Apóstolo André: Chamado e morte
Apóstolo André: Chamado e morte
Abdias Castro
O NOME DOS DOZE APÓSTOLOS
Mc 3.13-19, “Depois, subiu ao monte e chamou os que ele mesmo quis, e
vieram para junto dele. Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar e a exercer a autoridade de expelir demônios. Eis os doze que
designou: Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro; Tiago, filho de
Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer
dizer: filhos do trovão; André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de
Alfeu, Tadeu, Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu”.
O CHAMADO
André era discípulo de João Batista antes de conhecer Jesus, embora
seja tarefa difícil estabelecer um padrão cronológico dos fatos que antecederam
o chamado dele. Como seguidor do Batista ele adquiriu zelo extremo e
simpativava com a seita ultrazeloza dos essênios, um grupo apocalíptico
messiânico fundado no 2° século antes de Cristo e dizimado em 68 d.C.. Sou
apressado em frisar que as características do profeta João Batista é que me
remetem à esta possibilidade, visto que ele vivia isolado no deserto, vestia-se
com rusticidade extrema e se alimentava de coisas naturais silvestres, como
gafanhotos e mel. Os essênios, por sua vez, viviam em lugares afastados da
sociedade e se dedicavam à análise exaustiva da Torá, os cinco primeiros livros
da nossa Bíblia. Realizavam rituais de purificação, dos quais João imitava no
Jordão. Em suas comunidades tudo era compartilhado numa espécie de
comunismo primitivo.
Aramis DeBarros em sua valiosa obra, Doze homens, uma missão, p. 235,
considera: Deixando a árida paisagem do Deserto da Judéia, André se dispôs a
seguir os passos de Jesus nos arrabaldes da Galileia. De tal sorte marcante foi
a impressão inicial causada por Jesus, que lá chegando não tardou em buscar
por seu irmão e informar-lhe sobre algo que todo ouvido em Israel ansiava
escutar:Achamos o Messias!(Jo 1.41), [...] A cronologia da vocação dos
discípulos é, de certo modo, confusa, já que os evangelistas não cuidaram de
estabelecer divisões de tempo exatas para os fatos que relataram. Assim, ao
que parece, André, como discípulo que fora de João Batista, manteve contato
com Jesus antes da formalização de seu discipulado.
O MARTÍRIO
A mesma lenda diz que ele teria sofrido martírio na região da Acaia, na
cidade de Patras, após evangelizar Maximila, esposa do Procônsul local e várias
centenas de almas para o Reino dos céus. Segue o relato que um sacerdote do
culto pagão o ameaçou de morte caso ele e os demais convertidos ao
cristianismo não voltassem a sacrificar aos ídolos locais. O que de pronto foi
recusado por todos. Diz a lenda em questão, que André se excedeu em suas
alegações, dizendo que os imperadores romanos jamais conheceram a verdade
além de acrescentar que os ídolos, além de não serem deuses de fato, ainda
eram representações de demônios. Após isto foi aprisionado para aguardar a
execução da pena. Uma multidão se reuniu com o intuito de libertá-lo, o que
certamente resultaria num grande derramamento de sangue. O apóstolo,
sabendo se tratar do Kairós de Deus para o seu martírio, enviou mensagem
acalmando os nervos nos seguintes termos: Não transformeis a paz de nosso
Senhor Jesus Cristo em sedição e em levante diabólico. Porquanto, meu Senhor,
quando foi traído, tudo suportou com paciência. Não murmurou nem alçou sua
voz, da mesma sorte, mantende-vos em silêncio e em paz, não impedindo meu martírio. Sua execução se deu logo pela manhã, por crucificação em um tipo de
cruz chamado crux decussata (em forma de x) que se popularizou como cruz de
Santo André. Antes porém, seu algoz Égates tentou dissuadí-lo de sua confissão
de fé, oferecendo-lhe clemência e perdão público. Mas o velho apóstolo era
