Avivamento em Atos





Avivamento em Atos 

Martyn Lloyd-Jones 


Os efeitos do avivamento

“Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer? Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados!” (At 2.12,13).


    Em nossas considerações a respeito do avivamento até este ponto, nós o temos examinado como o vemos descrito nas Escrituras. Examinamos o seu caráter de forma geral, e consideramos o seu objetivo e propósito. Vimos claramente que é um grande e notável fenômeno, designado primeiramente para avivar a Igreja e, segundo, para chamar a atenção do mundo, a fim de que homens e mulheres sejam levados à salvação. É um tipo de sinal que Deus dá desta forma para confirmar a Sua obra na Igreja e estabelecer o Seu povo, edificá-lo e encorajá-lo, e, ao mesmo tempo, como eu digo, para transbordar em poderosas bênçãos sobre aqueles que estão do lado de fora.

    Agora, tendo descrito avivamento desta forma, e tendo visto os seus aspectos e as suas características principais, e especialmente tendo considerado o seu objetivo e propósito, parece-me lógico que o passo seguinte seja fazer esta pergunta: que efeito, então, tem o avivamento, especialmente sobre aqueles que estão do lado de fora? O avivamento foi designado para proclamar a todas as nações do mundo que “a mão do Senhor é poderosa”, como já vimos no livro de Josué. No entanto, voltamos à pergunta: ele tem esse efeito? Todos são convencidos por ele? E é com o propósito de considerar essa pergunta que vamos examinar este famoso e conhecido texto do capítulo 2 do livro de Atos. Encontramos neste texto uma resposta a essa pergunta, que é de grande valor para nós e deveria ser de interesse urgente para todos os que buscam e anseiam por avivamento. Aqui, de qualquer forma, temos uma possível reação. E a encontramos não só aqui, mas em várias partes da Bíblia. Ao lermos a história da Igreja e de avivamentos através dos séculos, vemos que esse tipo de coisa se repete constantemente. Lemos: “Atônitos e perplexos, todos perguntavam uns aos outros: Que significa isto?”. Vocês se lembram de como o Espírito Santo foi derramado sobre os discípulos e sobre os que estavam com eles, 120 pessoas, ali no cenáculo. E, como resultado desse poderoso derramamento do Espírito que veio sobre eles, começaram a falar em outras línguas, e sem dúvida houve muitos outros fenômenos semelhantes. À medida que a notícia correu, as pessoas começaram a vir de todos os lados e, observando e ouvindo tudo aquilo, perguntaram: “Que significa isto?”. Estavam espantados, alguns duvidaram, e outros zombaram, dizendo: “Eles beberam vinho demais”. Ou seja: “Estão bêbados”. Aí vemos uma reação por parte de certas pessoas com respeito a este poderoso fenômeno que acontece quando Deus derrama o Seu Espírito.

    Esta é uma reação, como explicamos aqui claramente pelo contexto, devido a certos fenômenos que de vez em quando acompanham avivamentos. Não há dúvida de que foi o falar em línguas e os outros fenômenos que acompanharam o derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecostes que provocaram esta reação. Foi isso que atraiu a atenção, que levou algumas pessoas a duvidarem, a ficarem atônitas, e que levou alguns a zombarem e a dizerem que isso era apenas um resultado do fato de esses homens estarem cheios de “vinho”. Pois bem, na história dos avivamentos vocês descobrirão, praticamente sem exceção, o mesmo tipo de reação. Há pessoas que desaprovam a ideia de avivamento. Há pessoas assim tanto dentro da Igreja cristã quanto fora dela. Daí, parece-me que é muito importante que tratemos desta questão dos fenômenos. Eles podem ser subdivididos em vários grupos.

    Primeiro há uma tendência, sem dúvida na maioria dos avivamentos, a um elemento emocional. Não creio que tenha havido um avivamento sem que este elemento estivesse presente. Certas pessoas têm sido tocadas profundamente, e às vezes outras se comportam de forma muito entusiasmada durante um avivamento. Esse é o fato que quero lhes apresentar. Vou tratar de algumas possíveis explicações para isso, mas neste ponto estou simplesmente apresentando os fatos. Todavia há outros fenômenos também. E são esses outros fenômenos que em geral são objeto da maioria das críticas. Quando digo fenômeno, refiro-me a coisas que acontecem acima e além do fato de que muitas pessoas são despertadas e convertidas e muitos membros da Igreja são despertados e avivados. Os fenômenos a que me refiro são adicionais a isso. E esta questão dos fenômenos adicionais é muito importante, e extremamente fascinante.

    Permitam-me esclarecer isto. Estes fenômenos nem sempre se manifestam num avivamento. Considerem, por exemplo, um fato muito interessante a respeito do avivamento de 100 anos atrás.

