O que é a Imaginação Profética?
O poder da imaginação poética dos profetas
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“Embora os profetas estejam caracteristicamente imersos em crises públicas, eles não são primariamente agentes políticos em qualquer sentido direto e raramente encorajam uma política específica. Nem são ativistas sociais, contrariamente à opinião liberal popular. Eles são mais caracteristicamente “proclamadores” e, até que desenvolvimentos posteriores alterem seu modo de agir, eles geralmente falam com toda a evasão e o poder imaginativo da poesia”
(Walter Brueggemann. Teologia do Antigo Testamento. Paulus. 2014. p. 810)
Iremos trabalhar neste pequeno artigo de Bruggemann e estabelecer alguns pontos relevantes, procurando exemplos nos profetas de Israel. Os profetas não podem ser classificados como representantes de grupos que se estabelecem na sociedade. Mesmo que esses movimentos levantem uma bandeira autointitulada religiosa, soberana ou de definição social. Como Bruggemann coloca, os profetas são “proclamadores” de um estado fora da realidade humana com exercício celeste. Eles vivem entre nós, mas respiram o ar santo que toma toda atividade divina. Por isso seus pulmões expõe um olhar que homem nenhum consegue prever.
Neste pensamento podemos lembrar de um episódio com o profeta Micaías. Dois Reis estavam reunidos para decidirem se iriam para a guerra. Os Reis eram Josafá e Acabe. Vamos ler:
IRs 22.5, “Disse mais Josafá ao rei de Israel: Consulta primeiro a palavra do SENHOR. Então, o rei de Israel ajuntou os profetas, cerca de quatrocentos homens, e lhes disse: Irei à peleja contra Ramote-Gileade ou deixarei de ir? Eles disseram: Sobe, porque o Senhor a entregará nas mãos do rei”.
Haviam quatrocentos profetas que apoiavam a decisão do Rei. Esses profetas profetizavam a favor de irem a guerra, pois o “Senhor daria vitória aos Reis”. O Rei Acabe se agradava com essas palavras, pois esses profetas estavam a mercê do seu poder. Inseridos totalmente em seu contexto. Porém o Rei Josafá tinha um certo receio com esses profetas.
Note como eles estão inseridos profundamente na “realidade” do Rei e isso envolve estarem por completo com suas vidas; desde o comer, serem sustentados, prover para a família, estarem no ensino das normas, no aprendizado dos cidadãos, estabelecendo uma maneira de viver, participando dos julgamentos e provendo uma concepção da realidade, tanto nos negócios, como na criação das inovações, em decisões importantes e conselhos que mudariam por completo a realidade das pessoas, tanto na cultura como na interpretação dos fatos e acontecimentos. Essa seria a base desses profetas para profetizarem.
A inspiração de profetizar destes homens viria da realidade que viviam e dependendo do “profeta”, sua profecia seria na verdade uma boa análise. Essa palavra poderia ser muito boa e até assertiva, pois existem muitos homens com poder superior nos conselhos de forma assertiva, tanto na guerra ou nos negócios, como na saúde ou na cultura, também musica ou politica. Obviamente tudo misturado com uma realidade mística. Mas isso não tem nada a ver com a profecia Bíblica e a atuação dos verdadeiros profetas. Observe como os profetas faziam uma “espécie de apresentação” aos Reis em publico:
IRs 22.10-12, “O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, estavam assentados, cada um no seu trono, vestidos de trajes reais, numa eira à entrada da porta de Samaria; e todos os profetas profetizavam diante deles. Zedequias, filho de Quenaana, fez para si uns chifres de ferro e disse: Assim diz o SENHOR: Com este escornearás os siros até de todo os consumir. Todos os profetas profetizaram assim, dizendo: Sobe a Ramote-Gileade e triunfarás, porque o SENHOR a entregará nas mãos do rei”.
O profeta verdadeiro de DEUS está respirando em uma outra realidade, pois é transportado pra ter inspiração no Trono de Deus e participar do Conselho divino. Por isso que a Palavra que transmitem possui um aspecto diferencial. São Profetas autênticos de – YHWH.
No livro de A.W. Tozer – Voz de um Profeta – Ele desenvolve detalhadamente como Deus molda um homem para ser Seu porta-Voz. Basicamente, o Senhor retira o homem desta realidade; que se compreende como a concepção da vida, de uma análise social, na interpretação dos fatos, nos julgamentos pré-estabelecidos porque sempre há um pressuposto, ou uma criatividade segundo o gosto pessoal, estabelecido pela própria família ou pela cultura.