irredutível e respondeu com um sorriso largo no rosto dizendo:
Até agora tenho contigo gentilmente conversado acerca da perfeição da
fé, a fim de que tu, após ter sido exposto à verdade, pudesses te tornar perfeito
[...]Entretanto, já que permaneces na mesma impundência e pensas que me
assustas com tuas ameaças, traga sobre mim, pois, aquilo que julgas ser a maior
de todas as torturas. Uma multidão de mais de vinte mil pessoas assistia
inconformada o corpo ser içado no madeiro. Para prolongar o espetáculo seu
corpo foi apenas amarrado à cruz em forma de X. Enquanto era surrado pelos
soldados percebia-se um sorriso e um brilho crescente nos olhos. Quatro dias
depois, estando o santo ainda agonizando no madeiro, uma massa popular se
dirigiu enfurecida ao Procônsul que, temendo uma grande rebelião que lhe
custasse a vida, subiu com eles para tirá-lo de lá. Mas quando o magistrado lhe
comunicou a decisão de soltá-lo, eis que o agonizante apóstolo recusa seu
benefício e entre um gemido e outro entregou o seu espírito aos cuidados do
Seu Senhor Jesus de Nazaré, Reis do reis e Senhor dos senhores. O autor
medievo Dorman Newman em The Lives and Deaths of the Holy Apostles, [A
Vida e a Morte dos Santos Apóstolos], 1685, descreve seu martírio da seguinte
forma:
Após suportar com valentia a severa punição [...] exortou os cristãos,
saudando aquela cruz como uma oportunidade de apresentar ao seu Mestre um
honroso testemunho[...] embora alguns importunassem o procônsul a fim de
reverter aquele trágico quadro, o apóstolo continuava suplicando ao seu Senhor
que lhe permitisse selar o testemunho da Verdade com seu próprio sangue. A
lenda continua dizendo que após a morte do apóstolo, a esposa convertida do
magistrado, desafiando o perigo dirigiu-se ao local do evento macabro e ajudou
a retirar o corpo do mártir, envolvendo-o em valiosos lençóis, untando o corpo
com especiarias raríssimas. Em seguida, reservou seu próprio mausoléu para o
sepultamento. Diz ainda, que ao saber da decisão de sua esposa de não mais
retornar ao palácio, o magistrado começou a ditar aos escribas o libelo
acusatório contra ela, o qual seria enviado ao imperador Nero, ou Vespasiano,
(pois os historiadores oscilam neste caso). Porém, de repente, possuído por
espíritos perturbadores, atirou-se de grande altura, vindo a morrer neste trágico
desfecho. Seu corpo, espatifado, ficou exposto em frente ao mercado público por
horas. Hoje em dia, Patras é uma das mais bonitas cidades da Grécia e ainda
preserva evidências da passagem do apóstolo por meio da exuberante catedral
de Santo André, a mais bela edificação do pais. Ela foi erguida ao lado da mais
antiga, construída onde teria ocorrido seu martírio.
OS RESTOS MORTAIS
As tradições são bastante claras e enfáticas acerca do repouso de seus
restos mortais. O reverendo Hariton Pneumatikakis, declara em “Em busca dos doze apóstolos”: Uma cristã de nome Maximila tirou da cruz o corpo de André e
sepultou-o. Quando Constâncio, filho do imperador Constantino, tornou-se o
imperador, ordenou que se conduzisse o corpo de André até a igreja dos Santos
Apóstolos, em Bizâncio (Istambul), onde repousou sobre um altar. A cabeça de
Santo André, no entanto, permaneceu em Patras.
A obra em questão prossegue dizendo que, em 1460 d.C. o crânio de
André foi transportado para a Itália onde foi guardada na Igreja de São Pedro,
onde permaneceu até que em 1964, por ordem do papa Paulo VI regressou a
Patras. Aramis C. DeBarros acrescenta, (op. cit., p. 253): Dentre os restos
mortais dos diversos apóstolos, os de André podem ser, portanto, reputados
como aqueles dos mais genuínos, devido à relativa clareza histórica de seu
percurso, desde os primórdios da Igreja até o presente, envolvendo as cidades
de Patras, Bizâncio, Roma, Armalfi, Edinburgo e, talvez por certo tempo, St.
