Precisamos de profetas e não de autopromotores
Precisamos de profetas e não de autopromotores
A.W. Tozer
“Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros” (Ex 3.14).
Um momento decisivo preparou Moisés para a sua grande obra. Esse servo recebeu o entendimento do sagrado. Talvez, a razão de tamanha falta de reverência de nossos dias seja porque a maioria das pessoas nunca encontrou Deus em seu caminho.
Muitos cristãos comuns não vivenciaram a experiência de ter um encontro com o Senhor em um momento crucial, assim como aconteceu com Moisés. Nós somos apresentados ao Reino por pessoas de fala mansa que, com seus Novos Testamentos com passagens marcadas, dizem-nos, de maneira lógica, como nos converter. Tudo é casual, e nada muda o nosso modo de viver.
Não existe nada mais inspirador do que Moisés diante da sarça ardente. Ele se tornou o homem que conhecemos devido a esse encontro. Não importa quantas vezes eu tenha lido essa passagem das Escrituras, sempre tenho uma sensação de admiração e espanto.
Moisés foi um dos grandes líderes de todos os tempos, além de profeta e legislador. Ele recebeu do Altíssimo o mais importante código moral já concedido à humanidade – os Dez Mandamentos. Certa vez, alguém disse que a Constituição dos Estados Unidos era o maior de todos os documentos elaborado pela mente do homem. De fato, esse é um complexo conjunto de normas, porém o mais significativo foi concedido por Deus por intermédio de Moisés.
Este é aquele Moisés que disse aos filhos de Israel: Deus vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim (At 7.37).
Antes de se tornar o emancipador do povo judeu, um líder politico e mestre de sua época, Moisés teve uma educação primorosa em toda a sabedoria dos egípcios. Ele recebeu tudo o que o Egito podia conceder a um homem. Entretanto, ele adquiriu um conhecimento muito mais desejável do que a educação dada pelos principais mestres egípcios. Ele foi à escola do silêncio – onde viviam as ovelhas, as estrelas e os altos céus. Todas as noites, antes de o sono dominá-lo, ele estava em meio ao silêncio.
Quando você desejar a solidão pura e absoluta, olhe para as estrelas. Elas não fazem barulho, apenas cintilam em sua magnificência. Se desejasse, Moisés tinha a oportunidade de admirá-las por toda a noite ou se acordasse em plena madrugada. Jeová o tirou do barulho e o colocou em meio a um silêncio de proporções tão grandes que lhe era possível ouvir a batida do próprio coração. Na quietude, ele aprendeu algumas lições que não teria aprendido em lugar algum. Ele conheceu a si mesmo.
Nós, os homens modernos, conhecemos tudo, exceto a nós mesmos, uma vez que não conseguimos ficar em absoluto silêncio. O barulho e a distração desviam nossa atenção da brilhante cidade de Deus, o universo estrelado.
Moisés teve de aprender algo que nem a corte de Faraó, as estrelas e o som das ovelhas poderiam lhe ensinar. Ele recebeu uma preparação específica, sem a qual não poderia ter realizado sua grande obra. Jeová foi Se encontrar face a face com ele, a fim de ensinar-lhe o sentido do sagrado.
O Sagrado na igreja atual
A maior perda do homem moderno não é a de um familiar ou a de sua casa mesmo em meio a condições trágicas e terríveis. A perda da lealdade e a do cumprimento da Lei resultam em outra ainda pior – a do sentido da reverência. Sofro ao entrar em uma congregação evangélica sem comunhão com Deus. Há tão pouco do sentido de divindade na igreja comum hoje. Os membros não curvam a cabeça em reverência, a menos que haja alguma orientação para fazê- lo, pois não compreendem a santidade.
Essa é uma perda terrível demais para ser estimada. O mundo tenta ocultar o Altíssimo de nossa visão, e o secularismo assumiu o controle de nosso tempo. Nós modernizamos Deus, o Evangelho, a adoração e Cristo. Perder o entendimento do sagrado é trágico, e nenhum grande homem ou movimento pode advir isso. Talvez, o Senhor tenha de acabar com esse tipo de igreja e começar em outro lugar.
Somente uma experiência semelhante a de Moisés, a qual o permitiu ser o profeta usado pelo Senhor, poderá nos ajudar a enfrentar os dias atuais. A cura para o nosso problema é encontrar Deus em momentos decisivos.
Nós precisamos de um encontro com Deus
De que maneira Deus se revelou a Moisés? Ele se manifestou em forma de fogo. Ele é inescrutável e inefável; em outras palavras, o Senhor não nos revela o que Ele é, somente nos mostra a Sua forma. Portanto, o Todo-Poderoso nos diz que Ele é semelhante ao fogo.
Deus está no fogo. Embora as Escrituras e os teólogos O descrevam como um fogo consumidor, sabemos que Ele não o é física ou ontologicamente. Ele não incendeia um edifício ou cozinha o seu guisado. No entanto, essa é a alegoria mais próxima de Sua forma que Ele usa para Se descrever aos Seus filhos.
O Senhor se manifestou na sarça ardente, e Moisés ajoelhou-se ao ouvi- Lo. Ele O viu, sentiu e experimentou nesse encontro, e Jeová o incumbiu de libertar Israel, receber a Lei e organizar a maior nação do mundo da qual descenderia o Messias. Ele foi capaz de tantos feitos porque se encontrou com Deus no fogo.
Jeová habitava e resplandecia na sarça ardente. Naquele lugar, Moisés experimentou a presença divina, cujo efeito o mudou de maneira tão tremenda que Deus já não lhe era mais simplesmente uma ideia.
Você quer ser esse fogo a qualquer custo? Eu acredito que haja muitos loucos no Céu, pois todos os que se encontram verdadeiramente com Deus são rotulados de excêntricos. O homem mais sensato é aquele que O conhece mais; a mente mais sã é aquela na qual o fogo habita da maneira mais perfeita.
O Senhor está chamando o Seu povo para uma vida cheia do Espírito, consagrada e comprometida com Ele a tal ponto que pessoa alguma poderá e nem desejará se afastar dEle.
A pergunta é: você quer ser uma dessas pessoas?
A.W.Tozer. Voz de um profeta. Graça editorial. Rio de Janeiro: 2018. p.154
Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé́. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.


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