    Mencionei repetidamente que este avivamento aconteceu nos Estados Unidos da América, na Irlanda do Norte, no País de Gales, na Escócia e, até certo ponto, em outros países. Agora, é interessante observar que houve pouca evidência desses fenômenos adicionais que vamos considerar nos Estados Unidos, ou no País de Gales, e foram praticamente inexistentes na Escócia, mas houve uma extraordinária evidência deles na Irlanda do Norte. Antes de continuarmos, isto, por si, é um fato interessante, porque estabelece o fato de que esses fenômenos não são essenciais para um avivamento. Precisamos manter isso em mente. Podemos ter um avivamento sem esses fenômenos; porém, por outro lado, é verdade que eles tendem a estar presentes sempre que há um avivamento, embora o nível em que se fazem presentes varie bastante de região em região em de país em país.


O que são, então, estes fenômenos aos quais estou me referindo?


    Parece-me que o melhor modo de os classificar é coloca-los sob duas divisões. Primeiro, há certos fenômenos físicos. Sob a influência deste tremendo poder, há pessoas que literalmente caem prostradas ao chão sob a convicção de pecado, ou até mesmo desmaiam, e permanecem num estado de inconsciência, às vezes por considerável tempo. No avivamento de 1859 na Irlanda do Norte, o povo de referia a este fenômeno como “ser golpeado”, porque era exatamente como se a pessoa tivesse sido golpeada na cabeça e, como resultado, caía ao chão num estado de completa inconsciência. Isso aconteceu com frequência em avivamentos em outros locais, e em outras épocas. E, então, há pessoas que parecem entrar em transe. Podem estar sentadas ou de pé, com um olhar distante, obviamente vendo algo e, no entanto, completamente inconscientes do que se passa ao seu redor. Parecem incapazes de ouvir ou ver o que está acontecendo à sua volta. Estão evidentemente vendo algo com os seus olhos espirituais, algo invisível aos demais, e um estado de transe é a única forma em que podemos descrever isso. Aí estão alguns dos fenômenos físicos. Há outros, mas realmente uma descrição completa e detalhada deles fugiria dos nossos propósitos. Há um vasto grupo de fenômenos que pertencem à esfera física e que foram muitas vezes considerados como nada mais do que manifestações físicas e até mesmo foram tratados medicinalmente como puros fenômenos físicos. E, como eu disse, tais coisas foram um aspecto proeminente do avivamento na Irlanda do Norte em 1859.

    Ainda mais, em acréscimo a esses fenômenos físicos, há também certos fenômenos mentais – coisas que não afetam tanto o corpo, mas de forma acentuada afetam a mente. Às vezes, por exemplo, um extraordinário dom de oratória é dado a certas pessoas num avivamento. Pessoas que, se alguma vez se expressaram verbalmente numa reunião de oração na igreja, fizeram-no de forma vacilante e muito hesitante, subitamente começam a orar com muita eloquência e com uma riqueza de linguagem extraordinária, da qual nunca antes foram capazes. Há muitos exemplos disso. Encontrei um homem certa vez que se lembrava muito bem do avivamento de 1904 e 1905 no País de Gales, e ele me contou o que aconteceu com o seu próprio pastor. Ele tinha sido pastor daquela igreja há muitos anos; era um homem capaz, que sempre pregava o que descreviam como um sermão bom e sólido, mas sempre falava de forma vacilante e hesitante. Ele tossia muito e era um orador pobre em todos os aspectos; à parte do assunto sobre o qual pregava. Ora, esse homem compareceu a uma reunião do presbitério certo dia, algo que havia feito em muitas outras ocasiões. Nesse presbitério, vários outros pastores estavam dando relatórios dos eventos que estavam acontecendo em suas igrejas durante o avivamento. Este homem ouviu, e voltou para sua igreja como um pregador completamente transformado. Subiu ao púlpito no domingo seguinte e a congregação mal podia acreditar que era o mesmo homem. Toda a hesitação desapareceu, todos os impedimentos desapareceram. Ele falou com liberdade, com autoridade e com um poder que eles nunca tinham visto nele antes.

    Agora, esse não foi um caso isolado; esse dom de oratória é muitas vezes dado em oração, ou em conversação, ou em descrição. Não somente isso, mas muitas vezes também é dado um dom de profecia. Refiro-me literalmente a uma capacidade de predizer o futuro. Precisamos enfrentar estas coisas, porque me parece que estamos em grave perigo, com todo nosso conhecimento e sabedoria, de apagarmos o Espírito. Estou colocando fatos diante de vocês. Este fenômeno de profecia, esta capacidade de predizer o futuro, se faz presente com muita frequência. Assume muitas formas. Conheci um homem cujo pastor recebeu este dom no avivamento de 1904 e 1905. Desapareceu completamente mais tarde; contudo, enquanto o avivamento durou, ele recebeu de antemão a revelação de algo que iria acontecer em sua igreja, e não só uma vez, mas manhã após manhã. Ele era despertado de um sono profundo às duas e meia da madrugada e recebia informação direta e exata de algo que iria acontecer durante aquele dia, e acontecia. Essa é outra parte deste fenômeno mental.

