte aparecem reunidos em torno do rei, no Sul o centro de atenção é o templo de Jerusalém, o que os relaciona estreitamente com os sacerdotes. Isto justifica plenamente falar de profetas cultuais, embora seja exagerado considerar todos os profetas como funcionários do culto.

5) O fenômeno do nebiismo apresenta múltiplas fissuras, não é homogêneo em sua mensagem, nem em suas manifestações, o que provoca grandes conflitos. Ao mesmo tempo, explica as diversas tentativas de classificar os nebî’îm em grupos diferentes.

6) Estas tensões se percebem inclusive dentro da história deuteronomista, à qual poderíamos aplicar o princípio: “nem são todos os que estão, nem estão todos os que são”; parece claro seu desejo de excluir alguns dos maiores profetas canônicos.

7) As mulheres podem fazer parte deste movimento, inclusive com grande prestígio, dado muito importante se recordarmos que em Israel elas não têm acesso ao sacerdócio.

8) Em certas correntes proféticas, como a de Isaías e Miqueias, o termo nabî’ e o verbo profetizar não gozam de muito prestígio; prefere-se o termo contemplar (hazah). 


Retirado do livro: DÍAZ, José Luis Sicre. Introdução ao profetismo bíblico. Editora Vozes. Edição do Kindle (posição 1293-1502).


Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.

@osprofetas_ @lagrimasportuacausa @templodefogo @portuacasa




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