Precisamos de um batismo de ira Santa

 


  

Leonard Ravenhill




    Paulo ficou indignado quando viu a principal rua de Atenas rodeada de templos dedicados a falsos deuses. Na linguagem bíblica da Versão Revisada, podemos perceber muito bem a reação de Paulo diante dessa visão:


“revoltavasse nele o seu espírito” (Atos 17.16).


    Creio que J.B. Phillips seja quem nos fornece a melhor interpretação da reação do apóstolo quando se viu dentro da acadêmica Atenas, infestada de idolatria. Em sua versão dessa passagem, Dr. Phillips diz o seguinte:


“Enquanto (Paulo) estava ali, sua alma se angustiava além da conta, ao perceber a cidade tão completamente idólatra”.


    Essa mesma passagem, na versão Amplificada, diz: “Agora, enquanto Paulo estava esperando por eles em Atenas, seu espírito se afligiu e ele ficou profundamente irado ao ver que a cidade estava cheia de ídolos”. (tradução direta). A antiga Atenas, apesar de sua classe e cultura, ainda entorpecia a alma das pessoas.

    Gostaria de oferecer algumas sugestões de o porquê o espírito de Paulo ficar tão irado à medida que ele andava por aquelas ruas e deparava-se com o pecado de Atenas.

    Paulo estava irado por causa do poder que as falsas religiões tinham de enganar o povo. Ele estava irado por causa da devoção cega desses devotos a deuses absolutamente impotentes; o apóstolo estava irado diante do surpreendente sacrifício financeiro de doadores em favor da construção de templos do engano. Paulo também estava irado porque Cristo estava sendo privado do amor de homens e mulheres que já poderiam ter experimentado o novo nascimento do Espírito de Deus. Ele estava irado pelo fato de que homens com coração de carne estavam clamando em vão a deuses de coração de pedra. Paulo estava indignado porque o sangue expiatório de Cristo estava sendo pisoteado e desprezado como se fosse estrume. Sua ira devia-se ao fato de que os intelectuais estavam ridicularizando a ressurreição e a ascensão do Filho de Deus, o qual vive para sempre. Ele se indignava ainda pelo fato de que aquela gente, mesmo estando a um passo de um inferno real e inconcebivelmente terrível, pudesse comer, beber e se alegrar. E, finalmente, ele estava irado porque o diabo estava mantendo homens presos nas cadeias do medo e da luxúria e, após a morte, ainda iria mantê-los eternamente aprisionados em um abismo sem fim.

    Em média, a tolerância que o crente tem com relação à condição de perdido do homem é revoltante. Nós, os cristãos de hoje, precisamos urgentemente receber o batismo de ira do apóstolo Paulo.

    Existe uma história na mitologia grega que fala sobre um dragão com várias cabeças, cujo nome é Hydra. A cada ano ele saía de sua caverna, muito irado e soltando fogo pelas narinas. Para que a ira do terrível monstro fosse apaziguada, os moradores da cidade deveriam oferecer-lhe em sacrifício sete virgens formosas ou sete rapazes dos mais apresentáveis. Cumprida essa exigência, o faminto dragão comia a oferenda de virgens ou rapazes e, depois de satisfeito, voltava para a sua caverna e permanecia lá por mais um ano, até a sua próxima aparição. Em nome de falsos deuses (falsas doutrinas), muitas pessoas, em muitos países, se mobilizam hoje para testemunharem, não apenas uma vez por ano ou uma vez por dia, mas muitas vezes em um mesmo dia. Com um apetite muito maior do que aquele monstro de muitas cabeças da mitologia grega, este monstro das falsas religiões, de barriga vazia, mas que enche o inferno, tem abocanhado milhões de almas. Entretanto, quem se importa com isso? Não é um pentecostal radiante, nem um zeloso irmão holiness ou um destemido batista que vem bater à minha porta para evangelizar; quem me aparece é uma Testemunha de Jeová ou um mensageiro Mórmon enganados e iludidos. O que vemos nessas falsas religiões é um quadro horrível de homens perdidos, procurando por outros homens também perdidos, para conduzi-los a uma eternidade igualmente perdida.