    Também, é dado a pessoas conhecimento que não pode ser explicado. Houve casos na Irlanda do Norte, por exemplo, de pessoas que não sabiam ler nem escrever, pessoas que nunca tinham sido capazes de ler a Bíblia. Entretanto, subitamente, embora ainda não soubessem ler, receberam a capacidade de encontrar textos na Bíblia e explicar o seu conteúdo. Há inúmeras ilustrações disso. Capacidades foram dadas – o dom de discriminação, o dom de compreensão, o dom de planejamento. Aqui, nesta esfera mental, poderes espantosos foram dados a pessoas por um período temporário.

    Eis aí, então, os fenômenos principais aos quais estou chamando a sua atenção – o físico e o mental. Estas coisas ocorrem, ou podem ocorrer, durante um período de avivamento. E aqui está a pergunta que nos confronta. O que é isso? Como podemos explicá-lo? É por isso que o estou colocando no contexto de Atos, capítulo 2. O evento prometido aconteceu, o Espírito Santo foi derramado, os resultados se seguiram, e ali estavam essas pessoas em Jerusalém, reunindo-se e perguntando o que tudo aquilo significava. Alguns disseram: “Por que estão perguntando isso? Acaso não é obvio? Esses homens estão cheios de vinho, estão bêbados”. E pessoas continuaram a adotar essa atitude através dos séculos. Várias explicações foram dadas 100 anos atrás, como sempre aconteceu antes, em cada período de avivamento, e essas explicações ainda estão sendo apresentadas hoje em dia – razão por que estou chamando a sua atenção a isto. Há pessoas que rejeitam e denunciam a própria ideia de avivamento por causa desses fenômenos e, portanto, quando são exortadas a orarem por avivamento, elas dizem: “De jeito nenhum! Não queremos esse tipo de coisa. Não estamos interessados nesse tipo de experiência”. Assim, sem perceberem, são muitas vezes culpadas de apagarem o Espírito.

    Então, vamos examinar algumas das explicações que são dadas, especialmente hoje em dia. E quero acrescentar que estou especialmente preocupado com isso porque, como vocês sabem, há grande interesse nesta questão no momento, e não conheço outra coisa que seja uma resposta mais completa para alguns destes psicólogos modernos que explicam conversão, e tudo o mais, como algo simplesmente físico. Vou explicar o que quero dizer. Há os que sugerem que tudo isso é apenas uma forma do que é conhecido atualmente como “lavagem cerebral”. Comparam-no com uma técnica que é empregada atualmente pelos comunistas, ou comparam-no com o que foi obviamente empregado por um homem como Hitler na Alemanha antes da guerra, e durante a guerra naquele país. As pessoas perguntam: “O que é isto?” – e acrescentam: “A resposta é obvia. O que está acontecendo aqui é que as mentes destas pessoas estão sendo bombardeadas. Elas estão sucumbindo gradualmente. Reúnem-nas em grandes grupos, ou então recebem um tratamento, são mantidas em celas, e não dormem nem comem o suficiente. Tudo é feito para minar a resistência dessas pessoas. Eles falam com elas, gritam com elas e bombardeiam as suas mentes. E, então, quando as trazem ao ponto de colapso, aumentam ainda mais a intensidade da pressão, e as pessoas têm um colapso. E, estando nesse estado de colapso, é a coisa mais simples do mundo doutriná-las. Vocês podem insinuar os seus próprios ensinos em suas mentes, elas acreditarão neles e os aceitarão, se devotarão a eles, e sairão e tentarão converter outros”.

    O que podemos dizer diante de tal explicação? Vamos deixar isto bem claro. Isso pode ser feito, e está sendo feito. Não há qualquer sombra de dúvida de que foi exatamente o que Hitler fez. Não há duvida de que é exatamente o que os outros regimes estão fazendo atualmente. Através de certas técnicas, podem minar a resistência mental das pessoas e introduzir nelas as suas próprias doutrinas. Daí, a sugestão apresentada na atualidade é que isso é exatamente o que acontece durante períodos de avivamento.

    Como podemos lidar com isso? Permitam-me deixar uma coisa perfeitamente clara. Minha preocupação é tratar de avivamentos. Não estou tratando de campanhas evangelísticas. É muito importante estabelecer essa distinção. E a razão é esta: em campanhas evangelísticas, técnicas são usadas, usadas deliberadamente; contudo, não são usadas em avivamentos. Quero sublinhar e enfatizar essa diferença. Estou tratando exclusivamente de avivamento, em que técnica nenhuma é usada. Meu argumento se refere unicamente a isso. Neste momento não estou preocupado em analisar o que acontece em grandes campanhas.

