O Mundo invisível: DEUS e deuses

 


O mundo invisível: DEUS e os deuses

Michael Heiser


    Muita gente fica fascinada com o mundo sobrenatural e sobre-humano. Considere o setor de entretenimento nos anos recentes. Milhares de livros, programas de televisão e filmes da década passada abordaram anjos, extraterrestres, monstros, demônios, fantasmas, bruxas, magia, vampiros, lobisomens e super-heróis. Muitas das franquias dos filmes de sucesso em Hollywood retratam o mundo sobrenatural: X-Men, Os Vingadores, a série de Harry Potter, Super-homem e a saga do Crepúsculo. Programas de televisão tais como Fringe, Stranger Things e, é claro, Sobrenatural e Arquivo X, gozam de seguidores dedicados mesmo muito depois do encerramento de novos episódios. Aliás, estes assuntos sempre foram populares em contos, livros e arte, não é mesmo? Por quê?

    Uma resposta é por representarem a fuga do ordinário. Eles nos oferecem um mundo mais interessante e mais empolgante do que o nosso. Existe algo na luta entre o bem e o mal que, ampliada em escala cósmica, nos entusiasma. A luta épica dos heróis da Terra-Média (Gandalf, Frodo e cia.) contra Sauron, o Senhor das Trevas, na trilogia O Senhor dos Anéis vem cativando leitores (e por último frequentadores de cinema) há mais de cinquenta anos. Quanto mais o vilão for “de outro mundo”, mais espetacular é o triunfo. Em um nível diferente, as pessoas se atraem a outros mundos porque, como expressa o livro de Eclesiastes, Deus “pôs eternidade nos [nossos] corações” (Eclesiastes 3:11). Existe algo na condição humana que anseia por algo além da experiência humana comum—algo divino.

    O apóstolo Paulo descreveu este anseio também, ao ensinar que este procede de simplesmente estarmos vivos no mundo que Deus fez. A criação é testemunha de um Criador e, portanto, de um mundo além do nosso (Romanos 1:18-23). Aliás, Paulo disse que este impulso é tão poderoso que o ser humano precisou voluntariamente suprimi-lo (v. 18). No entanto, parece-me que não consideramos as histórias épicas da Bíblia da mesma forma que os nossos próprios contos de mundo sobrenatural nos livros, filmes e lendas.

    Existem motivos para isso que vão além da falta de efeitos especiais. Para alguns, os personagens da Bíblia são muito ordinários ou ultrapassados. Não nos parecem dinâmicos ou heroicos. Afinal de contas, são as mesmas pessoas e as mesmas histórias de escola dominical que aprendemos quando crianças. E, ainda por cima, tem a barreira cultural. É difícil nos identificarmos com aquilo que mais parece ser um desfile infindável de pastores da antiguidade e homens trajando “vestidos”—iguais aos atores na peça de natal da sua igreja.

    Contudo, eu creio que um fator ainda maior que contribui para que a ficção científica ou a fantasia sobrenatural captem a nossa imaginação com mais facilidade, deve-se à maneira como aprendemos a pensar sobre o mundo invisível da Bíblia. O que eu ouvi na igreja durante muitos anos não só pega o bonde andando, mas também transforma o sobrenatural em um assunto chato. E o pior é que o ensinamento da igreja enfraquece o mundo invisível e sobrenatural, tornando-o impotente.

    Muito do que os cristãos imaginam ser verdade quanto ao mundo invisível, não é. Anjos não têm asas. (Os querubins não contam, pois eles jamais foram chamados de anjos e são considerados criaturas. Anjos sempre aparecem em forma humana.) Demônios não têm chifres nem cauda, e não vivem aqui para nos fazer pecar (nós o fazemos, numa boa, por nós mesmos). Embora a Bíblia descreva, com todo o direito, a possessão demoníaca de formas horríveis, a inteligência maléfica tem coisas mais sinistras a fazer do que transformar as pessoas em fantoches de meia. E acima de tudo, anjos e demônios exercem papel secundário. A impressão é que a igreja nunca chega nos chefões, nem consegue captar o real plano deles.


Os Deuses São Reais


    No primeiro capítulo, eu perguntei se você crê, mesmo, no que a Bíblia diz. Considere, então, o seguinte teste surpresa: A Bíblia diz que Deus conta com uma força-tarefa de seres divinos que executam as Suas decisões, conhecida como a assembleia, concílio ou corte de Deus (Salmos 89:5-7; Daniel 7:10). Um dos versículos mais claros sobre o assunto se encontra em Salmo 82:1. A tradução da versão em inglês “Good News” expressa bem o conceito: “Deus preside no concílio celestial; na assembleia dos deuses Ele profere a Sua decisão.” Se você pensar bem, é um versículo surpreendente! Ele me embaralhou todo, na primeira vez que realmente o li com atenção. Porém, o versículo significa o que diz, plena e claramente. Como qualquer outro versículo, Salmo 82:1 precisa ser entendido no contexto de tudo o mais que a Bíblia diz— no caso, o que ela diz a respeito dos deuses e como este termo precisa ser definido.

    A palavra original para “deuses,” traduzida do hebraico, é elohim. Muitos de nós pensamos, durante tanto tempo, que elohim significasse especificamente um dos nomes de Deus, o Pai, que talvez seja até difícil pensarmos nesta palavra dentro de um significado mais amplo. No entanto, a palavra se refere a qualquer habitante do mundo invisível espiritual. É por isso que ela se aplica ao próprio Deus (Gênesis 1:1), a demônios (Deuteronômio 32:17), e a alma de seres humanos após a morte (1 Samuel 28:13). Para a Bíblia, qualquer ser desincorporado, que resida no mundo espiritual, é um elohim.

