Joel ainda clama: Dai o alarme!


 


Joel ainda clama: Dai o alarme!

Leonard Ravenhill 


    Séculos antes de o apóstolo Paulo ter escrito: “Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha?” (1Co 14.8), Joel conhecia o perigo que seria emudecer o toque de sua mensagem ou a de qualquer outro profeta. Os profetas não estavam preocupados com seu pedigree (genealogia). Eles eram preocupados com sua pureza. Um pregador moderno diz que os escritos de Joel são tão sublimes quanto os de Isaías, profeta maior, ou quanto o majestoso verso de Habacuque. Joel não teria tido ouvidos para tal lisonja. Ele estava pensando os pensamentos de Deus continuamente. Semelhante a outros profetas, ele vê a história pré-escrita. O Dr. Feinberg, em seu comentário sobre Ezequiel, diz:


“Um profeta sem a visão de Deus seria falso; e a visão sem um profeta para anunciar a mensagem do Senhor para o homem seria inútil”.


    Os profetas comiam o pão da aflição e bebiam suas lágrimas. Eram considerados barbudos excêntricos, uivadores da calamidade, e uma irritação desnecessária. Falar de um profeta “popular” é um anacronismo. Houve alguns poucos homens que valorizaram a palavra profética, por mais que fosse doloroso para o coração e para a consciência. Eles viam esse anúncio de Deus como, pelo menos, um ato de misericórdia, um sinal de que o Senhor não tinha se esquecido deles. Ele ainda tinha uma palavra para eles. Como outros profetas, Joel era quase uma estrela solitária, brilhando num céu diferente, de total escuridão. Isto eu realmente sei a respeito desses homens escolhidos chamados profetas:


“Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2Pe 1.21).


    Joel era um desses homens do passado. Ele havia frequentado a escola do silêncio de Deus; ele não era filho de profeta. Joel emociona-me profundamente, até às lágrimas, porque eu sei que o vulcão da verdade que queimava dentro dele era difícil de liberar. Na anotação que fez sobre Esdras, em seu livro Bible Characters, Alexander Whyte diz: “Se você puder me estimular com sua pregação, ou com sua oração, ou com sua canção, primeiro seja estimulado você mesmo”. Meu amigo e irmão David Wilkerson, após ler a cópia do meu livro, anotou a lápis ao lado dessa citação: “Você deve ser sério para ser levado a sério”. Eu fico profundamente perturbado quando moços me escrevem, dizendo: “Eu sou um profeta do Senhor”. Profetas não são autoproclamados. Eles não se gabam. Eles não buscam um lugar em público onde possam fazer brilhar suas auréolas. Nenhum homem toma essa tremenda honra para si mesmo. E a oposição jamais intimida o verdadeiro profeta. Ele chora diante de Deus e, todavia, ele não precisa de um ombro para chorar. Todos os profetas têm uma mesma segurança: “Veio a mim a Palavra do Senhor”.

    Deus revelou a Joel a magnitude de sua tarefa. Ele devia anunciar a vinda de uma calamidade sem precedente na história: “Ouvi isto, vós anciãos, e escutai, todos os moradores da terra: Porventura isto aconteceu em vossos dias, ou nos dias de vossos pais?” (Joel 1.2). Nesse tempo, os pecados de Judá eram maiores do que em qualquer ocasião anterior; portanto, o maior julgamento estava para acontecer. Deus ressaltou essa verdade a Joel. Esse seria um julgamento que marcaria a terra: “Fazei sobre isto uma narração a vossos filhos, e vossos filhos a seus filhos, e os filhos destes à outra geração” (Joel 1.3).

    Naquele dia Deus tomou conhecimento do pecado do povo. Ele faz o mesmo hoje. Aquelas pessoas viviam em uma época de revelação limitada. Agora, nós temos o completo conselho de Deus, com dúzias de versões do Novo Testamento para ajudar a nossa fraca fé e serviço doentio. Ai de nós! Muito do que Joel fala faz um paralelo com nosso tempo, incluindo os bêbados. Joel 1.5 diz: “Despertai-vos, bêbados, e chorai; gemei, todos os que bebeis vinho”. Os bêbados são uma maldição por toda a parte do mundo. Temos milhões dessas almas se autodestruindo ao nosso redor. O clínico geral adverte que fumar é perigoso. Mas quem adverte sobre os perigos de beber? Disseram-me que nós temos pelo menos um cervejeiro cristão! Desde quando a condenação por beber se harmoniza com salvação pela fé? A Palavra do Senhor para Joel foi:


“Tocai a trombeta em Sião, e clamai em alta voz no meu santo monte; tremam todos os moradores da terra, porque o dia do S vem, já está perto” (Joel 2.1). Com o que se parece esse dia? Joel o descreve: “Ai do dia! Porque o dia do S está perto, e virá como uma assolação do Todo-Poderoso” (Joel 1.15). “Dia de trevas e de escuridão; dia de nuvens e densas trevas” (Joel 2.2). “E o S levantará a sua voz diante do seu exército; porque muitíssimo grande é o seu arraial; porque poderoso é, executando a sua palavra; porque o dia do S é grande e mui terrível, e quem o poderá suportar?” (Joel 2.11).


    Nosso velho mestre na Inglaterra, Samuel Chadwick, escreveu: “O mundo jamais acreditará em uma religião na qual não há poder algum. Uma fé racionalizada, uma igreja socializada, e um evangelho moralizado podem ganhar aplausos, mas não despertam qualquer convicção (de pecados) e não ganham convertidos”. Esta é a hora para darmos o alarme novamente. As coisas que o Dr. Chadwick menciona estão conosco. Uma revista cristã recentemente dedicou uma edição inteira para o Avivamento. Havia pouca profundidade nos artigos escritos por vários pregadores. O que me alarmou mais foi que apenas um dos escritores deu algum espaço para a mensagem de Joel. Outra revista ventilou uma mensagem sobre Joel, porém era principalmente sobre as emoções da mensagem desse profeta “menor”.

    Em média, uma Conferência Bíblica geralmente tem mensagens do Dr. A sobre Romanos, e do Dr. B sobre Efésios. Todavia, até o momento, após anos frequentando essas conferências, eu ainda não ouvi qualquer das atormentadoras verdades expostas por Joel. Por que temos medo de Joel? Seria ele muito ofensivo? Suas mensagens nos irritam? Será que ele nos deixa com dor na boca do estômago por causa de nossa negligência com sua mensagem inspirada por Deus? Estamos tomados de culpa porque temos nos “virado cada um a seu modo” em nossos métodos de evangelismo? Estaríamos embaraçados porque não mais trabalhamos na dimensão espiritual da qual Joel fala? Estamos intimidados pela clareza de seus termos e pela banalidade de nossos cultos? É a sua mensagem tão quente para se lidar e tão convincente para se alcançar? A pressão de Joel sobre os pastores é mais do que podemos engolir? Estas não são perguntas retóricas. Elas precisam ser encaradas nesta hora em que a humanidade está sendo brutalmente assaltada por poderes demoníacos e falsas seitas.

    Eu tenho conservado a amizade de Dick Nelson por anos – Dick é um presbiteriano cheio do Espírito e perceptivo. Nós nos correspondemos regularmente. Eis aqui uma parte de sua recente carta para mim: Estou ainda pensando de que temos apenas duas alternativas na análise final – ira ou avivamento. Nós podemos ter escolas cristãs; ação política; protestos cristãos; cartas para os nossos parlamentares; armazenamento de alimento; mudança para a cidade; reuniões domésticas; livrarias; rádio cristã; evangelismo; ministérios cristãos de toda a variedade possível; retiros; igrejas maiores e melhores; alimentação para os pobres; dar nossos corpos para serem queimados; profecias em abundância; prognósticos; cronogramas; etc., porém, a menos que tenhamos uma verdadeira explosão do Evangelho de Jesus Cristo no mundo, o mundo explodirá sobre nós.

    Já usei esta frase em um dos meus livros, mas ela ainda é verdadeira no sentido de que “há uma indiferença sufocante na Igreja quanto ao perigo de julgamento pelo pecado da nação”. Joel ainda clama para nós: “Dai o alarme!” Quem quer a tarefa? A mensagem de Joel é diferente daquela de outros profetas. A maioria dos outros livros proféticos tem um cenário histórico que é comparativamente fácil de discernir e o qual fornece a chave para a interpretação dos conteúdos. O livro de Joel é uma exceção. Seus eventos não estão registrados em lugar algum. Nenhum rei de Judá ou de Israel é mencionado. Não faz referência a nenhum grande império (Assírio, Babilônico, ou Persa). Procure por pistas e diga-me se o livro vem antes de Amós ou depois de Malaquias. Estou convencido de que a mensagem de Joel é eterna. Mas, por que examinar os vestígios se a casa ainda está queimando com pessoas perecendo no seu interior?