    Então, coloco-o desta forma. Esta sugestão, com respeito à lavagem cerebral, para usar o termo geral, falha completamente na questão de avivamento, porque não pode explicar o começo de um avivamento. Consideram, por exemplo, o que aconteceu na Irlanda do Norte. O que aconteceu ali começou com um homem. Foi exatamente o mesmo nos Estados Unidos – tudo começou com apenas um homem. A mente desse homem não foi bombardeada, de forma alguma. Nenhuma técnica foi empregada; foi apenas um homem, o qual foi convencido do pecado, foi convertido e então começou a sentir um impulso de que devia contar aos outros a respeito disso. Não houve multidões envolvidas, nem qualquer tipo de técnicas especiais. Isso é o mais surpreendente nesta história, o fato de que foi apenas um homem, e então dois outros se unindo a ele, orando juntos por meses. Apenas três homens numa reunião de oração! Assim prosseguiu por meses e então aos poucos outros começaram a vir. Vejam como essa sugestão, essa tentativa de explicação do bombardeamento da mente, fracassa completamente em explicar o começo e a origem de um avivamento.

    Outra coisa que tal sugestão deixa de explicar é como isso acontece em vários países ao mesmo tempo. Isso não só foi verdade 100 anos atrás, mas sim, também, 200 anos atrás. Quando aquele grande avivamento ocorreu sob Jonathan Edwards nos estados da Nova Inglaterra, também aconteceu na Inglaterra, no País de Gales, na Escócia e em outros países. Essa sugestão não pode explicar tal fato. Como todas essas coisas podiam acontecer ao mesmo tempo em lugares diferentes, em que não havia nenhum contato ou conhecimento do que estava acontecendo nos outros locais? Eles não explicam esse fato.

    Aqui está outro argumento. Muitas e muitas vezes os homens tentaram produzir um avivamento. Leram os relatos de outros avivamentos e disseram: “Ah, foi assim que aconteceu, um homem começou a orar e outros se uniram a ele. Ou talvez um grupo tenha começado a orar a noite toda, e um avivamento irrompeu. Então”, raciocinaram, “nós podemos fazer isso”. Em seguida, copiaram as mesmas coisas que foram feitas durante um avivamento. Repetiram-nas até o último detalhe. Talvez tenham lido o livro de Finney sobre avivamento, seus sermões sobre o assunto, e colocaram em pratica tudo o que Finney aconselha que seja feito. Finney prometeu que, se fizessem tudo isso, teriam um avivamento. Eles fizeram tudo; entretanto, não houve avivamento. Fizeram tudo o que podiam com todas as suas técnicas e todos os seus métodos, mas não houve avivamento. Talvez tenham acontecido algumas conversões; porém, não houve avivamento. E assim vemos que essa explicação de lavagem cerebral falha completamente também neste ponto.

    E, por último, deixa completamente de explicar estes interessantes e curiosos fenômenos mentais aos quais estou chamando a sua atenção. Não consegue explicá-los de forma alguma. Explica como vocês podem doutrinar um homem e como podem levá-lo a uma decisão. Explica como vocês podem influenciar a mente dos homens. Ah, sim, mas estamos tratando destes inexplicáveis fenômenos mentais, estas assombrosas profecias, esta espantosa capacidade que é dada, e todas estas outras maravilhas. A explicação que eles oferecem nem sequer começa a desvendar tais fenômenos que temos em conexão com avivamentos.

    A segunda explicação que é apresentada é que isso não passa de um caso de histeria em massa. “O que está acontecendo aqui”, dizem, “é que estas pessoas ficaram histéricas. Sabem o que significa uma pessoa ficar histérica? Bem, às vezes isso se torna uma espécie de epidemia, e muitas pessoas ficam histéricas ao mesmo tempo”. O que acham dessa explicação? Antes de tudo o mais, devo dizer, mais uma vez, que ela deixa completamente de explicar a origem e o começo. Não houve qualquer evidência de histeria naquele primeiro homem, e no primeiro grupo de homens, na Irlanda do Norte; não houve qualquer tipo de fenômenos ali; e foi o mesmo na América e no País de Gales. Por que começou subitamente? Não há explicação. Por que se espalhou? Novamente, não há explicação. E, como uma segunda resposta a essa acusação, permitam- me apresentar uma série de pontos que foram apresentados por um doutor chamado Carson, que viveu na Irlanda no Norte 100 anos atrás. Obviamente, ele era um médico cristão muito sábio, que se achou no meio de todos aqueles fenômenos, os quais compilou cuidadosamente; analisou-os e os examinou minuciosamente. Ele observou que havia cinco pontos que lhe pareciam mais do que adequados para excluir esse diagnóstico de histeria, e eu concordo com ele plenamente. Aqui estão eles. São parcialmente médicos, mas creio que interessarão a vocês.

Primeiro: É quase sempre um sintoma invariável de histeria que as pessoas estão cientes de um nó na garganta. Sentem que estão sufocando, que têm um aperto na garganta e que vão sufocar. É um sintoma quase sempre presente em histeria. No entanto, não houve evidência disso na Irlanda do Norte 100 anos atrás.

Segundo: É uma característica de histeria que as pessoas choram e riem quase ao mesmo tempo, ou passam rapidamente de um lado para o outro. Riso incontrolável, e então choro incontrolável. Às vezes se manifestam ao mesmo tempo, ou se seguem em rápida sucessão. Não houve nada disso na experiência do Dr Carson.

Terceiro: Em histeria, quase sempre há movimentos convulsivos dos membros, das extremidades. Ele não viu um único caso de movimentos convulsivos durante o avivamento.