Andrews.
CASTRO, ABDIAS. VIDA E MORTE DOS APÓSTOLOS: EDIÇÃO AMPLIADA
(p. 47). Edição do Kindle.
Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé́. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.
@ze.ronaldo.templodefogo @osprofetas_ @lagrimasportuacausa @templodefogo @igrejaportuacasa
O CHAMADO
André era discípulo de João Batista antes de conhecer Jesus, embora seja tarefa difícil estabelecer um padrão cronológico dos fatos que antecederam o chamado dele. Como seguidor do Batista ele adquiriu zelo extremo e simpativava com a seita ultrazeloza dos essênios, um grupo apocalíptico messiânico fundado no 2° século antes de Cristo e dizimado em 68 d.C.. Sou apressado em frisar que as características do profeta João Batista é que me remetem à esta possibilidade, visto que ele vivia isolado no deserto, vestia-se com rusticidade extrema e se alimentava de coisas naturais silvestres, como gafanhotos e mel. Os essênios, por sua vez, viviam em lugares afastados da sociedade e se dedicavam à análise exaustiva da Torá, os cinco primeiros livros da nossa Bíblia. Realizavam rituais de purificação, dos quais João imitava no Jordão. Em suas comunidades tudo era compartilhado numa espécie de comunismo primitivo.
Aramis DeBarros em sua valiosa obra, Doze homens, uma missão, p. 235, considera: Deixando a árida paisagem do Deserto da Judéia, André se dispôs a seguir os passos de Jesus nos arrabaldes da Galileia. De tal sorte marcante foi a impressão inicial causada por Jesus, que lá chegando não tardou em buscar por seu irmão e informar-lhe sobre algo que todo ouvido em Israel ansiava escutar:Achamos o Messias!(Jo 1.41), [...] A cronologia da vocação dos discípulos é, de certo modo, confusa, já que os evangelistas não cuidaram de estabelecer divisões de tempo exatas para os fatos que relataram. Assim, ao que parece, André, como discípulo que fora de João Batista, manteve contato com Jesus antes da formalização de seu discipulado.
O MARTÍRIO
A mesma lenda diz que ele teria sofrido martírio na região da Acaia, na cidade de Patras, após evangelizar Maximila, esposa do Procônsul local e várias centenas de almas para o Reino dos céus. Segue o relato que um sacerdote do culto pagão o ameaçou de morte caso ele e os demais convertidos ao cristianismo não voltassem a sacrificar aos ídolos locais. O que de pronto foi recusado por todos. Diz a lenda em questão, que André se excedeu em suas alegações, dizendo que os imperadores romanos jamais conheceram a verdade além de acrescentar que os ídolos, além de não serem deuses de fato, ainda eram representações de demônios. Após isto foi aprisionado para aguardar a execução da pena. Uma multidão se reuniu com o intuito de libertá-lo, o que certamente resultaria num grande derramamento de sangue. O apóstolo, sabendo se tratar do Kairós de Deus para o seu martírio, enviou mensagem acalmando os nervos nos seguintes termos: Não transformeis a paz de nosso Senhor Jesus Cristo em sedição e em levante diabólico. Porquanto, meu Senhor, quando foi traído, tudo suportou com paciência. Não murmurou nem alçou sua voz, da mesma sorte, mantende-vos em silêncio e em paz, não impedindo meu martírio. Sua execução se deu logo pela manhã, por crucificação em um tipo de cruz chamado crux decussata (em forma de x) que se popularizou como cruz de Santo André. Antes porém, seu algoz Égates tentou dissuadí-lo de sua confissão de fé, oferecendo-lhe clemência e perdão público. Mas o velho apóstolo era irredutível e respondeu com um sorriso largo no rosto dizendo:
