Rei, Sacerdote e Profeta em Senhor dos Anéis

 



Rei, Sacerdote e Profeta em Senhor dos Anéis 

Barry Gordon 


    Como uma gama de críticas têm se acumulado acerca da trilogia épica de J.R.R Tolkien, O Senhor dos Anéis se tornou alvo de má interpretação. Diversos tipos de pessoas têm apreciado e condenado essa obra por motivos triviais, e a maioria desse maus comentários parecem ter como fonte uma falha de apreciação na natureza da trama que entrega à obra a sua profundidade e poder. O fato da obra não possuir nada de esotérico em sua trama, da mesma ser baseada nos pensamentos tradicionais do mundo Ocidental dos últimos séculos, nos faz enxergar melhor os limites dos nossos horizontes intelectuais contemporâneos.

    A trama de Tolkien em Senhor dos Anéis está longe daquilo que o pensamento humanista atual consegue compreender. Novamente, não se trata de percepções éticas que conflitam entre si, cuja variedade fornece o material de muitos romances ditos cristãos nos moldes de Green-Waugh. Em vez disso, trata de conceitos teológicos tradicionais da soteriologia cristã, isto é, do estudo dos propósitos e do modo como Cristo redime o mundo. Como esses conceitos parecem não serem tão apreciados, nos servirá como um ótimo exercício esboçar rapidamente a trama e indicar o que os personagens principais realmente representam.

    Muito do que se aprecia em Senhor dos Anéis e nos chama atenção está em como essa obra trata da resposta humana aos desafios que os ofícios espirituais carregam e do crescimento pessoal em maturidade e dignidade através do sofrimento. Além disso, para entendermos esse tratamento particular da obra é necessário compreender que, de acordo com a dinâmica cristã de redenção, existem três aspectos principais na forma como Cristo age para salvar o mundo. Cristo age por meio de um reinado amoroso que traz uma renovação da ordem e harmonia; por meio do seu sacrifício que produz expiação e liberação de graça divina; e por meio dos seus ensinamentos que encarnam as verdades necessárias para nossa salvação. Essa é a forma como Cristo trabalha na vida de um crente que, uma vez conectado à Ele por meio do batismo, é incluído em uma vida de redenção contínua, em um esforço para que o reino de amor e o triunfo da caridade sejam estabelecidos. No exercício dos ofícios cristãos de rei, sacerdote e profeta, cada aspecto visto na pessoa de Cristo trabalha em conjunto para salvar o mundo.

    Essa é a trama que sustenta muito das ações e do desenvolvimento dos personagens de Senhor dos Anéis. A Terra-média é salva através do sacrifício sacerdotal de Frodo, através da sabedoria e orientação de Gandalf, e através do reinado de Aragorn. Claro que existem outros seres e forças além desses três, mas esses são os principais, aqueles através dos quais as forças maiores operam pois permitiram serem usados por elas. E, ainda, ao passo que cada um desses personagens corresponde com o seu ofício primário para oqual foi chamado, mais eles crescem em poder e graça e começam a operar nos outros dois ofícios redentivos em maior profundidade. Em um linguajar cristão, podemos afirmar que cada um desses três personagens principais se tornam cada vez mais semelhantes à imagem de Cristo. Dessa forma, Tolkien não somente expõe em Senhor dos Anéis alguns insights acerca do processo pelo qual o mundo é salvo mas também explora alguns aspectos essenciais do desenvolvimento da personalidade humana, o qual é usualmente chamado de "crescimento em santidade".


I


    Para Frodo Baggins, um simples Hobbit, fora entregue a missão central, considerada como "a mais escura das jornadas" para salvação da Terra média. Sua missão consistia em destruir o maligno Anel do Poder. Esse Anel não somente conferia poder. Mais do que isso, é um Poder que existe por si e para si. E com ele existe grande parte do poder do Inimigo capaz de corromper e escravizar até o mais forte entre aqueles que trabalham para estabelecer o bem.

    Conforme sua missão progride, vemos Frodo, um pacato e despreocupado hobbit, travar uma série de lutas heróicas, sacrificando-se e esvaziando-se totalmente para prosseguir em uma jornada que não aparenta possuir um fim. Nesse processo, Frodo permanece como o Cordeiro que somente possui forças em sua capacidade de se oferecer a si mesmo. Dessa forma, desde o começo da história, Tolkien se esforça para enfatizar que a esperança de Frodo está em seu sacerdócio e em seu sacrifício. Os poderes invisíveis que escolheram a Frodo para essa missão, por mais acidental que essa escolha pareça ser, não o escolheram por seu poder nem por sua sabedoria. Elrond, líder da campanha, até mesmo declara que não seriam força nem sabedoria que destruiria o Anel do Poder, então o hobbit aceita o fardo afirmando: "Eu levarei o Anel, embora eu não conheça o caminho."

