O Pathos Divino nos profetas

 



por Rafael Gonçalves Pereira 


    Segundo o judeu renomado Abraham Joshua Heschel em sua famosa obra literária “The Prophets”, a figura do profeta é bem mais obscura do que pensamos. Para Abraham, Yahweh em sua essência não é o objeto da experiência profética, o objeto da experiência profética é o pathos divino. Com isso, Heschel aponta para a especificidade do objeto fenomenológico do profetismo literário bíblico. Não o Ser divino em sua essência, atributos e propriedades, como o é para a teologia clássica. O objeto da experiência profética é o pathos divino. (HESCHEL, 2011, p. 11-15).
    Para Heschel, os profetas não tinham teorias ou ideias sobre Yahweh, o que tinham era uma compreensão sobre algo. Seu entendimento de Yahweh não era resultado de suas inquirições teóricas sobre o ser divino. Para os profetas, Yahweh era impressionantemente real e assustadoramente presente. Ou seja, o conjunto de imagens de Yahweh que o profetismo bíblico testemunha não diz respeito a qualquer espécie de exposição da natureza de Yahweh. Tais imagens expõem, sim, a preocupação divina a respeito do ser humano.
    Em síntese, o que o profeta comunica não são ideias sobre Yahweh, mas testemunhos de um “vivente” que se dirige ao humano na dinâmica de um cuidado. Por esse motivo, a linguagem metafísica está fora da cena profética. Heschel entende que o profeta tinha experiências divinas tendo os sentimentos de Yahweh dentro de si mesmo:

De acordo com sua teologia do pathos, a ação humana evoca o pathos divino; de acordo com sua religião da simpatia, a compaixão divina evoca a simpatia profética. O homem afeta Yahweh e Yahweh afeta o profeta. No diálogo entre Yahweh e o homem, Yahweh responde com pathos, no diálogo entre o profeta e Yahweh, o profeta responde com simpatia. (BERKOVITZ, 1964, p. 70).

    A profecia é “uma comunicação inspirada das atitudes divinas para a consciência profética. O pathos divino é o grau zero de todas essas atitudes” (HESCHEL, 2011, p. 288). Tal categoria teológica central do entendimento profético de Yahweh ecoa em quase todas as afirmações proféticas, constituindo-se no elemento teológico de tal experiência.
    Para Heschel (BERKOVITZ, 1964, p. 69) o que o profeta conhece da realidade de Yahweh não advém de silogismos lógicos e induções., mas procede do seu confronto com a divina presença. Ele o conhece a partir da afetação que sofre pela via do pathos divino. Seu conhecimento, por isso mesmo, é mais intuitivo, uma espécie de relacionamento que encontra na metáfora dos amantes uma expressão mais apropriada. O Yahweh encontrado pelo profeta é um Yahweh interessado no humano.

Retirado do livro: Pereira, Rafael Gonçalves. Ação e Resistência Profética: um estudo das confissões de Jeremias (p. 11). Edição do Kindle. 


Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.

@ze.ronaldo.templodefogo @osprofetas_ @lagrimasportuacausa @templodefogo @portuacasa




Você pode adquirir o livro. Entre no site: https://www.revistaimpacto.com.br/produto/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/ 


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Comentários

  1. Olá, Pr. Ronaldo. Gostei dos seus posts, que você continue assim.
    Fiquei bastante feliz em saber que meu livro foi útil pra ti, abraço meu querido.

    Deus abençoe!

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