Faça um exame de consciência e depois pergunte a si mesmo estes seguintes questionamentos:


Por que não enfrentamos?
Por que temos medo?
Por que hesitamos?
O que tem “esfriado” a nossa urgência?
Será que não temos nada a comunicar?
Será que não estamos seguros com relação ao nosso próprio conhecimento bíblico?
Será que não temos certeza da nossa própria salvação?
Será que ainda não estamos convencidos de que os pecadores estão em grande perigo, às portas do inferno eterno?
Será que nos esquecemos que, mesmo sendo cristãos, teremos de prestar contas no dia do Juizo Final, diante do Grande Trono de Deus, não apenas de tudo o que fizemos, mas (e isso realmente dói) de tudo o que poderíamos ter feito?

    Entre os pecados de omissão que serão apresentados contra muitos de nós diante do Trono de Jesus Cristo, certamente haverá um parágrafo inteiro de acusações sobre todas as vezes que tivemos oportunidades de testemunhar do Senhor e não o fizemos. Testemunhar não é uma opção, mas uma obrigação; pois, como cristãos, somos devedores.

    Mais de uma vez eu tive o privilégio de estar em um púlpito, ao lado da filha mais velha de William Booth, fundador do Exército da Salvação. Em uma dessas ocasiões, enquanto cantávamos o hino que ela mesma havia composto, pude ver as lágrimas rolarem pelo seu rosto.


“Existe um amor que me impulsiona a ir em busca do perdido; Eu entrego, ó Senhor, todo o meu ser a Ti,
Para que possas salvá-lo, a qualquer preço.”

    Aquela marechala testemunhava em tempo e fora de tempo. Ela proclamava o evangelho nas ruas, nos bares, nas delegacias de polícia e nas prisões onde, como o apóstolo Paulo, ela esteve presa muitas vezes.

    Para mim é chocante comentar sobre a fraqueza dos cristãos de hoje. No primeiro século cento e vinte homens saíram de dentro de um salão e fizeram tremer a cidade de Jerusalém. Hoje, cento e vinte igrejas, alegando possuir a mesma experiência com o Espírito Santo, podem se reunir em uma de nossas cidades e, mesmo assim, provavelmente aquela cidade nem vai se dar conta da presença delas. Em nossa guerra espiritual, as igrejas são culpadas de guerrear utilizando balas de mentira em suas armas. Mudando um pouco a ilustração, deve ser que, espiritualmente, estamos operando como que com nossos vagões de carga vazios. Estou profundamente convencido de que o fim dos tempos está às portas. As coisas irão se desenrolar muito mais rápido do que qualquer um de nós pode imaginar. Considerando isso, devíamos colocar uma cerca tão alta em torno do altar de nossas igrejas, que chegar até ele exigiria um esforço de vida ou morte. Esse não é um tempo para ficarmos chorando lágrimas de crocodilo. Também não é hora de assumirmos compromissos pela metade ou de fazermos votos movidos pelas emoções. Nunca deveríamos permitir que coisas assim entulhassem o nosso altar.

    Muito provavelmente se hoje estivéssemos descendo a principal avenida de nossa cidade, e víssemos ali magníficas construções dedicadas a deuses estranhos (seitas), apenas encolheríamos os ombros e afastaríamos a impressão que isso causasse em nós, com um simples e indiferente comentário, do tipo: “É uma pena que esse povo não tenha consciência de que esse tipo de coisa não leva a nada.” Deixe-me repetir: Acredito que está chegando a hora em que nós, povo de Deus, iremos precisar do batismo de ira que Paulo possuía.

    Na Palavra de Deus existe uma ordem: “Irai-vos, e não pequeis” (Efésios 4.26). De modo geral, se o crente sente ira é na hora errada, por causa de algo errado, a respeito de uma pessoa errada e no lugar errado. Na maioria das vezes a sua ira é provocada por sua própria culpa, por ter tido o seu orgulho ferido. A imagem irrepreensível que ele tinha de sua própria santidade foi manchada, ou então ele ficou chateado com a afronta de alguém que se atreveu a sugerir que seu ídolo de ouro tem os pés de barro. Precisamos nos lembrar novamente de que o santo Filho de Deus, nosso Salvador, irou-se contra os mercadores de animais e contra aqueles que não estavam respeitando a casa de Seu Pai.

    Não acho difícil imaginar que, com milhões de pagãos perecendo, os nossos jantares de confraternização, nossos filmes evangélicos malfeitos, nossa membresia sem garra, nosso testemunho encabulado (além de nossa acomodação e complacência) receberiam severa reprimenda vinda do coração em brasa do justo Filho de Deus. Também precisamos nos lembrar de que, de acordo com o relato bíblico, Jesus se irou por causa da dureza do coração daqueles que seguiam cegamente as leis e o sistema da sinagoga (Marcos 3.5).