Quarto: É um fato estritamente médico que histeria é quase totalmente limitada ao sexo feminino. Todas as autoridades médicas que vocês queiram consultar concordarão com isso. Ao passo que, na Irlanda do Norte, e em outros lugares onde esses fenômenos foram observados, eles se manifestaram com a mesma frequência entre os homens.

Quinto: Ele oferece um bom argumento de que, mesmo entre as mulheres, histeria em geral ocorre num certo tipo de mulheres, cuja saúde é frágil. Histeria é quase sempre limitada a tal tipo de mulheres. E, mais uma vez, a resposta é que na Irlanda do Norte isso afetou todo tipo de mulheres, homens e jovens – pessoas fortes, vigorosas.

    Tudo isso – estes cinco pontos do Dr Carson – é suficiente, eu creio, para excluir permanentemente a noção de histeria em massa. No entanto, além dessa evidência médica, quero acrescentar como o meu terceiro ponto que o caráter dos homens que observaram estes fenômenos seria, em minha opinião, razão suficiente para excluir o diagnóstico de histeria. Se existiu um homem que era calmo, racional, intelectual, foi o grande Jonathan Edwards. Ele observou estes fenômenos há 200 anos, e cria que eram de Deus. Jonathan Edwards não era o tipo de homem que fosse enganado por histeria; muito pelo contrário. O mesmo era verdade a respeito de outros que relataram tais fenômenos, tais como, por exemplo, Archibald Alexander. E o mesmo pode ser dito de homens como Dr Carson e outros em 1859. Não somente as pessoas a quem, e em quem, tais fenômenos aconteceram, mas as pessoas que o descreveram e explicaram são suficientes para colocar um fim em tais argumentos.

    E, por último, meu quarto argumento é este; os resultados que se seguiram. Histeria é completamente inútil, é enervante. Há algo quase repugnante nela. É um desperdício de energia e não tem nenhum propósito ou resultado benéfico. É algo de que a pessoa deveria se envergonhar, em todos os aspectos, e isso inclui os seus resultados. Ao contrario disso, já mencionei os estupendos e surpreendentes resultados que invariavelmente acompanham no caso de avivamentos.

    A terceira explicação dos fenômenos num avivamento é que são psíquicos. Parece-me que a primeira explicação não tem qualquer base; e é o mesmo no caso de histeria. Contudo, considero a explicação psíquica muito mais séria; todavia, psicólogos modernos raramente a mencionam. É interessante observar como as suas tentativas de diagnóstico são superficiais. Quando digo “psíquica” me refiro a coisas como telepatia. Refiro-me a fenômenos estranhos que não podemos entender, mas que sabemos ser verdadeiros: transferência mental, transferência de pensamento. Estou pensando em coisas como mesmerismo e hipnotismo. São fenômenos que não podemos contestar, mas que são muito difíceis de explicar. A capacidade de uma mente influenciar outra – há pessoas que nascem com a capacidade de ler a mente de outras pessoas. Considerem, por exemplo, um homem como o falecido professor Gilbert Murray, que era um intelectual típico, não um cristão, mas um típico humanista clássico. O professor Gilbert Murray tinha o poder de ler a mente de outras pessoas. Foi testado muitas vezes. Ele ficava em uma sala e as outras pessoas ficavam em outra sala, e ele podia dizer o que estavam pensando. Tenho certeza de que vocês leram a respeito deste tipo de coisas, fenômenos extra sensoriais, como são chamados. Fazem experiências com tempo e fenômenos na esfera psíquica que não podem ser explicados. Agora, há os que diriam que é isso que acontece num avivamento. Todavia, aqui a minha resposta seria questioná-los. Por que isso iria começar subitamente em pessoas que não tinham oferecido qualquer evidencia de tais poderes antes? Por que deveria começar subitamente? Por que deveria ser tão comum? Por que deveria acontecer a grande número de pessoas ao mesmo tempo? Por que começa subitamente, como é sempre o caso num avivamento? E, novamente, eles têm que enfrentar o fato dos resultados espirituais que invariavelmente se seguem a um período de avivamento.

    A quarta explicação que é dada é que isso é tudo obra do diabo. Foi o que os católicos romanos disseram acerca do avivamento na Irlanda do Norte 100 anos atrás. Foi o que os unitaristas disseram. Foi o que muitas pessoas na Igreja, que na verdade não eram nada mais que unitaristas, disseram também. E é o que muitas pessoas dizem ainda hoje. Dizem que é tudo obra do diabo. Entretanto, há problemas insuperáveis com essa teoria. E aqui estão alguns deles. Por que o diabo começaria subitamente a fazer esse tipo de coisa? Que objetivo poderia haver em fazer isso? Aqui está a Igreja, num período de sequidão e de aridez; por que o diabo iria subitamente começar a fazer algo que chama a atenção à religião e ao Senhor Jesus Cristo? Quero expressar isso com veemência, colocando-o em outros termos. Penso que os próprios resultados de um avivamento excluiriam totalmente a possibilidade do mesmo ser uma obra do diabo. O resultado principal de um avivamento, como mencionei repetidamente, é que milhares de pessoas são convertidas ao Senhor Jesus Cristo e se tornam verdadeiros cristãos. As igrejas se tornam muito pequenas e novas igrejas precisam ser construídas. Homens e mulheres as lotam e se oferecem para o ministério, e o evangelho se espalha de maneira estonteante. É viável que o diabo fosse fazer algo que resultasse nisso? Contudo, ouçam a resposta do nosso Senhor a esta acusação em Lucas, capítulo 11, versículos 15 a 18. Nosso Senhor, certa tarde, expulsou um demônio mudo:


“Mas alguns dentre eles diziam: Ora, ele expele os demônios pelo poder de Belzebu, o maioral dos demônios. E outros, tentando-o, pediam dele um sinal do céu. E, sabendo ele o que se lhes passava pelo espírito, disse-lhes: Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e casa sobre casa cairá. Se também Satanás estiver dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Isto, porque dizeis que eu expulso os demônios por Belzebu”.


    E essa é a resposta final. Se isso é obra do diabo, então o diabo é um tolo consumado. Ele está dividindo o seu próprio reino; ele está aumentando o reino de Deus e de Cristo; ele está trazendo pessoas à salvação; ele está operando contra si mesmo. Contudo, o diabo não é tolo. Ele tem tremenda sabedoria, sutileza e capacidade. Não há nada que seja tão ridículo quanto esta sugestão de que isto é obra do diabo. E João, em sua primeira epístola, capítulo 4, versículos 2 e 3, diz:


“Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo”.


    Um espírito que leva homens e mulheres a confessar que Jesus é o Cristo não pode ser o espírito do diabo; é o Espírito do Deus vivo. Aí, então, consideramos rapidamente todas essas explicações falsas. Qual é a explicação verdadeira? Ela está diante de nós, não está?


Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer? Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados! Então, se levantou Pedro, com os onze; e, erguendo a voz, advertiu-os nestes termos: Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai nas minhas palavras (At 2.12-14).


    Em seguida, ele menciona o aspecto negativo. “...Estes homens não estão bêbados, como vocês supõem. Ainda são nove horas da manhã! (v.15). Ele trata primeiro das falsas explicações e as ridiculariza, mostrando como são totalmente impossíveis. Então prossegue, apresentando a explicação verdadeira – “Ao contrário, isto é o que foi predito pelo profeta Joel...” (v.16). A partir daí, ele cita a profecia de Joel.

    Qual é, então, a verdadeira explicação? A primeira coisa que devemos fazer é lembrar que até mesmo piedosos ministros de Deus discordaram entre si sobre a explicação destes fenômenos. O reverendo J. H. Moore, o homem em cuja paróquia o avivamento começou na Irlanda do Norte 100 anos atrás, não gostava dos fenômenos e os desestimulou, e eles praticamente não se fizeram presentes naquela paróquia de Connor. Entretanto, houve outros que não eram da mesma opinião. E sempre tem havido diferenças de opinião. Jonathan Edwards defendeu os fenômenos. Ele cria que, em sua maioria, eles eram do Espírito de Deus. Houve um homem chamado John Berridge, que pregou em Anglia do Leste há 200 anos, que até mesmo os incentivou. Ele cria que esses fenômenos eram um extraordinário sinal do Espírito de Deus. Wesley e Whitefield, por outro lado, não gostavam muito deles e estavam incertos quanto à sua origem. Menciono isto a fim de que vejamos que esta não é uma questão fácil, e que devemos considerá-la com cuidado e, acima de tudo, com reverência e com santo temor, a fim de que não façamos declarações tolas das quais nos venhamos a arrepender mais tarde e para que não nos tornemos culpados de apagarmos o Espírito.

    Como, então devemos abordar esta questão? Vamos abordá-la do ponto de vista das Escrituras, porque é claro, as Escrituras têm muito a nos dizer sobre isto. Vamos examinar primeiro o Antigo Testamento e ler a respeito dos profetas. Como esses homens recebiam as suas mensagens e como as comunicavam? Os registros nos dizem que eles estavam no Espírito, ou que um espírito veio sobre eles. Estavam num estado de êxtase. Às vezes ficavam num estado de transe, numa disposição extática. Leiam as histórias sobre o rei Saul, por exemplo – como o dom veio sobre ele e o povo fez uma pergunta que se tornou um ditado popular: “Saul também está entre os profetas?” (1Sm 10.11). Um espírito de profecia. Está perfeitamente claro nesse texto. Na verdade, há outro fato que em geral é apresentado em conexão com este, e é que às vezes este espírito pode ser encorajado pela música. Como explicamos esta profecia?

    Pedro nos diz: “...nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação pessoal...mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo” (2Pd 1.20,21). Como foi que a profecia veio? Como foi que essa inspiração divina veio sobre o homem? Tenham cuidado, meus amigos, de não rejeitar, por causa do seu intelectualismo, os profetas e todo o fenômeno de profecia como o vemos no Antigo Testamento. Eles certamente foram tocados. Eles sabiam o que era ter uma experiência extática.

