Perigos do profético

 


por James W. Goll 


Poderemos algum dia acertar?


    Estava ministrando em um encontro certa vez e ao final achei que tinha imposto as mãos sobre cada um, assegurando-me de abençoar a todos. Mas, acidentalmente, pulei uma pessoa. O restante do povo foi para casa regozijando-se, porém esta ficou de fora. Mais do que isso, ele se sentiu tão rejeitado que acabou abrigando um ressentimento contra mim por anos. Finalmente, ele se aproximou de mim em outro encontro e se arrependeu e eu o perdoei. Até então, contudo, eu não sabia acerca do problema.

    O que isto me ensinou? Nunca pular ninguém outra vez? Como poderia garantir isso? Erros são um presente. Sem dúvidas continuarei tropeçando profeticamente como ministro, assim como tropeço em outras áreas. Nenhum ser humano é perfeito, até mesmo os gigantes da fé que tanto admiro.

    A partir daquela experiência e muitas outras, aprendi que precisamos simplesmente ser muito graciosos uns com os outros. Ajudou-me ter experimentado ambos os lados do ministério. Por exemplo, provavelmente profetizei sobre milhares de pessoas antes que alguém profetizasse sobre mim em uma reunião pública, e então Deus usou uma mulher anônima para fazer isto. Não foi uma palavra grandiosa, tampouco, e sequer consegui ouvir a palavra toda porque caí sem alguém para segurar.

    Muitos de vocês quer tenham ou não jamais ministrado profeticamente em público, tiveram o mesmo tipo de experiência humilhante. Você sempre se assegura de entrar na fila da cura, mas nunca consegue atenção. Os outros estão lá no chão, descansando no Espírito, alguns tendo encontros maravilhosos com Deus e lá está você, parado em pé, olhando ao redor, se perguntando o que fazer a seguir. Pode se tornar um padrão, mas é apenas um teste. Você confiará mesmo em Deus? Continuará vindo a Ele ou desistirá? Resistirá a tentação de obter sua confiança somente a partir de suas experiências proféticas?

Choque de realidade 


    Experiências proféticas são divertidas, inspiradoras e maravilhosas. Elas penetram defesas e abrem caminho de fé, mudando a atmosfera e criando uma cultura de vida sobrenatural. Palavras proféticas edificam, encorajam, confortam e direcionam. Contudo, às vezes, no fim você se pergunta: “Para onde você foi Deus?” pois você não pode mais encontrá-Lo. Pior do que isso, você se encontra enfrentando hostilidades graves. Como pode algo tão maravilhoso abrir a porta para tanto problema?

No livro de Oséias está escondida uma passagem obscura:

Os dias de castigo vêm, os dias de punição estão chegando. Que Israel o saiba. Por serem tantos os pecados, e tão grande a hostilidade de vocês, o profeta é considerado um tolo, e o homem inspirado, um louco violento. O profeta, junto ao meu Deus, é a sentinela que vigia Efraim; contudo, laços o aguardam em todas as suas veredas, e a hostilidade, no templo do seu Deus (Oséias 9:7-8 NVI).

    Isso não é exatamente o que você está procurando, é? Poucos de nós colocariam isso na geladeira! Por que “laços” e “hostilidades” seguem um profeta?

    Uma razão é bem óbvia: porque o profeta fala a Palavra do Senhor e as pessoas não querem ouvir. As pessoas são pecaminosas. O pecado original da humanidade se posiciona em rebelião contra a Palavra de Deus. A hostilidade borbulha no coração humano pecaminoso contra a entrada intrusa da Palavra de Deus, porque a Palavra de Deus fala sobre “mudança” e mudança é uma perspectiva temerosa. Tais palavras são com frequência, diretrizes ou pelo menos convidativas, e quando elas obtêm uma reação negativa dos seus ouvintes, o profeta-mensageiro leva a culpa.

    Uma vez estava na Guatemala e estava sofrendo de um ataque de tontura. Toda manhã levantava e o quarto estava rodando. Sabia que era um problema físico, mas pedi a Deus uma ligação espiritual e Ele me falou: “Não te chamei para fazer o balanço da Igreja. Eu te chamei para mudar o equilíbrio da Igreja”.  Toda vez que você se torna alguém que anuncia coisas novas ou um agente de mudança, pode aguardar pessoas contrariadas. As pessoas não gostam que alterem seu equilíbrio, mesmo que seja seu Deus de todo amor que esteja fazendo isto.

Para que ninguém se gabe 


    Outra razão porque a hostilidade segue uma palavra profética é por causa da maneira ofensiva em que a palavra possa estar empacotada.