    Apesar de sua falta de conhecimento, se torna evidente, durante a jornada, que o que o mantém em foco é a sua dedicação: "Fui designado para ir a terra de Mordor, portanto, eu irei. Se existe somente um caminho, então, é por esse caminho que seguirei. O que tiver que acontecer, acontecerá.". Perto de completar sua missão, Frodo se torna fisicamente incapaz para isso, possuindo somente o desejo em si. E quando o momento de destruir o anel chega, o tema da auto-abnegação e sacrifício alcança o seu ápice na trama: até mesmo sua capacidade de desejar a destruição do anel é retirado de Frodo. Frodo, agora totalmente dominado pelo poder do Anel (que muito se amplia na terra de Mordor), não consegue mais escolher destruí-lo, e o Anel fala através dele: "Eu vim até aqui. Mas não escolho mais concretizar o que vim fazer. Não farei tal coisa. O Anel é meu!".

    O sacrifício de Frodo, embora realizado, é em si insuficiente. E aqui, Tolkien começa a tratar o sacerdócio em uma nova dimensão. É somente quando a auto-abnegação de Frodo é conectada à outras que a missão se cumpre totalmente. Sem o sacrifício de Sam, seu leal servo, Frodo seria totalmente incapaz de alcançar seu objetivo. Além disso, sem a abnegação de muitos outros que se recusaram diversas vezes, contra os ditames da inclinação e da razão natural, para matar o assassino Gollum, o Anel nunca cairia dentro das profundezas do vulcão e a missão não se cumpriria. É um sacerdócio comum o qual, no final, é decisivo.

    Embora o sacerdócio seja o ofício principal de Frodo, ele não é o único pois, conforme sua missão progride, ele também amadurece como rei e profeta. Antes mesmo de Frodo partir em sua jornada, podemos ver que ele possui, embora pouca, certa autoridade na região a onde vive. Ele é considerado por Gandalf e por Bilbo como o melhor Hobbit do condado e também alguém com certo grau de erudição (algo raro entre os Hobbits). Mesmo assim, essas qualidades não passam de sombras daquilo que Frodo de fato se tornaria.

    A autoridade que Frodo alcança é clara, porém, envolve duas pessoas somente: seu servo, Sam, e seu cruel inimigo, Gollum. Ainda que por razões diferentes, vemos ambos submetendo-se à sua autoridade e o reconhecendo como "Mestre". Sua limitada porém intensa autoridade não fica em evidência até que os três se encontram sozinhos, como um pequeno grupo isolado nas devastadas terras da região de Mordor, local de fortaleza do inimigo. A transformação de Frodo é fortemente enfatizada por Tolkien nessa parte da história até a conclusão do primeiro volume, onde Frodo e Sam fazem parte de um grupo maior e Frodo é tratado como "Sr. Baggins" por seu servo. No começo do segundo volume, Frodo e Sam ficam sozinhos e vemos nas primeiras palavras deste segundo volume Frodo sendo tratado como "Mestre". Sem qualquer outro para o conduzir e nenhum outro amigo por perto, Frodo se torna totalmente responsável pelo seu amigo querido e, mais tarde, por seu inimigo mais perigoso. É nesse contexto em que Frodo é revelado à seus súditos como: "... uma sombra alta e severa, um senhor poderoso que escondeu seu brilho em nuvens cinzentas... " Tal é a autoridade do seu ofício como rei que, diante de Faramir de Gondor, Frodo formalmente toma sob sua proteção o seu adversário mortal, aceitando carregar a maldade de Gollum.

    Ao passo que sua missão continua, Frodo amadurece em sabedoria e prudência, tanto que até mesmo Saruman, o maléfico mago, é obrigado a afirmar: "Você amadureceu, pequeno Hobbit. Com certeza, você amadureceu muito. Você é esperto, e cruel.". Logo no começo de seu progresso, ele começa a ter visões e percebe o anel oculto de Galadriel, a rainha dos Elfos. Mais tarde, ele atenta a Gollum para o perigo que estava trazendo a si mesmo, e prevê a sua destruição: "Vá embora e não me incomode mais! Se você me tocar novamente, você mesmo será lançado dentro do fogo da perdição.".