    Por que ter uma discussão tipo roda-viva sobre o pano de fundo do livro quando seus perigos estão conosco? Esqueça os bancos da igreja; vamos checar os púlpitos. O seu pastor é uma coruja noturna? Não, não um que assiste à televisão até tarde da noite. Quero dizer aquele que passa a noite toda vestido de pano de saco; alguém que possa ser rotulado como ferido de alma pela aflição porque sua vizinhança está rumando para o inferno; alguém que não olhe para o relógio enquanto “geme” e se “lamenta” pelo domínio do diabo sobre sua cidade e esta geração cega. Tem ele um armário com panos de saco para sua humilhação lacrimosa uma vez que a sua teologia é um tigre de papel? Que ele pode imprimir o cardápio teológico, mas não pode produzir o alimento? Repetidamente Joel proclama: “Porque o dia do S está perto!”. Desse modo ele se recusa a moderar o seu grito: “... e virá como uma assolação do Todo- Poderoso. Porque o fogo consumiu os pastos do deserto. Os gafanhotos comeram toda a vegetação. E a chama abrasou todas as árvores do campo”.

    Essa não é uma mensagem da hora do café. Não é uma súplica pela recuperação nacional da economia. A eternidade bate no coração de Joel. À frente há “um dia de trevas e de escuridão”; um forte exército atacará: “Diante dele um fogo consome, e atrás dele uma chama abrasa; a terra diante dele é como o jardim do Éden, mas atrás dele um desolado deserto; sim, nada lhe escapará” (2.3). Ouça isto, digira-o se puder: “Diante dele tremerá a terra, abalar- se-ão os céus; o sol e a lua se enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor” (2.10). O exército voraz que assaltará a terra tem dentes como leão. Depois, uma onda de lagartas e gafanhotos comerá as colheitas (1.4, 6). Para enfrentar essa maré de julgamento, o Senhor exige: “Ainda assim, agora mesmo diz o S: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto; E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes” (Joel 2.12-13).

    Todos os povos estão para experimentar um tempo de severa humilhação. Joel lista o povo e coisas adicionais que eles devem fazer para preparar-se para “o dia do S, grande e mui terrível”: “Cingi-vos e lamentai-vos, sacerdotes; gemei, ministros do altar;... Santificai um jejum, convocai uma assembleia solene, congregai os anciãos, e todos os moradores desta terra... e clamai ao S” (Joel 1.13-14). Deus repete: “Tocai a trombeta em Sião, santificai um jejum, convocai uma assembleia solene: Congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, congregai as crianças... Chorem os sacerdotes, ministros do S, entre o alpendre e o altar, e digam: Poupa a teu povo, ó S, e não entregues a tua herança ao opróbrio, para que os gentios o dominem” (Joel 2.15-17). Algum dos nossos seminários teria um curso intitulado: Chorando pelo Perdido? E, se um homem se graduasse nesse curso, haveria uma classe avançada para aqueles que gemeriam em aflição entre o alpendre e o altar sobre nossa sociedade saturada de pecado?

    Joel fala uma linguagem que não conhecemos. Seu ministério não comercial, não financeiro, nos assusta. Nossas corporações do evangelho e nossas dívidas evangelísticas negociadas em bancos o chocariam. Meu Deus, tantos empreendimentos evangelísticos que começaram no Espírito estão agora terminando na carne. Por que nós “descemos ao Egito” para pedir socorro?


Ravenhill, Leonard; Ravenhill, Leonard. Avivamento à Maneira de Deus: Uma Mensagem Urgente para a Igreja (p. 82). UNKNOWN. Edição do Kindle. 


Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé́. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.


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BÍBLIA FALADA METAL 





Este é um projeto envolvendo todos os irmãos da Igreja PorTuaCasa (@igrejaportuacasa). O objetivo é unir duas coisas. As Escrituras e um bom Rock N Roll. Atualmente temos muitas músicas que se dizem "gospel", porém, encontramos muitas frases que exaltam mais o homem do que à Deus. Esta é a segunda música: Sal da terra e Luz do mundo: 


Mat 5.13-16, "Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus". 

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Você pode adquirir o livro. Entre no site: https://www.revistaimpacto.com.br/produto/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/ 


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