    Moisés era hebreu, mas cresceu como um príncipe egípcio na casa de Faraó. Quando começou a rogar em nome do povo escravo (“Deixa Meu povo ir”), isso era ofensivo a Faraó. Como Pedro e Paulo mais tarde, Moisés era judeu até o âmago, mas Deus designou cada um desses bons judeus para alcançarem o mundo gentio (veja Gálatas 2:7-8). É impressionante a frequência com que isso acontece, apesar do que os professores digam nas classes do seminário sobre missão transcultural. (“Ir às pessoas que você tem mais afinidades. Vocês são os melhores para construírem pontes com essas pessoas. Mantenha-se o mais homogêneo possível...”)

    Parece que Deus gosta de misturar. Quando Ele não está enviando judeus para alcançar gentios, Ele está enviando o instruído para alcançar o não instruído—e o não instruído para alcançar os que têm muita instrução. Paulo escreveu aos coríntios:

Irmãos, pensem no que vocês eram quando foram chamados. Poucos eram sábios segundo os padrões humanos; poucos eram poderosos; poucos eram de nobre nascimento. Mas Deus escolheu o que para o mundo é loucura para envergonhar os sábios, e escolheu o que para o mundo é fraqueza para envergonhar o que é forte. Ele escolheu o que para o mundo é insignificante, desprezado e o que nada é, para reduzir a nada o que é, a fim de que ninguém se vanglorie diante dele (I Coríntios 1:26-29 NVI).

    Esta passagem faz uma declaração acerca de você e eu. Nós somos os loucos, insignificantes, desprezíveis e fracos. O lado bom é que são suas próprias fraquezas que o qualifica para ser usado por Deus. John Wimber costumava dizer: “Sou um louco por Cristo. Você é louco por quem?” Sempre que você se posicionar em fé, irá parecer um louco para alguém. Então, apenas aceite e regozije-se em sua humildade.

    Deus usa meios estranhos, às vezes, para comunicar Sua palavra. Afinal, Ele é Deus e Seus caminhos não são os nossos caminhos, nem Seus pensamentos são os nossos pensamentos (veja Isaías 55:8). Ele não gosta de ser encaixotado. (Gosto de dizer que Ele viveu em uma caixa só uma vez, na Arca da Aliança, e quando saiu Ele votou nunca mais viver em uma caixa feita por mãos humanas.) Contudo, Ele escolheu viver nos corações humanos e isso significa que quando Ele apresenta Sua palavra, que já é radical e diferente, Ele usa mensageiros que podem vir de maneiras estranhas e incomuns.

    Coloco-me nesta categoria, com certeza. Minha esposa costumava me dizer que eu tinha um ministério de sanidade porque fazia outros se sentirem sensatos. Conjecturo que talvez Deus tenha ficado entediado, então Ele criou os profetas.

    Além disso, Deus fala de maneiras tão encobertas que isto quase parece garantir que as pessoas tropeçarão. Ele diz: “Ouvi agora as minhas palavras: Se entre vós há profeta, eu, o Senhor, em visão a ele me farei conhecer, ou em sonhos falarei com ele (Números 12:6). Sabia? Sonhos e visões são difíceis de entender. Até mesmo quando você pensa que entende, normalmente não entende o significado inteiro. A única resposta lógica é com humildade buscar a face de Deus. Falar através de sonhos e visões é uma maneira perfeita para Ele criar a graça da humildade e corações que buscam.

    Quando nossos filhos eram pequenos, minha esposa experimentou nove semanas diretas de visitações angelicais toda noite. No fim, recebeu uma promessa de Deus. Ele disse: “Vou te visitar de novo, mas da próxima vez virei Eu mesmo”. Isso pareceu glorioso e procuramos outro tempo de visitação, porém não aconteceu como esperávamos. Contudo, Deus é fiel a Sua palavra. Ele veio em setembro de 2008 e a levou para casa! Não compreendo isto e tenho milhões de perguntas. Contudo, vou deixar estas perguntas me aproximarem Dele em vez de me levarem para longe Dele.  Estes tipos de inconstâncias e surpresas criam a graça da humildade, que é o oposto de hostilidade. Ao respondermos as experiências proféticas podemos escolher entre humildade ou hostilidade.


Retirado do livro: Goll, James W.. Aventuras no Profético: Aventure-se NO PROFÉTICO - VOCÊ NUNCA MAIS SERÁ O MESMO! . Sete Montes. Edição do Kindle. 


Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé́. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.


@ze.ronaldo.templodefogo @osprofetas_ @lagrimasportuacausa @templodefogo @igrejaportuacasa




Você pode adquirir o livro. Entre no site: https://www.revistaimpacto.com.br/produto/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/ 


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