    No final da história, no período entre a destruição do Anel e a ida dos portadores do anel para o Ocidente, Frodo não volta a ser o simples e pacato Hobbit que uma vez fora. Os ofícios de sua missão permanecem com ele, em sua transformação. Sua realeza é agora selada, embora ele não assuma nenhum papel bélico na limpeza do Condado. Em vez disso, ele atua como conselheiro e pacificador. Seu sacerdócio se torna mais evidente, no entanto, em frequentes crises de depressão e doenças. Ele é: "... ferido com uma faca, um aguilhão e dente, e um longo fardo.". Sua cura e descanso vêm apenas em sua partida para o Ocidente, além dos limites da Terra-média.


II


    Assim como Frodo, que mediante sua aprovação como sacerdote cresce também como rei e profeta, Aragorn, o herdeiro dos reis, é envolvido por anos de sacrifício, perigo e amadurecimento em sabedoria até que sua autoridade como rei se desenvolve por completo. Se existe qualquer contraste entre Frodo o simples e pacato Hobbit, e Frodo o aclamado heróis que lutou contra Sauron, tal contraste é igualmente expresso entre Aragorn, o desprezado e de aparência suja, e Elessar, o rei de Gondor, Senhor de todas as terras ocidentais.

    O rei é visto pela primeira vez em uma taverna de campo, onde assenta-se isolado de outros, com sua aparência marcada por viagens, sendo evitado por aqueles que ele e seus cavaleiros protegem secretamente. Já nesse momento ele é considerado como: "o maior viajante e caçador dessa época.".

    Mesmo assim, ele pede aos humildes hobbits que o permitam acompanhá-los em sua jornada e declara: "... eu esperava que vocês me levassem para o meu próprio bem. Às vezes, um homem perseguido se cansa da desconfiança e anseia por amizade. O tema do auto-sacrifício ainda é visto quando, mais tarde, o vemos servindo sob um disfarce os exércitos de Gondor e Rohan, rejeitando as honrarias concedidas a ele nesses reinos. Ele se retirou por 30 anos para trabalhar na guarda dos fracos e reparar o erro de Isildur, seu antepassado. Ele caminhou "à vista no Portão Negro" de Mordor, e pisou " as flores mortais de Morgul Vale. Mesmo na residência de seu protetor Elrond, onde sua realeza é conhecida e honrada, ele evita o seu lugar de direito no banquete e permanece usando seus trajes sujos, assentando-se, mais uma vez, de forma isolada em um canto no Conselho de Elrond. Em meio a essas provações, nenhum sacrifício lhe é mais difícil e secreto do que sua aceitação do longo adiamento de seu casamento com Arwen Undomiel que "... não será noiva de nenhum homem menor do que rei de Gondor e Arnor.". Assim, antes da ação da trilogia começar, a vida do rei Aragorn é voltada para um consagrado e secreto sacerdócio, um sacerdócio que se intensifica pelas exigências da sua linhagem e futura condição.

    Conforme seu processo vai se encerrando, a natureza da sua missão se torna mais evidente e ele começa a expor todos os seus poderes como rei. Sua primeira manifestação de autoridade extraordinária aparece por meio de seus poderes de cura ao aliviar a ferida de Frodo, causada por uma lâmina enfeitiçada de Mordor, usando simples ervas. Mais tarde, ao passo que os eventos vão se concretizando mais apressadamente, sua autoridade se torna mais aparente. Ele se apossa da pedra da visão de Númenor e através dela luta contra o próprio Lorde das Trevas. Vemos também quando ele convoca os mortos para lutarem com ele e através do seu comando lidera os vivos durante as batalhas, apesar do terror que sentem por seus parceiros fantasmagóricos.

    Porém, mesmo com seus atos poderosos e vitórias, não é como um vencedor de batalhas que ele se apresenta ao seu povo de Gondor. Sendo mais específico, ele aparece secretamente disfarçado, saindo do campo de batalha para curar os feridos e moribundos, e são esses aspectos que Tolkien empenha-se para continuamente enfatizar todas as vezes que trata do ofício de rei: o rei que traz renovo, que possui autoridade para curar e poder para libertar aqueles se submetem ao seu senhorio. Esses mesmos aspectos que vemos em Aragorn, vemos em Frodo quando esse sujeita Gollum a sua autoridade. Como exemplo, a esperança de Gollum se libertar do mal que o atormenta estava em sua obediência ao mestre que ele considerava ser Frodo.