DEUS retira um homem batizado nessa realidade mundana para mergulhá-lo na fonte Santa que brotará Palavras vindas do Trono de Deus no coração de Seus profetas. Vamos observar alguns pontos em que Tozer explica usando a vida de Moisés:
“Um momento decisivo preparou Moisés para a sua grande obra. Esse servo recebeu o entendimento do sagrado... Antes de se tornar o emancipador do povo judeu, um líder politico e mestre de sua época, Moisés teve uma educação primorosa em toda a sabedoria dos egípcios. Ele recebeu tudo o que o Egito podia conceder a um homem. Entretanto, ele adquiriu um conhecimento muito mais desejável do que a educação dada pelos principais mestres egípcios. Ele foi à escola do silêncio...Ele recebeu uma preparação específica, sem a qual não poderia ter realizado sua grande obra. Jeová foi Se encontrar face a face com ele, a fim de ensinar-lhe o sentido do sagrado. O Senhor se manifestou na sarça ardente, e Moisés ajoelhou-se ao ouvi- Lo. Ele O viu, sentiu e experimentou nesse encontro, e Jeová o incumbiu de libertar Israel, receber a Lei e organizar a maior nação do mundo da qual descenderia o Messias. Ele foi capaz de tantos feitos porque se encontrou com Deus no fogo”.
(A.W.Tozer. Voz de um profeta. Graça editorial. Rio de Janeiro: 2018. p.154).
Moisés precisou ser arrancado da realidade gritante do Egito para ser transformado na realidade de Deus. Assim são os profetas. Deus os chama a esse local Sagrado. Mas não se trata apenas de uma localidade e sim de uma transformação no coração do profeta: “Mete, agora, a mão no peito. Ele o fez; e, tirando-a, eis que a mão estava leprosa, branca como a neve. Disse ainda o SENHOR: Torna a meter a mão no peito. Ele a meteu no peito, novamente; e, quando a tirou, eis que se havia tornado como o restante de sua carne” (Ex4.6,7). O Senhor tira essa “lepra” enraizada da cultura humana para impor com fogo Sua cultura santa.
Quando voltamos na história de Micaías, notamos que o profeta vive num local diferente dos outros profetas. Lembre-se do que estamos enfatizando. O local em que um profeta vive torna-se a inspiração para o que diz. Quando digo “local”, me refiro a realidade prevalecente na vida de um profeta. Se um homem está inserido por completo e valorizando essa realidade-mundo, obviamente suas inspirações serão favoráveis ao que vê. Iludido e companheiro de ideias que favorecem um reino que o alimenta e o protege. Esse profeta estará limitado a este mundo e viverá de analises e suposições. O profeta Micaías vive fora deste contexto e ao se manifestar, ele mesmo dirá sua posição e a inspiração de suas palavras:
IRs 22.19-25, “Micaías prosseguiu: Ouve, pois, a palavra do SENHOR: Vi o SENHOR assentado no seu trono, e todo o exército do céu estava junto a ele, à sua direita e à sua esquerda. Perguntou o SENHOR: Quem enganará a Acabe, para que suba e caia em Ramote-Gileade? Um dizia desta maneira, e outro, de outra. Então, saiu um espírito, e se apresentou diante do SENHOR, e disse: Eu o enganarei. Perguntou-lhe o SENHOR: Com quê? Respondeu ele: Sairei e serei espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas. Disse o SENHOR: Tu o enganarás e ainda prevalecerás; sai e faze-o assim. Eis que o SENHOR pôs o espírito mentiroso na boca de todos estes teus profetas e o SENHOR falou o que é mau contra ti. Então, Zedequias, filho de Quenaana, chegou, deu uma bofetada em Micaías e disse: Por onde saiu de mim o Espírito do SENHOR para falar a ti? Disse Micaías: Eis que o verás naquele mesmo dia, quando entrares de câmara em câmara, para te esconderes”.
Voltando novamente ao ensino de Brueggemann:
“Seus pronunciamentos não são evidentes por si mesmos quanto à sua relevância, mas eles falam em imagens e metáforas que visam perturbar, desestabilizar e convidar a percepções alternativas da realidade. Ao falar de imaginação, quero dizer a capacidade de construir, descrever e imaginar uma realidade fora dos retratos dominantes da realidade que são considerados como óbvios”.
Walter Brueggemann. Teologia do Antigo Testamento. Paulus. 2014. p. 810
2Rs 6.13-17, “Ide e vede onde ele está, para que eu mande prendê-lo. Foi-lhe dito: Eis que está em Dotã. Então, enviou para lá cavalos, carros e fortes tropas; chegaram de noite e cercaram a cidade. Tendo-se levantado muito cedo o moço do homem de Deus e saído, eis que tropas, cavalos e carros haviam cercado a cidade; então, o seu moço lhe disse: Ai! Meu senhor! Que faremos? Ele respondeu: Não temas, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles. Orou Eliseu e disse: SENHOR, peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O SENHOR abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu”.
