A trombeta está soando, mas ninguém alarmado!
A trombeta está soando, mas ninguém alarmado!
David Wilkerson
De todos os profetas do Velho Testamento, Amós fala mais claramente aos nossos dias. A profecia que ele traz se aplica tanto à nossa geração que parece recortada de manchetes recentes. Na verdade, a mensagem de Amós é uma profecia dupla; foi dirigida não apenas ao povo de Deus em seus dias, mas também à igreja de agora, em nosso tempo.
Amós descreve Deus como um leão que ruge, pronto para atacar Israel com juízo: “Rugiu o leão, quem não temera? Falou o Senhor Deus, quem não profetizará?” (Am 3.8). O profeta declara: “Deus se levantou como um leão que ruge, pronto para atacar a presa. E ao ouvir esse rugir do leão, tenho de avisar”. O Senhor estava usando Amós para despertar Israel. Qual era a mensagem? Que Deus estava prestes a enviar juízo sobre o povo, devido à imensidão de sua maldade e corrupção.
Naturalmente, Deus nunca julga um povo sem primeiro levantar vozes proféticas para o prevenir. “Certamente, o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Am 3.7). Agora, vendo a nuvem do juízo se formando, Amós é compelido a dizer: “Tocar- se-á a trombeta na cidade, sem que o povo se estremeça? Sucederá algum mal à cidade, sem que o Senhor o tenha feito?” (Am 3.6). A mensagem de Amós aqui é assustadora: “Deus fez soar a trombeta de advertência ao seu povo. Mas ninguém se alarmou”.
Neste exato instante, pouquíssimas pessoas querem ouvir uma mensagem relacionada a juízo. Devido aos acontecimentos recentes, o mundo está cheio de medo. Em algumas partes do mundo, sente-se que um ataque terrorista pode acontecer a qualquer momento. E os horizontes da economia se mostram mais negros do que nunca. As pessoas dizem: “Não agüento mais”.
Mas o Senhor fala quando quer. E seu Espírito nos provê de forças para ouvir sua palavra, entregue por servos ungidos. O nosso Senhor irá fielmente capacitar seu povo para suportar o que vier, seja o que for.
Profecia Contra a Igreja Comprometida com o Mundo
Ao profetizar, Amós se dirigia às nações gentílicas em torno de Jerusalém. Certamente esses pagãos cairiam sob a ira de Deus. Estavam roubando as fronteiras de Israel, travando guerra contra a nação escolhida, e matando seus filhos.
Contudo, agora Amós diz: “Ouvi a palavra que o Senhor fala contra vós outros, filhos de Israel” (Am 3.1). O rugir do leão era contra o próprio Israel. O povo de Deus estava prestes a ser punido por corromper a pura adoração ao
Senhor: “De todas as famílias da terra, somente a vós outros vos escolhi; portanto, eu vos punirei por todas as vossas iniqüidades” (Am 3.2).
Há uma lei divina que percorre todas as Escrituras. Esta lei, basicamente, diz o seguinte: “Quanto maior a medida de graça derramada sobre um povo, maior será o juízo que cairá sobre eles, se esta graça for desprezada”. Se um povo recebeu muita verdade, será mais responsabilizado. E se corromper essa verdade, seu juízo será dobrado.
Em seu grande amor e sabedoria, o Senhor tem procurado purificar as nações com correções severas. Ele permite secas, inundações, colapsos financeiros, furacões, mudanças drásticas no tempo. É a trombeta que está soando bem alto. Mas ninguém está se alarmando com isso.
Muitos ministros e pastores andam dizendo: “Deus não é assim. Não é ele que está por trás dessas tragédias. Tudo isso é obra do diabo”. Não posso dizer o quanto estes pregadores me deixam furioso. Eles não conhecem a Bíblia. Preste atenção às seguintes palavras de Amós:
“...vos deixei de dentes limpos em todas as vossas cidades e com falta de pão em todos os vossos lugares; contudo, não vos convertestes a mim, disse o Senhor” (Am 4.6). Deus está dizendo explicitamente ao povo que está prestes a causar um colapso econômico no meio deles.
“Além disso, retive de vós a chuva, três meses ainda antes da ceifa; e fiz chover sobre uma cidade e sobre a outra, não; um campo teve chuva, mas o outro, que ficou sem chuva, se secou” (Am 4.7). Indiscutivelmente, o Senhor está em controle de todos os acontecimentos climáticos, quer sejam bons ou maus.
“Feri-vos” (Am 4.9). Quem é o responsável por todas essas coisas? Deus quer que isto fique bem claro em nossas mentes: Ele está por trás de tudo.
Muitos pregadores apresentam Deus como um vovô bonzinho, que nunca fala duro e que mima seus netinhos, a quem tanto adora. É claro, o Senhor é misericordioso e bondoso. Mas o que esses pastores não entendem é que os juízos de Deus são fruto da sua misericórdia e graça. Ele está dizendo: “Voltem para mim. Tive de enviar essas correções para purificar a nação, e ganhar sua atenção. Vocês se aprofundaram tanto no pecado que ficaram cegos. Agora o juízo é a única linguagem que entenderão. Tudo isso é por causa do amor que lhes tenho”.
