A sensibilidade dos Profetas

 




Os Profetas

Abraham Joshua Heschel

Que tipo de homem é o profeta? 

Sensibilidade ao mal


Que tipo de homem é o profeta? Um estudante de filosofia que deixa os discursos dos grandes metafísicos para dar atenção às orações dos profetas pode sentir como se tivesse deixado um reino sublime de lado para se importar com algo irrelevante.

    Ao invés de lidar com questões atemporais como o ser e o devir (tornar-se), matéria e forma, definições e demonstrações, ele é exposto a orações sobre viúvas e órfãos, sobre juízes corruptos é assuntos do mercado.

    Em vez de nos mostrar um caminho através das elegantes mansões da mente, os profetas nos levam a lugares miseráveis. O mundo é um lugar belo, mas os profetas estão escandalizados e furiosos como se o mundo todo fosse um lugar miserável.

    Eles fazem muito alvoroço por causa de coisas insignificantes, esbanjando uma linguagem exagerada por assuntos triviais. E se a população pobre de alguma parte da antiga Palestina não fosse bem tratada pelos ricos? E se alguma idosa encontrasse prazer em adorar a “rainha dos céus”? Por que tanta agitação? Por que tanta indignação?

    O que horrorizava os profetas, hoje em dia são fatos rotineiros em todo o mundo. Não há qualquer sociedade em que as palavras de Amós não se apliquem.


Ouvi isto, vós que tendes gana contra o necessitado e destruís os miseráveis da terra, dizendo: Quando passará a Festa da Lua Nova, para vendermos os cereais? E o sábado, para abrirmos os celeiros de trigo, diminuindo o efa, e aumentando o siclo, e procedendo dolosamente com balanças enganadoras, para comprarmos os pobres por dinheiro e os necessitados por um par de sandálias e vendermos o refugo do trigo? (Am 8.4-6).


    De fato, os tipos de crimes e a quantidade de delitos cometidos que desanimavam os profetas de Israel não passam do que consideramos como acontecimentos normais, ingredientes típicos para as dinâmicas sociais.

    Aos nossos olhos, um único ato de injustiça (como ser desonesto com os negócios ou explorar o pobre) é algo leve; para os profetas, um desastre. Para nós, a injustiça é somente algo prejudicial para o bem-estar das pessoas; já para os profetas, um golpe mortal na existência: para nós, um episódio qualquer; para eles, uma catástrofe, uma ameaça para o mundo.

    Essa tremenda inquietação dos profetas quanto a injustiça pode nos parecer histeria. Nós continuamente presenciamos atos injustos, manifestações de hipocrisia, falsidade, ofensa, miséria, mas não ficamos indignados ou comovidos com essas situações. Mas para os profetas, até o pequeno ato de injustiça assume proporções cósmicas.


Jurou o SENHOR pela glória de Jacó: Eu não me esquecerei de todas as suas obras, para sempre! Por causa disto, não estremecerá a terra? E não se enlutará todo aquele que habita nela? Certamente, levantar-se-á toda como o Nilo, será agitada e abaixará como o rio do Egito (Am 8.7,8).

Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! Ficai estupefatos, diz o SENHOR. Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas (Jr 2.12,13).


    Os profetas falam e agem como se o céu estivesse prestes a colapsar pois Israel se tornou infiel para com Deus.


A indignação dos profetas e a ira de Deus não estariam em desproporção à sua causa? 

Como explicar tanto incomodo com a moral e com a religiosidade, tamanha impetuosidade?


    Não parece nos fazer sentido o fato de que a gloriosa cidade de Jerusalém tenha sido destruída e seu povo exilado por causa de alguns pequenos atos de injustiça cometidos contra aos pobres insignificantes e impotentes.

O profeta não exagerou na culpa? A palavra dos profetas são como violentas explosões emocionais. Sua repreensão é dura e implacável. Mas se essa sensibilidade ao mal é chamada de histeria, qual nome deveríamos dar a profunda indiferença que os profetas tanto lamentam?


Que bebeis vinho em taças e vos ungis com o mais excelente óleo, mas não vos afligis com a ruína de José (Am 6.6).


    A mesquinhez de nossa compreensão moral, a incapacidade de perceber a profundidade da miséria causada por nossos próprios fracassos, é um fato que nenhum subterfúgio pode ser usado como um escape.

    Nossos olhos são testemunhas da insensibilidade e crueldade do homem, mas nosso coração tenta apagar essas memórias, acalmar os nervos e silenciar nossa consciência.

    O profeta é um homem com uma grande sensibilidade. Deus colocou um peso sobre sua alma, e ele está curvado e atordoado com a ganância feroz do homem.

    Tremenda é a agonia do homem; nenhuma voz humana pode transmitir todo o seu terror. E a profecia é a voz que Deus deu à essa agonia silenciosa, uma voz aos pobres saqueados, às riquezas profanadas do mundo.

    É uma forma de viver, um ponto de passagem de Deus e do homem. Deus revela a sua fúria através das palavras dos profetas.


The Prophets. Abraham Joshua Heschel. Hendrickson Publisheres. Massachusetts: 2017. p.3-5 


Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé́. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.


@ze.ronaldo.templodefogo @osprofetas_ @lagrimasportuacausa @templodefogo @igrejaportuacasa




    Este é um projeto envolvendo todos os irmãos da Igreja PorTuaCasa (@igrejaportuacasa). O objetivo é unir duas coisas. As Escrituras e um bom Rock N Roll. Atualmente temos muitas músicas que se dizem "gospel", porém, encontramos muitas frases que exaltam mais o homem do que à Deus. Essa é a primeira música, temos o objetivo de fazer o sermão do monte por completo (Mateus 5.1-7.29).

Nesta música, fizemos o texto das Bem-aventuranças (Mateus 5.3-12). 


Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. 
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. 
Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. 
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. 
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 
Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus. 
Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. 
Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. 
Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.  


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