Até agora tenho contigo gentilmente conversado acerca da perfeição da fé, a fim de que tu, após ter sido exposto à verdade, pudesses te tornar perfeito [...]Entretanto, já que permaneces na mesma impundência e pensas que me assustas com tuas ameaças, traga sobre mim, pois, aquilo que julgas ser a maior de todas as torturas. Uma multidão de mais de vinte mil pessoas assistia inconformada o corpo ser içado no madeiro. Para prolongar o espetáculo seu corpo foi apenas amarrado à cruz em forma de X. Enquanto era surrado pelos soldados percebia-se um sorriso e um brilho crescente nos olhos. Quatro dias depois, estando o santo ainda agonizando no madeiro, uma massa popular se dirigiu enfurecida ao Procônsul que, temendo uma grande rebelião que lhe custasse a vida, subiu com eles para tirá-lo de lá. Mas quando o magistrado lhe comunicou a decisão de soltá-lo, eis que o agonizante apóstolo recusa seu benefício e entre um gemido e outro entregou o seu espírito aos cuidados do Seu Senhor Jesus de Nazaré, Reis do reis e Senhor dos senhores. O autor medievo Dorman Newman em The Lives and Deaths of the Holy Apostles, [A Vida e a Morte dos Santos Apóstolos], 1685, descreve seu martírio da seguinte forma:
Após suportar com valentia a severa punição [...] exortou os cristãos, saudando aquela cruz como uma oportunidade de apresentar ao seu Mestre um honroso testemunho[...] embora alguns importunassem o procônsul a fim de reverter aquele trágico quadro, o apóstolo continuava suplicando ao seu Senhor que lhe permitisse selar o testemunho da Verdade com seu próprio sangue. A lenda continua dizendo que após a morte do apóstolo, a esposa convertida do magistrado, desafiando o perigo dirigiu-se ao local do evento macabro e ajudou a retirar o corpo do mártir, envolvendo-o em valiosos lençóis, untando o corpo com especiarias raríssimas. Em seguida, reservou seu próprio mausoléu para o sepultamento. Diz ainda, que ao saber da decisão de sua esposa de não mais retornar ao palácio, o magistrado começou a ditar aos escribas o libelo acusatório contra ela, o qual seria enviado ao imperador Nero, ou Vespasiano, (pois os historiadores oscilam neste caso). Porém, de repente, possuído por espíritos perturbadores, atirou-se de grande altura, vindo a morrer neste trágico desfecho. Seu corpo, espatifado, ficou exposto em frente ao mercado público por horas. Hoje em dia, Patras é uma das mais bonitas cidades da Grécia e ainda preserva evidências da passagem do apóstolo por meio da exuberante catedral de Santo André, a mais bela edificação do pais. Ela foi erguida ao lado da mais antiga, construída onde teria ocorrido seu martírio.
OS RESTOS MORTAIS
As tradições são bastante claras e enfáticas acerca do repouso de seus restos mortais. O reverendo Hariton Pneumatikakis, declara em “Em busca dos doze apóstolos”: Uma cristã de nome Maximila tirou da cruz o corpo de André e sepultou-o. Quando Constâncio, filho do imperador Constantino, tornou-se o imperador, ordenou que se conduzisse o corpo de André até a igreja dos Santos Apóstolos, em Bizâncio (Istambul), onde repousou sobre um altar. A cabeça de Santo André, no entanto, permaneceu em Patras.
A obra em questão prossegue dizendo que, em 1460 d.C. o crânio de André foi transportado para a Itália onde foi guardada na Igreja de São Pedro, onde permaneceu até que em 1964, por ordem do papa Paulo VI regressou a Patras. Aramis C. DeBarros acrescenta, (op. cit., p. 253): Dentre os restos mortais dos diversos apóstolos, os de André podem ser, portanto, reputados como aqueles dos mais genuínos, devido à relativa clareza histórica de seu percurso, desde os primórdios da Igreja até o presente, envolvendo as cidades de Patras, Bizâncio, Roma, Armalfi, Edinburgo e, talvez por certo tempo, St. Andrews.
CASTRO, ABDIAS. VIDA E MORTE DOS APÓSTOLOS: EDIÇÃO AMPLIADA (p. 47). Edição do Kindle.
Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé́. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.

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