Ainda Existem Ofertas Agradáveis a Deus
Deus ainda possui um remanescente santo e separado, cujos sacrifícios de louvor são puros. Estes santos, tementes a Deus, não estão presos aos cuidados do mundo. Sua adoração tem o som de poderosas águas torrenciais.
E estão de coração quebrantado diante do Senhor, em santa reverência a ele. Desta reverência, provêm gloriosos brados de louvor.
Entretanto, multidões nas igrejas estão sempre procurando por algo novo. Desejam novas e estimulantes formas de se adorar a Deus. Assim, vão atrás dos altares de Betel, onde o louvor parece ter um som alto e alegre. Mas a adoração nesses lugares é dirigida por homens que não choram pelo pecado existente na casa de Deus. Seu louvor pode ser exuberante e cheio de cores. Mas não há a verdadeira presença de Cristo. E não há proteção contra os enganos da carne.
Provavelmente, era muito emocionante participar das reuniões de louvor em Betel. Mas os adoradores não se preocupavam com as coisas de Deus. Não ajudavam os pobres, nem atendiam ao necessitado. Antes, seu louvor era cheio de carnalidade e fermento. Amós previne: “Buscai ao Senhor... para que não irrompa na casa de José como um fogo” (Am 5.6).
Igualmente, desejo oferecer esse aviso do Senhor: o seu pastor está pregando uma palavra que expõe o pecado? Você tem ouvido repreensões no temor de Deus, chamados ao arrependimento, advertências para abandonar o pecado? Caso sua resposta seja negativa, você provavelmente está adorando em um altar de Betel. E corre grande perigo de ser enganado.
Deus declarou: “Visitarei também os altares de Betel; e as pontas do altar serão cortadas e cairão por terra” (Am 3.14). Esta era uma palavra devastadora. No Velho Testamento, o altar de madeira do templo tinha quatro pontas entalhadas nos cantos. Essas pontas eram cobertas por bronze, e tinham a forma de chifres de carneiro. Os chifres representavam a proteção do santuário. Agarrando-se a eles, o infrator da lei se colocava sob a graça salvadora e protetora de Deus. Quando era menino, lembro-me como os cristãos mais antigos na igreja diziam: “Estou seguro, Senhor. Estou me agarrando às pontas do altar”.
Vemos esse tipo de refúgio ilustrado na vida de Adonias, filho de Davi. Esse rebelde tinha tentado usurpar o trono de Israel. Mas o outro filho de Davi, Salomão, determinou prisão e morte para ele. Em pânico, Adonias fugiu para o templo, e se agarrou às pontas do altar. Sua vida foi poupada.
Agora Deus estava dizendo a Amós que cortaria essas impressionantes pontas de proteção. O Senhor iria arrancar as pontas do altar, e jogá-las ao chão. Isso significava que o povo não ficaria mais sob sua proteção. Pelo contrário, ficaria sujeito a grande engano. Não teriam nenhuma segurança contra falsas doutrinas, ou falsa adoração.
Deus Promete Acabar com Tudo que Estiver Contaminado
Em todas as vinhas [igrejas] haverá pranto, porque passarei pelo meio de ti, diz o Senhor. Ai de vós que desejais o dia do Senhor! Para que desejais o dia do Senhor? É dia de trevas e não de luz... Aborreço, desprezo as vossas festas e com as vossas assembléias solenes não tenho nenhum prazer. E, ainda que me ofereçais holocaustos e vossas ofertas de manjares, não me agradarei deles... Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras. Antes, corra o juízo como as águas; e a justiça, como ribeiro perene” (Amós 5.17-24).
A mensagem de Deus é clara: enquanto sua justiça não começar a jorrar em nosso meio, purificando nossos corações, não seremos capazes de lhe dar verdadeiro sacrifício de adoração. Louvor que provém de corações cheios de lascívia e cobiça nada mais são senão barulho aos seus ouvidos. Ele não aceitará a adoração daqueles que só buscam prazer, ou que se recusam a perdoar os outros.
No meio de todas essas advertências proféticas, Amós traz essa palavra de esperança: “Buscai o bem e não o mal, para que vivais; e, assim, o Senhor, o Deus dos Exércitos, estará convosco, como dizeis. Aborrecei o mal, e amai o bem, e estabelecei na porta o juízo; talvez o Senhor, Deus dos Exércitos, se compadecerá do restante de José” (Am 5.14-15).
Insisto com você: leve a sério a mensagem de Amós. Busque o Senhor de todo o coração. Permita que sua própria vida seja julgada por sua palavra. Confesse e abandone o pecado. Então, Deus o abençoará, dando discernimento. Você saberá se está adorando em um altar de Betel. E será capaz de adorá-lo em Espírito e em verdade.
David Wilkerson: Este artigo foi publicado em inglês no jornal periódico Times Square Church Pulpit Series, por World Challenge, INC. Todos os direitos autorais e de publicação pertencem a: World Challenge, INC., P.O. Box 260, Lindale, TX 75771, E.U.A. Artigos em português de David Wilkerson podem ser encontrados na Internet, no site: www.worldchallenge.org, ou direto em www.tscpulpitseries.org
Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé́. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.


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