A Comissão dos Profetas

 





Robertson Palmer 

    O chamado de Jeremias ressalta que o profeta foi primeiro consagrado ao Senhor e depois comissionado com sua mensagem:


Antes de formá-lo no ventre eu o escolhi antes de você nascer, eu o separei e o designei profeta às nações (Jr 1.5).


    O profeta não pertencia a si mesmo. Antes de nascer, pela ação autônoma do Criador divino, ele foi consagrado, dedicado de corpo e alma ao Senhor da Aliança de Israel. Assim como Deus tinha tomado os levitas para si na época da formação da nação no Sinai e então os deu a Arão para fazerem o trabalho do tabernáculo, assim o Senhor agora requereu o profeta para ser dele e então o comissionou como seu porta-voz:


Porquanto eles dentre os filhos de Israel me são dados; em lugar de todo aquele que abre a madre, do primogênito de cada um dos filhos de Israel, para mim os tomei. Porque meu é todo primogênito entre os filhos de Israel, tanto de homens como de animais; no dia em que, na terra do Egito, feri todo primogênito, os consagrei para mim. Tomei os levitas em lugar de todo primogênito entre os filhos de Israel. E os levitas, dados a Arão e a seus filhos, dentre os filhos de Israel, entreguei-os para fazerem o serviço dos filhos de Israel na tenda da congregação e para fazerem expiação por eles, para que não haja praga entre o povo de Israel, chegando-se os filhos de Israel ao santuário (Nm 8.16-19).


O profeta recebe uma ordem solene: “Vai!”:


Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais (Is 6.9)

Mas o SENHOR me disse: Não digas: Não passo de uma criança; porque a todos a quem eu te enviar irás; e tudo quanto eu te mandar falarás (Jr 1.7)

Ele me disse: Filho do homem, eu te envio aos filhos de Israel, às nações rebeldes que se insurgiram contra mim; eles e seus pais prevaricaram contra mim, até precisamente ao dia de hoje (Ez 2.3)

Mas o SENHOR me tirou de após o gado e o SENHOR me disse: Vai e profetiza ao meu povo de Israel (Am 7.15).

Então, se virou o SENHOR para ele e disse: Vai nessa tua força e livra Israel da mão dos midianitas; porventura, não te enviei eu? (Jz 6.14)


    Ele não pode esperar até que o povo venha a ele depois de receber a palavra da parte de Deus. Ele precisa ser ousado em tomar a iniciativa, mesmo sabendo que o povo não responderá favoravelmente à sua mensagem.

    A quem é enviado o profeta de Deus? Antes de tudo, o Senhor comissiona seus profetas para entregarem a mensagem a seu próprio povo da aliança, àqueles que estão ligados a Ele para bênção e maldição, para vida e morte, pelos vínculos soberanamente administrados, previamente feitos com Adão, Noé, Abraão, Moisés e Davi. Às vezes o profeta era comissionado especificamente ao reino apóstata do norte. Outras vezes, era enviado exclusivamente para o reino do sul, como nos casos de Habacuque, Sofonias e Jeremias. Em algumas ocasiões, o profeta recebia sua comissão especificamente para um povo exilado, expulso da terra que lhes deu coesão nacional, como no caso de Ezequiel e Daniel. Mas em cada um desses casos, a mensagem e o ministério dos profetas eram dirigidos à pequena e aparentemente insignificante comunidade conhecida como Israel. Esse povo tinha sido escolhido e favorecido por Deus para receber o rico ministério dos servos escolhidos de Deus dentre a humanidade. Mesmo hoje eles são diferenciados como favorecidos acima de tudo porque a eles foram confiados os oráculos de Deus.


Muita, sob todos os aspectos. Principalmente porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus (Rm 3.2).


