O Dia do Senhor pelos profetas

 



O Dia do Senhor pelos profetas 

Georg Fohrer 


    A fé dos grandes profetas individuais, baseada na influência perene do javismo mosaico, estava fundamentada numa nova compreensão de Yahweh, oriunda do mistério da experiência pessoal. De acordo com os profetas, essa experiência podia ser compartilhada, de algum modo, por qualquer homem. Ele então experimenta Deus como uma paixão santa e como fogo ardente, que envia para a destruição de todos os que se opõem à sua vontade. Quando sente que essa vontade invade a sua vida e a agita, tudo o que permanece parece ser a humilde renúncia de toda ação movida pela vontade pessoal e total sujeição de Yahweh. Os profetas aprenderam, porém, de fato, que o santo poder de Deus não reduz o homem a uma servidão involuntária, fazendo-o humilhar-se no pó, mas, ao contrário, coloca-o diante de uma decisão pessoal: a decisão se ele dirá sim ou não a Yahweh e à vontade de Yahweh, se se tornará um homem realmente novo ou continuará a ser o homem que tem sido.

    Tomando isto como ponto de partida, os profetas questionaram a abordagem humana comum da vida: o desejo de segurança, tranquilidade e saciedade, em vez de alegre confiança e entrega total, que Yahweh exige. Eles fizeram advertências contra tal vida e suas consequências, convocando os homens à tomada de decisão pela nova vida em que eles já estavam, vida franqueada a todos que a desejam.

    Os profetas fizeram advertências contra a velha vida, porque ela é caracterizada pela culpa humana para com Yahweh e o mundo, e representa a fonte de outras ideias, palavras e ações falsas. Visto que não eram filósofos ou teólogos, eles começavam, em primeira instancia, por reprovar os pecados individuais que estavam diante de seus olhos. No processo, eles atacaram as várias classes e estratos de seu povo com uma franqueza sem precedentes, lançando-lhes tais palavras, como nunca tinham ouvido antes. Eles se revoltaram contra tudo em que encontraram faltas; o rei e sua administração, o rico e o aristocrata, juízes e anciãos, grandes latifundiários e negociantes, sacerdotes e profetas cultuais, mas também o simples e o pobre. Toda nação se arruinou em virtude do rumo pérfido que ela tomou.

    Assim, os profetas opuseram-se à piedade e à teologia tradicionais, que se sentiam confiantes no favor de Deus. Eles reconheceram a culpa profunda do homem para com Yahweh, a qual não poderia ser removida pela promessa de paz e salvação, porque não existem:


Jr 6.14, “Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz”.


Eles tinham de aprender que Yahweh não apenas castiga durante algum tempo, como foi afirmado, mas também destrói:


Is 6.11-13, “Então, disse eu: até quando, Senhor? Ele respondeu: Até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitantes, as casas fiquem sem moradores, e a terra seja de todo assolada, e o SENHOR afaste dela os homens, e no meio da terra seja grande o desamparo. Mas, se ainda ficar a décima parte dela, tornará a ser destruída. Como terebinto e como carvalho, dos quais, depois de derribados, ainda fica o toco, assim a santa semente é o seu toco”.


    Portanto, viram o homem num estado de fundamental alienação de Deus, na qual, contudo, o homem é, ainda, colocado diante da decisão como aquela formulada por Jeremias ao rei de Judá e por Isaías a toda a nação: ou a retidão e a justiça prevaleceriam, seguidas pela salvação, ou não prevaleceriam e se seguiria o desastre.


Jr 22.1-5, “Assim diz o SENHOR: Desce à casa do rei de Judá, e anuncia ali esta palavra, e dize: Ouve a palavra do SENHOR, ó rei de Judá, que te assentas no trono de Davi, tu, os teus servos e o teu povo, que entrais por estas portas. Assim diz o SENHOR: Executai o direito e a justiça e livrai o oprimido das mãos do opressor; não oprimais ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva; não façais violência, nem derrameis sangue inocente neste lugar. Porque, se, deveras, cumprirdes esta palavra, entrarão pelas portas desta casa os reis que se assentarão no trono de Davi, em carros e montados em cavalos, eles, os seus servos e o seu povo. Mas, se não derdes ouvidos a estas palavras, juro por mim mesmo, diz o SENHOR, que esta casa se tornará em desolação”.

Is 1.19,20, “Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra. Mas, se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do SENHOR o disse”.


    Visto que os profetas eram de opinião que o pecado prevaleceu, eles esperavam um julgamento punitivo terrível para surpreender a sua nação. Esse julgamento não viria inesperadamente, visto que tinha sido precedido por muitas admoestações, advertências e reveses menores. Contudo, visto que isso tinha sido em vão, o fim, amargo, no qual ninguém poderia escapar, era esperado como iminente. Os profetas descreveram esse julgamento de diversas formas; concepções diversas podem até ser encontradas nos escritos de um único profeta. O julgamento seria realizado por catástrofes naturais, por guerra devastadora e deportação, por revolução e anarquia, ou pelo Dia de Yahweh. De qualquer maneira, seu advento era tão certo que o canto fúnebre podia e devia ressoar desde já, porque, mais tarde, não haveria ninguém para produzi-lo e sepultar os últimos cadáveres de seu povo.