    No entanto, isso foi no Antigo Testamento. Passemos agora para o Novo e vejamos o que aconteceu ali. Vejam em Atos, capítulo 2, o que aconteceu com os próprios discípulos, os apóstolos e todas aquelas outras pessoas. Algo aconteceu que era tão extraordinário que certas pessoas paradas ali pensaram que eles estavam embriagados, e disseram: “Isto não passa de embriaguez; isto é pura loucura”. E essa acusação de loucura é levantada com muita frequência.

    Entretanto, considerem a explicação do apostolo para esses fenômenos. Ele disse: “...isto é o que foi dito pelo profeta Joel”. Isso é o que Joel disse que iria acontecer: “Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos...” O Espírito tinha sido dado antes, mas não tinha sido derramado antes. Um homem aqui, outro homem ali – e então, “derramarei”. Será algo esmagador, será algo feito em massa, por assim dizer. “...derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos. Sobre os meus servos e as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão” (vs. 17,18). E isso aconteceu com as jovens operárias das fábricas na Irlanda do Norte. Jovens pobres, que tinham sido criadas em pobreza e penúria, ignorantes, que praticamente não tiveram educação alguma, subitamente começaram a profetizar. Começaram a demonstrar incrível conhecimento e foram capazes de falar de forma extraordinária. Porventura não parece que o profeta Joel tinha antecipado isso, e profetizou que iria acontecer? Rapazes e moças, visões, sonhos, profecias, velhos tendo sonhos. “É isto que está acontecendo”, disse Pedro. “É o derramamento do Espírito de Deus”. E os resultados são exatamente o que foi profetizado.

    Há ainda outros fatos. Lemos em Atos, capítulo 10, versículos 10 e 12, que o apóstolo Pedro estava no telhado de uma casa, num transe, e nesse transe ele teve uma visão de um lençol sendo baixado do céu, cheio de vários animais. Lemos também em Atos, capítulo 16, sobre o apostolo Paulo – que, quando quis pregar na Ásia, foi proibido pelo Espírito. Então, ele quis ir para a Bitínia, mas o Espírito não o permitiu. E, a seguir, ele teve uma visão, no meio da noite, de um homem da Macedônia, com o seu apelo por ajuda. Também lemos em Atos, capítulo 22, que ele diz: “...caí em êxtase” (v.17). Sejamos cautelosos para que não nos unamos aos nossos amigos cientistas, negando as Escrituras. Quando o Espírito vem sobre um homem, ele pode estar num transe. Então, basta que leiam 1 Coríntios, capítulos 12 a 14, para ver que havia todo tipo de fenômenos na igreja de Corinto, e o apóstolo teve que instruí-los, guiá-los, contê-los e dizer-lhes que tudo devia ser feito com decência e ordem. Esse, irmãos, é o testemunho das Escrituras.


Qual é, então, a nossa explicação, e quais são as nossas conclusões?


    Permitam-me colocá-las numa serie de proposições. Acaso não parece claro e óbvio que Deus usa esses fenômenos para chamar atenção para Si mesmo e para a Sua obra? Não há nada que atraia tanta atenção quanto esse tipo de coisa, e é usado por Deus na extensão do Seu reino para atrair a atenção das pessoas. Tenho certeza de que este elemento está envolvido. Segundo, porém, não podemos esquecer que o Espírito Santo afeta a pessoa integral. Outras influências também fazem isso; qualquer estímulo poderoso afeta a pessoa toda. Vocês já prestaram atenção na transmissão de eventos esportivos, ou compareceram a algum evento assim? Observaram pessoas sob a influência das emoções, gritando até perderem a voz, de pé e acenando com qualquer coisa que esteja à mão? Às vezes até batem em outras pessoas, sem perceber o que estão fazendo. E isso não é considerado estranho, ou incomum, quando acontece num evento esportivo; todavia, quando acontece num avivamento, as pessoas dizem: “Ah, é tudo psicológico”. Será que vocês não observaram pessoas chorando em teatros ou em cinemas, comovidas sob a influência da música? Naturalmente. Porque o homem é corpo, alma e espírito, e eles não podem ser separados. E tudo o que afetar poderosamente qualquer parte do homem vai acabar afetando todas as outras partes do seu ser. Sabemos como o nosso corpo pode afetar a nossa mente. Se você não está se sentindo bem, se está doente, a sua mente não funciona muito bem. Por outro lado, se algo acontece à mente, isso também afeta o seu corpo. Se você é subitamente estimulado, o seu corpo todo parece forte, disposto e capaz. Devemos ser muito cautelosos para não violentar a natureza e a constituição da pessoa. O homem reage como um todo. E é tolice esperar que reaja na esfera espiritual sem que nada aconteça ao resto da sua pessoa, à sua alma e ao seu corpo.