    A nossa era é hoje a mais cronicamente infeliz da história. Seria uma insensatez sem tamanho dar uma aspirina a um paciente com câncer, assegurando-lhe por meio de palavras mentirosas, que isso iria curá-lo de sua enfermidade. Igualmente criminosa (em minha opinião) é a nossa tentativa de apaziguar a alma faminta de milhões que nos rodeiam, pregando-lhes sermões que não são centrados na Pessoa de Cristo e nem na Palavra. Em geral essas pregações não são nascidas de um coração em chamas e anelante de um pregador zeloso pelas coisas de Deus, e nem molhado com as lágrimas resultantes das suas ansiedades e lutas interiores por causa dos pecadores.

    Nossa situação não é como descer a rua principal em Atenas, onde a ignorância, a superstição e deuses estranhos tinham o domínio no que diz respeito à iluminação espiritual do povo; ela é bem mais terrível. Destruímos os antigos altares dedicados a Jeová e construímos novos, cromados, para adorarmos a Baal e Astarote.

    Algum tempo atrás, um jornal do estado de Minessota publicou que em certa cidade desse estado o conselho educacional de uma escola decidiu declarar ilegal em todos os seus programas escolares, toda e qualquer coisa que pudesse estar relacionado ao cristianismo. Não poderiam existir Bíblias na escola, não poderiam fazer orações ali, nem realizar cultos de formatura e também não poderiam fazer referência ao Natal, à Páscoa ou a qualquer outro feriado cristão. Agora me diga qual a diferença entre a situação nessa escola e na existente dentro de alguns países onde não se tem liberdade religiosa ou onde ainda exista o comunismo? (Eu ficaria muito feliz em receber uma iluminação nesse assunto).

    Para levar-nos, débeis santos, a resgatar os que estão perecendo, precisamos sentir o cheiro do inferno. Ah, precisamos ser como Ele, abençoado Redentor – irados! Mais do que nunca, precisamos clamar como a Sra. Elizabeth (Bessie) Porter Head:


Ó Sopro de Vida, vem e sopra sobre nós,
Reaviva a Tua igreja com vida e poder;
Ó Sopro de Vida, vem, limpa-nos, renova-nos, E prepara a Tua igreja para esta hora.

Ó Vento de Deus, vem e dobra-nos, quebranta-nos, Até que humildemente confessemos a nossa necessidade; Então, na Tua ternura faz-nos de novo,

Renova-nos, restaura-nos, pois isto Te suplicamos.

Ó Sopro de Amor, vem e sopra dentro de nós, Renovando pensamento, vontade e coração; Vem, Amor de Cristo, ganhar-nos uma vez mais, Reaviva a Tua igreja em toda parte.

Ó Coração de Cristo, que uma vez foi transpassado por nós,
É lá que encontramos a nossa força e descanso; Nosso coração quebrantado e contrito consola agora, E faça com que Tua igreja que espera seja abençoada.

Aviva-nos, Senhor! Está o nosso zelo esfriando
Enquanto os vastos campos estão brancos para a ceifa? Aviva-nos, Senhor, o mundo está esperando, Equipa a Tua igreja para espalhar a luz.

Ravenhill, Leonard. Sedentos por Avivamento: Um apelo urgente para que tenhamos consciência de nossa responsabilidade com relação ao avivamento (pp. 37-38). UNKNOWN. Edição do Kindle.


Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé́. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.


@ze.ronaldo.templodefogo @osprofetas_ @lagrimasportuacausa @templodefogo @igrejaportuacasa




BÍBLIA FALADA METAL 





Este é um projeto envolvendo todos os irmãos da Igreja PorTuaCasa (@igrejaportuacasa). O objetivo é unir duas coisas. As Escrituras e um bom Rock N Roll. Atualmente temos muitas músicas que se dizem "gospel", porém, encontramos muitas frases que exaltam mais o homem do que à Deus. Esta é a segunda música: Sal da terra e Luz do mundo: 


Mat 5.13-16, "Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus". 

Nos siga no instagram: @biblia_falada_metal 


Você pode adquirir o livro. Entre no site: https://www.revistaimpacto.com.br/produto/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/ 


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