Note como uma realidade-mundo é muito forte e prevalecente na mente humana, pois mesmo sendo um servo que andava com um grande profeta, recebendo orientações a cerca de uma realidade diferente. Está agora amedrontado por aquilo que presencia. Só após receber o milagre de ver o mundo dos Anjos, passa a crer na verdade que caminham os profetas. Então Brueggemann explica:
“O idioma poético e a qualidade elusiva da imaginação constituem, juntos, uma estratégia dos profetas para levar a comunidade ouvinte para fora da ideologia administrada, a qual frequentemente se identifica com a política e imaginação da realeza. Os profetas falam usando figuras chocantes e extremas porque desejam perturbar as construções “seguras” da realidade, as quais são patrocinadas e defendidas pelos formadores de opinião dominantes”.
Walter Brueggemann. Teologia do Antigo Testamento. Paulus. 2014. p. 810
A resposta do profeta Eliseu a investida do inimigo contra a sua vida mostra como os profetas caminham numa administração diferente. Ele fere os inimigos de Deus não para matá-los, mas para usá-los como demonstração de paz, ou termino de uma guerra. Os soldados são levados cegos até o Rei de Israel, porém são bem tratados e devolvidos ao Rei da Síria. Essa ordem de Eliseu era contrario aquilo que desejava o Rei de Israel. Porém, a forma de pensar do profeta está relacionada a essa administração celestial. A imaginação profética alimenta uma nova categoria de conduta que visa simplesmente inaugurar um novo pensamento social. Eles agem mediante a ordem divina que cria fundamentos como degraus para um plano inovador. Levando a sociedade para mais perto da vontade de Deus.
2Rs 6.18-23, “E, como desceram contra ele, orou Eliseu ao SENHOR e disse: Fere, peço-te, esta gente de cegueira. Feriu-a de cegueira, conforme a palavra de Eliseu. Então, Eliseu lhes disse: Não é este o caminho, nem esta a cidade; segui-me, e guiar-vos-ei ao homem que buscais. E os guiou a Samaria. Tendo eles chegado a Samaria, disse Eliseu: Ó SENHOR, abre os olhos destes homens para que vejam. Abriu-lhes o SENHOR os olhos, e viram; e eis que estavam no meio de Samaria. Quando o rei de Israel os viu, perguntou a Eliseu: Feri-los-ei, feri-los-ei, meu pai? Respondeu ele: Não os ferirás; fere aqueles que fizeres prisioneiros com a tua espada e o teu arco. Porém a estes, manda pôr-lhes diante pão e água, para que comam, e bebam, e tornem a seu senhor. Ofereceu- lhes o rei grande banquete, e comeram e beberam; despediu-os, e foram para seu senhor; e da parte da Síria não houve mais investidas na terra de Israel”.
Brueggemann prossegue: “Em seu pronunciamento de “expressões-limite” – ou seja, pronunciamentos que levam as pessoas ao limite de sua imaginação – os profetas caracteristicamente exibem sensibilidade aguda quanto a dois aspectos...
“Intensa consciência de aflição: Os profetas, estão intensamente conscientes da aflição, dor e disfunção presentes na comunidade que eles entendem para estar pronta para um desastre vindouro”.
O profeta tem uma maneira de estar ligado ao Trono de Deus com o coração, porém os seus pés estão na realidade deprimente de dor e sofrimento da humanidade. Por isso são homens como nos, mas transformados para ֲח ַבקּוּק pensarem e agirem de forma diferente. A indignação do profeta Habacuque explica esse ponto.
Hb 1.1-4, “Sentença revelada ao profeta Habacuque. Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? Por que me mostras a iniqüidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e a disputa aumenta. Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, porque o perverso cerca o justo, a justiça é torcida”.
Nessa estrutura de vivencia em que o profeta se locomove, estando ligado ao Trono de Deus e pisando nas estradas amargas da vida. Recebe por assim dizer a Palavra revelada que estabelece um novo modelo de imaginação. Sem a qual homem nenhum teria capacidade de pensar. O homem inerte na escuridão da desilusão e imerso na dor da consciência só pode produzir ou criar aquilo que lhe domina. Sua expressão será apenas pintar quadros da dor que lhe cerca. Nenhum pensamento fora dessa realidade surgirá, pois é incapaz de imaginar uma realidade diferente. Os profetas imaginam, pois, estão numa categoria a parte. Esse lugar que residem é regido por um Ser Supremo e em seu ar respira-se a pureza e a novidade de vida. Por isso podem dizer em meio a crise:
Hb 2.1,2, “Pôr-me-ei na minha torre de vigia, colocar-me-ei sobre a fortaleza e vigiarei para ver o que Deus me dirá e que resposta eu terei à minha queixa. O SENHOR me respondeu e disse: Escreve a visão, grava-a sobre tábuas, para que a possa ler até quem passa correndo”.