    A expressão “Dia de Yahweh” refere-se ao grande dia vindouro de julgamento em que Yahweh se revelará visivelmente e convocará Israel ou as nações para o julgamento. O mesmo dia é também chamado de “dia da vingança”:


Is 34.8, “Porque será o dia da vingança do SENHOR, ano de retribuições pela causa de Sião”.


Dia do desastre:

Jr 17.16,17, “Mas eu não me recusei a ser pastor, seguindo-te; nem tampouco desejei o dia da aflição, tu o sabes; o que saiu dos meus lábios está no teu conhecimento. Não me sejas motivo de terror; meu refúgio és tu no dia do mal”.


Dia da calamidade:

Jr 46.21, “Até os seus soldados mercenários no meio dele, bezerros cevados, viraram as costas e fugiram juntos; não resistiram, porque veio sobre eles o dia da sua ruína e o tempo do seu castigo”.


Dia da punição:

Mq 7.4, “O melhor deles é como um espinheiro; o mais reto é pior do que uma sebe de espinhos. É chegado o dia anunciado por tuas sentinelas, o dia do teu castigo; aí está a confusão deles”.


O Dia:

Ez 7.7, “vem a tua sentença, ó habitante da terra. Vem o tempo; é chegado o dia da turbação, e não da alegria, sobre os montes”.


    Independente dessa expressão, mas provavelmente influenciada por ela, é a expressão “seu dia”, utilizada para o dia em que o destino de um homem, especialmente um que faz o mal, for selado:


ISm 26.10, “Acrescentou Davi: Tão certo como vive o SENHOR, este o ferirá, ou o seu dia chegará em que morra, ou em que, descendo à batalha, seja morto”.

Ez 21.25, “E tu, ó profano e perverso, príncipe de Israel, cujo dia virá no tempo do seu castigo final”.

Salm 37.13, “Rir-se-á dele o Senhor, pois vê estar-se aproximando o seu dia”. 


Amós proclamou que o Dia de Yahweh não significa “luz” (salvação), mas trevas” (desastre) para o Israel pecador:


Am 5.18-20, “Ai de vós que desejais o Dia do SENHOR! Para que desejais vós o Dia do SENHOR? É dia de trevas e não de luz. Como se um homem fugisse de diante do leão, e se encontrasse com ele o urso; ou como se, entrando em casa, encostando a mão à parede, fosse mordido de uma cobra. Não será, pois, o Dia do SENHOR trevas e não luz? Não será completa escuridão, sem nenhuma claridade?”.


    Isaías viu a consequência da gloriosa teofania do Dia de Yahweh também como destruição de Judá, quando a tempestade se enfureceria a partir das montanhas e florestas da fronteira norte da Palestina até o mar Vermelho ao sul, e a terra estremeceria, de modo que o homem orgulhoso e arrogante pereceria juntamente com as suas obras:


Is 2.12-17, “Porque o Dia do SENHOR dos Exércitos será contra todo soberbo e altivo e contra todo aquele que se exalta, para que seja abatido; contra todos os cedros do Líbano, altos, mui elevados; e contra todos os carvalhos de Basã; contra todos os montes altos e contra todos os outeiros elevados; contra toda torre alta e contra toda muralha firme; contra todos os navios de Társis e contra tudo o que é belo à vista. A arrogância do homem será abatida, e a sua altivez será humilhada; só o SENHOR será exaltado naquele dia”.


    De acordo com Sofonias, no Dia de Yahweh, os pecadores de Jerusalém se tornariam o sacrifício conveniente para Yahweh em sua teofania; na sempre mutável terminologia, ele descreve o terrível julgamento com que Ezequiel também ameaça Judá e ao Egito e seus aliados (Ez 7.5-10; 30.1-9).


Sf 1.7-9, “Cala-te diante do SENHOR Deus, porque o Dia do SENHOR está perto, pois o SENHOR preparou o sacrifício e santificou os seus convidados. No dia do sacrifício do SENHOR, hei de castigar os oficiais, e os filhos do rei, e todos os que trajam vestiduras estrangeiras. Castigarei também, naquele dia, todos aqueles que sobem o pedestal dos ídolos e enchem de violência e engano a casa dos seus senhores”.

1.14-16, “Está perto o grande Dia do SENHOR; está perto e muito se apressa. Atenção! O Dia do SENHOR é amargo, e nele clama até o homem poderoso. Aquele dia é dia de indignação, dia de angústia e dia de alvoroço e desolação, dia de escuridade e negrume, dia de nuvens e densas trevas, dia de trombeta e de rebate contra as cidades fortes e contra as torres altas”.


História da Religião de Israel. Georg Fohrer. Academia Cristã. Santo André: 2015. p.344-348. 


Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé́. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.


@ze.ronaldo.templodefogo @osprofetas_ @lagrimasportuacausa @templodefogo @igrejaportuacasa




    
Este é um projeto envolvendo todos os irmãos da Igreja PorTuaCasa (@igrejaportuacasa). O objetivo é unir duas coisas. As Escrituras e um bom Rock N Roll. Atualmente temos muitas músicas que se dizem "gospel", porém, encontramos muitas frases que exaltam mais o homem do que à Deus. Essa é a primeira música, temos o objetivo de fazer o sermão do monte por completo (Mateus 5.1-7.29).

Nesta música, fizemos o texto das Bem-aventuranças (Mateus 5.3-12). 


Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. 
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. 
Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. 
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. 
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 
Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus. 
Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. 
Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. 
Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.  


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Você pode adquirir o livro. Entre no site: https://www.revistaimpacto.com.br/produto/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/ 


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