A Solidão e a Aflição dos Profetas
A solidão e a Aflição dos Profetas
Bruce Waltke
O mundo odeia os que denunciam o pecado e sua incredulidade. Depois que o público de Miqueias o rejeitou, dos cumes elevados dos padrões éticos esse pregador brilhante ergueu sua voz quase solitária acima das massas ruidosas.
Com que me apresentarei ao SENHOR e me inclinarei ante o Deus excelso?
Virei perante ele com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros, de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu corpo, pelo pecado da minha alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus. A voz do SENHOR clama à cidade (e é verdadeira sabedoria temer-lhe o nome): Ouvi, ó tribos, aquele que a cita. Ainda há, na casa do ímpio, os tesouros da impiedade e o detestável efa minguado? Poderei eu inocentar balanças falsas e bolsas de pesos enganosos? (Mq 6.6-11).
Quanto a Jeremias e outros profetas. Heschel comenta:
Nenhum profeta parece fascinado em ser profeta ou orgulhoso de suas realizações: “Maldito o dia em que nasci! Não seja bendito o dia em que me deu à luz minha mãe!; Por que não me matou Deus no ventre materno? Por que minha mãe não foi minha sepultura? Ou não permaneceu grávida perpetuamente?” (Jr 20.14,17). Na vida de um profeta havia palavras inscritas de forma invisível: “Abandonai toda lisonja vós que entrais aqui”. Ser um profeta era ao mesmo tempo uma distinção e uma aflição. A missão que realiza é desagradável para ele e repulsiva para os outros; nenhuma recompensa lhe é prometida e nenhuma recompensa poderia atenuar sua amargura. O profeta suportava zombaria e desprezo:
Tu, ó SENHOR, o sabes; lembra-te de mim, ampara-me e vinga-me dos meus perseguidores; não me deixes ser arrebatado, por causa da tua longanimidade; sabe que por amor de ti tenho sofrido afrontas (Jr 15.15).
Seus contemporâneos o estigmatizavam como louco, e alguns estudiosos modernos, como anormal. O dever do profeta era falar ao povo, quer ouvissem, quer se recusassem a ouvir. Era uma seria responsabilidade que repousava sobre os profetas.
Mas, se o atalaia vir que vem a espada e não tocar a trombeta, e não for avisado o povo; se a espada vier e abater uma vida dentre eles, este foi abatido na sua iniqüidade, mas o seu sangue demandarei do atalaia. A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca e lhe darás aviso da minha parte (Ez 33.6,7).
Mesmo assim, na condição de plenipotenciários de EU SOU, são santos; constituem propriedade divina, e tocar neles expõe a pessoa à ira de Deus.
Bruce Waltke. Teologia do Antigo Testamento. Vida Nova. São Paulo: 2015. p.908
Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé́. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.


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