    O termo hebraico não se refere a um conjunto específico de atributos que só Deus possui. A Bíblia distingue Deus de todos os outros deuses de outras maneiras, mas não usando a palavra elohim. Por exemplo, a Bíblia comanda que os deuses adorem o Deus da Bíblia (Salmo 29:1). Ele é o seu Criador e Rei (Salmo 95:3; 148:1-5). Salmo 89:6-7 (PTNVI) diz: “Pois quem nos céus poderá comparar-se ao Senhor? Quem entre os seres celestiais assemelha-se ao Senhor? (1 Reis 8:23; Sl. 97:9). No concílio dos santos Deus é temível.” Os escritores da Bíblia são bem francos quanto a não existir outro igual ao Deus de Israel—Ele é o “Deus dos deuses” (Deuteronômio 10:17; Sl. 136:2).

    Estes seres no “concílio dos santos” são reais. No primeiro capítulo deste livro, eu citei uma passagem em que Deus Se reuniu com o Seu exército celestial para decidir um meio de Se livrar do rei Acabe. Naquela passagem, o mundo espiritual é real e que nele habitam Deus e os seres espirituais que Ele criou (tais como os anjos), então temos que admitir que a força-tarefa sobrenatural de Deus, descrita nos versículos que citei acima e em muitos outros, também é real. Caso contrário, afirmamos “realidade espiritual” só da boca para fora. E, já que a Bíblia identifica estes membros do concílio divino como espíritos, sabemos que os deuses não são apenas ídolos de pedra ou de madeira. Não são estátuas que trabalham para Deus em um concílio celestial. Está certo que as pessoas da antiguidade que adoravam deuses rivais fabricavam ídolos. Mas elas sabiam que os ídolos que construíam com as suas próprias mãos não tinham poder de verdade. Na mentalidade deles, aqueles ídolos artesanais eram apenas objetos que os deuses ocupavam para receber sacrifícios e conceber conhecimento aos seus seguidores—aqueles que realizavam rituais, solicitando que os deuses se aproximassem deles e passassem a residir no ídolo.


A Estrutura e os Negócios do Concílio


    Os deuses do Salmo 82:1 são chamados de “filhos do Altíssimo [Deus]” no versículo posterior (v.6). Os “filhos de Deus” aparecem várias vezes na Bíblia, geralmente na presença de Deus (como em Jó 1:6, 2:1). Jó 38:7 relata que eles estavam presentes quando Deus começou a formar a terra e a criar a humanidade.

    Interessante, isso. Deus chama estes seres espirituais de filhos. Já que Ele os criou, a linguagem de “família” se aplica, da mesma forma que você se refere aos seus descendentes como o seu filho ou sua filha, pois participou em gerá-los. Todavia, além de ser Pai, Deus também é o Rei deles. No mundo antigo, os reis, de um modo geral, reinavam por intermédio de seus familiares. O reinado era transferido para os herdeiros. Domínio era um negócio de família. Deus é o Senhor do Seu concílio. E aos Seus filhos incumbem-se os mais altos cargos, devido ao relacionamento que têm com Ele. Porém, como argumentaremos em todo este livro, algo aconteceu: alguns deles se tornaram desleais.

    Os filhos de Deus também são responsáveis por decisões. Aprendemos em 1 Reis 22 (como em muitas outras passagens) que o negócio de Deus incluía interação com a história humana. Quando Deus determinou que havia chegado a hora do perverso Acabe morrer, deixou que a decisão do método ficasse a cargo do Seu concílio. As reuniões do concílio divino em Salmos 82 e 1 Reis 22 não são as únicas que se associam a nós na Bíblia. Algumas delas determinaram a sorte de impérios.

    Em Daniel 4, Nabucodonosor, o rei da Babilônia, foi castigado por Deus com uma insanidade temporária. A sentença foi proferida “pelo decreto do Altíssimo” (Daniel 4:24) e “o decreto dos sentinelas” (Daniel 4:17). Sentinela (vigia, vigilante) era o termo usado para denotar seres divinos no concílio de Deus, referindo-se ao seu estado de vigilância permanente quanto aos interesses da humanidade; ou seja, eles nunca dormiam. Estes cenários bíblicos das sessões do concílio divino deixam claro que os membros do concílio de Deus participam do governo Dele. Em alguns casos, pelo menos, Deus decreta o que deseja realizar, mas atribui aos Seus agentes sobrenaturais a liberdade de decidir os meios.

    Os anjos também participam do concílio de Deus. Nas línguas originais da Bíblia, os termos traduzidos para anjo, tanto no Antigo como no Novo Testamento, significam, na realidade, mensageiro. A palavra anjo é, basicamente, uma descrição do cargo. Os anjos entregam mensagens para as pessoas. Aprenderemos mais a respeito dos anjos e seus deveres—bem como os deveres dos outros membros do concílio de Deus—mais adiante, no livro.


S. Heiser, Michael. Sobrenatural: O que a Bíblia ensina a respeito do mundo invisível — e porque isso é tão importante! (Portuguese Edition) (p. 18). Edição do Kindle.


Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé́. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.


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Você pode adquirir o livro. Entre no site: https://www.revistaimpacto.com.br/produto/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/ 

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