    Como fruto de seu trabalho e de sua herança como rei, Aragorn amadurece em sabedoria e visão. Instruído na casa de Elrond, o mais sábio dos mestres, educado por andarilhos em diversas regiões, ele conhece a origem, a história e as línguas da Terra-média: "Portanto, ele se tornou, no fim, o mais valente dos homens que vivem. Habilidoso em seus ofícios e conhecimentos, e ainda era mais do que eles, pois ele possuia a sabedoria dos elfos, e havia uma luz em seus olhos que poucos podiam suportar quando olhavam.". Sua prudência e sabedoria eram de nascença. Todos os seus dons proféticos incomuns de discernir, ouvir e entender ficam em evidência no decorrer de todo o épico. . Ele prevê a queda de Gandalf nas minas de Moria, a ruína dos Orcs na batalha do Abismo de Helm, e ainda jovem é dito que ele ousou profetizar para seu guardião Elrond.

    O emprego de tais poderes feito por Tolkien à Aragorn não é somente um detalhe de fantasia à trama. Na verdade, é essencial para a trama que o significado de rei seja totalmente explorado, assim, com o processo de redenção através da figura de Cristo como rei devidamente representado. Aragorn possui tal poder e autoridade que, sem a orientação de um mestre acima dele, ele poderia ser uma força que causaria um imenso dano. Mas Aragorn sabia o que tinha que fazer e sua autoridade era moderada. Ele reconhece a si mesmo como menor do que Gandalf, o mago, e se ajoelha perante Frodo, portador do anel e chefe na queda do inimigo.E, no fim, pressentindo a idade chegar e vendo seu filho ascendendo ao trono, ele percebe que é chegada a hora de partir.


III


    Gandalf, o mago, é o personagem principal representando o ofício de profeta na trilogia. Seu papel é essencialmente aconselhar e guiar aqueles que estão trabalhando para derrubar Sauron. De origem misteriosa, ele é um membro das ordens dos magos que se apresentam "na forma de homem" durante a terceira era da Terra-média, enviados das regiões distantes do Ocidente como mensageiros para contestar os poderes de Sauron. O foco principal dessa ordem é o estabelecimento do "Conhecimento, da lei e da ordem", porém eles são proibidos de usarem da força ou do medo para isso.

    Gandalf é visto primeiramente no livro "O Hobbit", que antecede a trilogia épica da Terra-média. Nesse livro, Gandalf é o velho e grisalho homem que age como conselheiro de Bilbo e dos anões em sua busca pelo tesouro, e como aquele que unifica os inimigos de Sauron na Batalha dos Cinco Exércitos. Apesar de sua idade avançada, Gandalf frequentemente revela possuir maravilhosos poderes de magia e um corpo forte. Entre outras coisas, somente com uma espada ele matou o Grande Goblin nos salões debaixo da montanha. Esses temas de força, sabedoria, dedicação no serviço para com outros, também é expresso com Gandalf e desenvolvido nos outros livros, embora durante o curso da trilogia Gandalf sofre uma profunda transformação. Nada do que ele foi antes disso é negado, mas em um ponto da história todos os seus poderes são aguçados por uma re-consagração "através do fogo e das águas profundas". Isso ocorreu durante sua batalha contra o Balrog de Morgoth. Ele vence, porém seu cajado é quebrado e ele morre, transcendendo "para além do tempo". Até que ele é enviado de volta para completar a derrubada de Sauron. Transformado pela morte e ressurreição, Gandalf se torna "... mais perigoso do que qualquer coisa que possamos conhecer, a não ser que você tenha sido trazido vivo diante do trono do Senhor das trevas.". E como o anão Gimli afirma: "A cabeça de Gandalf se tornou sagrada", nenhuma arma comum é capaz de feri-lo da mesma forma em que fora alguns anos atrás na Batalha dos Cinco Exércitos.

    Sua re-consagração não aparenta afetar tanto o seu ofício como profeta. O que parece é que os seus poderes de percepção são aguçados, assim como quando ele está nas muralhas de Minas Tirith, após a batalha, e contempla "... com a visão que lhe foi dada, todos os que caíram...". Mesmo assim ele continua sendo o mesmo guia e conselheiro de idade. A grande mudança ocorre em seus ofícios como sacerdote e rei. Seu ofício como rei é agora mais evidente e, junto com o de profeta, é adicionado ao seu sacerdócio alguns elementos que são notórios em sua maioria, uma vez que o ofício de sacerdote é associado a padres pela maioria das pessoas.