    Assim, devemos estar preparados para este tipo de reação num período de avivamento, e devemos esperar que pessoas diferentes reajam de formas diferentes. Temos prova disso, é claro, nas próprias Escrituras. O mesmo Espírito inspirou Paulo, Pedro e João; e, no entanto, creio que, se vocês lessem alguns versículos para mim, eu poderia identificar, cada vez, qual dos três foi o autor. O mesmo Espírito Santo inspirou os três. Sim, mas a mensagem vem a nós através dos homens que foram usados, através do seu cérebro, através do seu temperamento, através da sua mentalidade. Isso não foi obliterado. Vocês podem perceber os estilos diferentes, as diferentes representações. O mesmo Espírito, mas as manifestações diferem. É o que acontece num avivamento. E, assim, seria de se esperar que crianças reagissem com mais força do que adultos. Seria de se esperar que certos tipos de pessoas reagissem com maior violência do que outras. De fato, é esse o caso. Portanto, tudo o que pode ser provado é que estes fenômenos são uma indicação do fato de que um estímulo muito poderoso está em operação. Algo está acontecendo que é tão poderoso que até mesmo o aspecto físico está envolvido.

    Eu diria mais, que devemos lembrar que os fenômenos em si não são importantes. Não devemos buscar os fenômenos, não devemos estimulá-los. E não devemos nos gloriar neles. Esses fenômenos, para usar um termo moderno, são “epifenômenos”, são acompanhamentos incidentais e ocasionais, e não são de importância essencial. Isso explica por que os fenômenos tendem a desaparecer à medida que o avivamento prossegue. E também não hesito em acrescentar que às vezes há fenômenos associados com avivamentos que na verdade são um resultado de um colapso físico. Há pessoas que ficam histéricas, realmente histéricas, num avivamento. Há pessoas que manifestam outros fenômenos psíquicos. Não há duvida quanto a isso, mas creio que não há problema em explicar isso. O corpo é fraco, e alguns corpos são mais fracos do que outros. Assim, quando este tremendo poder espiritual se manifesta, há certos corpos que sofrem um colapso, e tais pessoas devem ser ajudadas, devem ser tratadas de forma médica, devemos orar por elas e acalmá-las. Foi assim que os grandes líderes de avivamentos sempre lidaram com tais casos.

    Contudo, lembremos também que, quando o Espírito de Deus está operando com grande poder, o diabo sempre procura uma oportunidade, tentando desonrar a obra. Ele sempre tentou fazer isso. Ele tenta insinuar as suas imitações, tenta levar pessoas a excessos, e sempre teve sucesso com certos indivíduos. É por isso que a Bíblia fala tanto a respeito de provar os espíritos e testar os espíritos. Não devemos nos deixar enganar. Há testes que podem ser usados, e é nossa obrigação usá-los.

    Por conseguinte, quero concluir dizendo que os fenômenos não são essenciais ao avivamento, não são vitais ao avivamento, e não são religiosos em si. Creio que, em sua origem, eles são essencialmente do Espírito de Deus, mas devemos sempre tomar em consideração que, devido à imperfeição da natureza humana e da nossa constituição física, sempre haverá a tendência de uma mistura, parte de origem psíquica, parte de origem física, e parte como resultado da atividade do diabo. Todavia, nada é mais tolo do que rejeitar o todo por causa de uma parte muitíssimo pequena. Se vocês começarem a fazer isso, terão de rejeitar todo o Novo Testamento, porque ele nos diz que as outras forças estão sempre tentando interferir e que devemos nos conscientizar da existência do verdadeiro e do falso, compreendê-lo e resistir o falso. O Novo Testamento nos ensina que devemos esperar isso e estar preparados para resistir ao falso e ao espúrio.

    Por isso, concluo afirmando que estes fenômenos podem se manifestar num avivamento, o qual, como diz o apóstolo Pedro, é resultado de um derramamento do Espírito de Deus. Entretanto, não devemos buscar fenômenos e experiências estranhas. O que devemos buscar é a manifestação da gloria de Deus, do Seu poder e da Sua força. O que devemos buscar é avivamento. E, quando ele ocorrer, será tão tremendo que coisas estranhas e incomuns poderão acontecer, mas sempre saberemos que Deus está agindo entre nós, e estaremos prontos a identificar e reprimir o falso, o espúrio e tudo o mais que pertença ao espírito maligno. Qualquer pessoa que tente forçar um fenômeno é um instrumento do diabo e está se colocando na esfera do psíquico e do psicológico. Não, não devemos nos concentrar nessas coisas. Devemos deixar que Deus, em Sua soberana sabedoria, decida se deve conceder esses acompanhamentos ocasionais ou não. Não deveria haver dificuldade em distinguir entre a obra do Espírito e a obra dos homens fanáticos, a obra destas forças e poderes invisíveis, ou a obra do próprio diabo.

    Portanto, que sejamos cautelosos e não apaguemos o Espírito. Que mantenhamos os nossos olhos na glória de Deus e no derramamento do Seu Santo Espírito sobre nós.


(Avivamento. PES. São Paulo: 2017.p.171-190)


Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé́. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.


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