    A comissão dos profetas abrangia também uma comunidade bem mais ampla. “Um profeta para as nações” é a impressionante descrição da tarefa dada a Jeremias (Jr 1.5). Na exata ocasião em que os grandes impérios orientais estavam surgindo, Deus enviou seus profetas solitários para confrontá-los com sua Palavra. Mais poderosa do que os exércitos de homens seria essa Palavra entregue pelos profetas. Pelo fato deles falarem a Palavra daquele que havia criado e sustentava todas as coisas por sua Palavra, os profetas foram constituídos “sobre as nações e os reinos” (1.10). O Senhor estava “velando” por sua Palavra (1.12).

    Assim como o leopardo vigia atentamente sua presa, agachando-se na relva até o momento certo de entrar em ação (5.6), assim o Senhor vigia a palavra do seu profeta para fazer que se cumpra tudo o que ele diz. Foi esse firme compromisso do Senhor de cumprir cada palavra dos seus profetas que os reis de Jerusalém deixaram de considerar de forma adequada. Eles deveriam ter prestado bastante atenção no exato conteúdo da mensagem dos profetas porque estes expressavam o plano predeterminado de Deus. Em vez disso, os reis de Jerusalém “consideravam suas próprias decisões com seriedade excessiva. Eles se imaginavam livres para fazer o que bem quisessem enquanto as coisas funcionassem. Mas esse ‘velar’ de Yahweh assevera que existe um aspecto, um fluxo, um propósito na história que não pode ser negado e do qual não se pode escapar”.

Assim, o profeta do Senhor trabalha com a responsabilidade de uma sentinela:


Filho do homem, eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; da minha boca ouvirás a palavra e os avisarás da minha parte (Ez 3.17).


    Ele não pode falhar em soar o alarme, alertando o povo do juízo vindouro do Senhor. Ele é enviado a uma casa rebelde. Mas, quer eles escolham ouvir, ou não levar em consideração, ele precisa alertá-los do juízo que virá se eles deixarem de prestar atenção à Palavra do Senhor.

    Essa poderosa Palavra vinda do Senhor pela instrumentalidade do profeta tinha em si a capacidade “para arrancar, despedaçar, arruinar e destruir; para edificar e plantar”:


Olha que hoje te constituo sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares e derribares, para destruíres e arruinares e também para edificares e para plantares (Jr 1.10)


    De acordo com a comissão de Jeremias, quatro palavras de juízo e duas palavras de bênção caracterizam a mensagem entregue pelos profetas do Senhor. Consequentemente, a ascensão e queda até mesmo de Jerusalém não se deram “de acordo com sua própria capacidade de vida e sobrevivência, mas unicamente de acordo com a soberana inclinação de Yahweh”. Mesmo o complexo do templo sagrado, que abrigava a presença constante da glória do Senhor da Aliança, não estava livre da palavra profética que fez com que fosse arrancada, despedaçada, arruinada e destruída, pois “nenhuma estrutura histórica, nenhuma astúcia política, nenhum sistema de defesa consegue proteger uma comunidade contra Yahweh”. Nações erguem-se e nações caem de acordo com os propósitos universais do único Senhor da criação e providência.

    É muito interessante que essa linguagem profética de destruir e edificar o templo de Deus seja usado por Jesus quando Ele começa seu ministério profético.


Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei (Jo 2.19)


    Mas, nessa ocasião, Ele se refere ao templo do seu corpo (2.21). Depois da sua ressurreição de entre os mortos, os discípulos lembraram o que Ele tinha dito, e como consequência “creram na Escritura e na palavra que Jesus dissera” (2.22 NVI). Nesse caso, a Escritura que os discípulos creram podia muito bem ter incluído a referência ao ministério dos profetas em termos de destruir e edificar.

    Dessa forma, os profetas receberam uma solene comissão da parte do Senhor. Suas palavras vinham com poder de moldar a história. Uma vez que as palavras tivessem sido pronunciadas, nada poderia impedir que se cumprissem, pois as declarações dos profetas eram exatamente a mesma coisa que a palavra determinante do próprio Deus.


Robertson, O. Palmer. O Cristo dos Profetas. Editora Clire. 2016 


Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé́. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.


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