    Após sua ressurreição, o sacerdócio de Gandalf é um dos mais longos, secretos e trabalhosos que poucos têm ciência. Quando ele chega à Terra-média é saudado por Círdan, o Elfo carpinteiro, que concede a ele um dos três anéis que foram entregue aos Elfos, dizendo: "Pegue isso, mestre, pois seus trabalhos serão penosos. Mas isso irá apoiá-lo quando cansar do que tomou sobre si.". Esse cansaço é continuamente exposto em sua aparência "curvada e perturbada" e é induzida não apenas pela angústia mental e pelo perigo físico em muitas das suas viagens, mas pelos pequenos detalhes. Como sua impopularidade no Condado que ele tanto se importa. Nesse período, também, seu ofício como rei é fortemente disfarçado. Bilbo pôde ter um vislumbre da autoridade do mago quando o velho Hobbit não aceitou deixar o anel, e no Conselho de Elrond, Gandalf é tido como "algum rei sábio de uma lenda antiga.". Também é vista quando, junto a um pequeno bando, ele é assediado por uma matilha de lobos, e se levanta como "uma grande forma ameaçadora, como um monumento de um antigo rei esculpido em pedra e posto em uma colina.".

    Esses vislumbres não passam de indícios do ápice para o qual Gandalf progride conforme sua luta contra Sauron chega a um fim. Ao se revelar para Aragorn e seus dois companheiros na floresta de Fangorn, "Seu cabelo era alvo como a neve sendo iluminada pelo sol e alvo era seu manto. Seus olhos brilhavam, penetrantes como os raios de sol, o poder estava em suas mãos.”. Mais tarde ao discutir com Denethor, mordomo governante de Gondor, o próprio Gandalf expõe a dimensão que sua autoridade possuía sobre as criaturas da Terra-média: "Mas eu direi isso: o governo de nenhum reino é meu ou de Gondor, nem nenhum outro, seja pequeno ou grande. Mas tudo o que corre perigo, assim como o mundo corre nesse momento, esses estão sob meu cuidado. E da minha parte, não falharei totalmente, embora Gondor pereça, se qualquer coisa sobreviver essa noite que ainda possa crescer e dar frutos e florescer novamente nos próximos dias. Por acaso você não sabia que eu também sou um mordomo?".

    Repetidas vezes em sua fase final, quando as circunstâncias exigiram tal atitude, Gandalf enfatiza seu papel como conselheiro junto com o de sacerdote e rei. Desse modo ele prontamente cura a mente e corpo de Theoden, rei de Rohan, de uma forma que não pode ser explicada tanto pelo efeito do sábio conselho ou pelos impulsos de afeição pessoal do rei por Gandalf. Ele também ressuscita com um toque de sua mão, Gimli, o anão, que ficou maravilhado pela revelação da magnificência de Gandalf. Da mesma forma, após argumentar com o caído Saruman e não obter sucesso, ele domina o malvado mago com a sua voz, quebrando o cajado de Saruman e o expulsando da ordem dos magos. Então, no campo de batalha, como o "Cavaleiro Branco" revelado em sua ira, Gandalf é capaz de encher seus companheiros de coragem e de terror, os seus inimigos. Finalmente, em uma cerimônia onde seus sagrados ofícios são reconhecidos, é Gandalf quem coroa Aragorn como rei e se ajoelha perante ele.


IV


    Esse artigo examinou o que nos parece ser o assunto central no qual a trilogia épica de Tolkien utiliza para esquadrinhar uma visão de mundo Cristã. Tanto que existem outros aspectos da obra os quais evidenciam essa visão de mundo cristã. A conduta moral dos inimigos de Sauron são prova disso. Novamente, a história cosmológica e de salvação de Tolkien certamente possui certas afinidades com tradições cristãs. Junto com essa orientação cristã básica, outros elementos de fontes não cristãs são misturados. Mas esses últimos não atrapalham a visão cristã essencial da obra. Em todos os pontos, as dinâmicas humanas de Senhor dos Anéis são baseadas em um padrão tradicional atribuída à maneira como Cristo age para redimir a terra. Uma vez entendido isso, o caminho para uma crítica construtiva e informada da obra em questão é aberto.


Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé́. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.


@osprofetas_ @lagrimasportuacausa @templodefogo @igrejaportuacasa







BÍBLIA FALADA METAL 





Este é um projeto envolvendo todos os irmãos da Igreja PorTuaCasa (@igrejaportuacasa). O objetivo é unir duas coisas. As Escrituras e um bom Rock N Roll. Atualmente temos muitas músicas que se dizem "gospel", porém, encontramos muitas frases que exaltam mais o homem do que à Deus. Esta é a segunda música: Sal da terra e Luz do mundo: 


Mat 5.13-16, "Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus". 

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Você pode adquirir o livro. Entre no site: https://www.revistaimpacto.com.br/produto/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/ 


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Comentários

  1. Que texto maravilhoso. Confesso que foi impossível não se emocionar ao lê-lo. Meus parabéns!!

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