Hb 1.5, “Vede entre as nações, olhai, maravilhai-vos e desvanecei, porque realizo, em vossos dias, obra tal, que vós não crereis, quando vos for contada”.
Também podemos ver o exemplo do profeta Ezequiel que está junto de seus irmãos. Ele é um profeta aprovado por YHWH e mesmo assim pisa no mesmo chão que os escravos. Ele está sentindo a dor de seus irmãos. Morando no mesmo lugar, ouvindo as mesmas afrontas, sofrendo os mesmos flagelos no corpo e ainda antenado ao novo que se expressa pela imaginação dos profetas.
Ez 1.1, “Aconteceu no trigésimo ano, no quinto dia do quarto mês, que, estando eu no meio dos exilados, junto ao rio Quebar, se abriram os céus, e eu tive visões de Deus”.
Ez 8.1,2, “No sexto ano, no sexto mês, aos cinco dias do mês, estando eu sentado em minha casa, e os anciãos de Judá, assentados diante de mim, sucedeu que ali a mão do SENHOR Deus caiu sobre mim. Olhei, e eis uma figura como de fogo; desde os seus lombos e daí para baixo, era fogo e, dos seus lombos para cima, como o resplendor de metal brilhante”.
Esse ponto se explica no Salmo capitulo um e dois. Os Salmos usam a palavra “imaginação”, porém, essa palavra pode chegar perto da compreensão do que estamos trabalhando. Os dois Salmos são a explicação do que vemos na construção de reinos que se estabelecem contra o Ungido de Deus. São grandes cidades manipuladas por megacorporações que visam soberania contra o Altíssimo. Por isso querem quebrar qualquer tipo de submissão: “Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido, dizendo:" Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas” (Salm 2.2).
Mas não há reino sem um homem para criá-lo. Não há criação sem uma imaginação por de trás. Nisso o próprio Salmo responde: “Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs?” (2.1). Note a palavra “imaginar” que é Hagah que possui a ideia de imaginação, criação e invenção. Ou seja, os gentios imaginam e assim criam construções para ir contra o Filho de Deus. Sua inspiração são coisas vãs. A palavra riyq significa vazio ou vaidade. O fundamento do ímpio é o vazio de seu coração e o caminho que segue é a vaidade de acreditar poder construir algo contra os Céus. O exemplo disso é Ninrode construindo a torre de Babel: “Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra” (Gn 11.4).
Entretanto o Salmo um, fala do justo e a sua prática. Note que o Salmo dois está falando de um reino já estabelecido, onde reis conspiram contra o Ungido. Mas no Salmo um, fala destes ímpios que se reúnem para orquestrar suas imaginações. A Bíblia está descrevendo que o justo segue outro caminho mais elevado nessa imaginação e construção. Tendo as Escrituras como fundamento: “Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite” (Salm 1.2).
A palavra “medita” é a mesma de “imaginação”, Hagah que traz a ideia de pensar, inventar ou criar. Ou seja, o justo imagina dia e noite sobre a Lei de Deus e nessa meditação passa a criar, estabelecer e construir uma vida real louvável para Deus. A vida do justo começa desde o seu respirar até viver socialmente, construindo uma família ou uma cidade para morar.
Outro exemplo que podemos acrescentar na imaginação profética é a construção do Templo feito por Salomão, porém originária da inspiração de Davi:
ICron 28.11-13, “Deu Davi a Salomão, seu filho, a planta do pórtico com as suas casas, as suas tesourarias, os seus cenáculos e as suas câmaras interiores, como também da casa do propiciatório. Também a planta de tudo quanto tinha em mente (espírito), com referência aos átrios da Casa do SENHOR, e a todas as câmaras em redor, para os tesouros da Casa de Deus e para os tesouros das coisas consagradas; e para os turnos dos sacerdotes e dos levitas, e para toda obra do ministério da Casa do SENHOR, e para todos os utensílios para o serviço da Casa do SENHOR”.
Observe que a planta está inspirada em seu espírito, pois a palavra “mente” é rûach. Davi está criando a partir da inspiração em seu espírito que se manifesta em imaginações de criação palpável, vista e aperfeiçoada. O Templo sairá de uma imaginação profética para uma arquitetura visível onde as pessoas irão ver e tocar. Mas onde Davi teve essa ideia? Surgiu do nada ou quis imitar outro reino? A resposta desta pergunta nos leva a compreender a força e importância dos profetas. Pois o próprio Davi diz que tudo lhe foi dado por escrito:
“Tudo isto, disse Davi, me foi dado por escrito por mandado do SENHOR, a saber, todas as obras desta planta” (ICron 28.19)
Quem escreveu todas essas coisas para Davi? Ou, quem poderia “imaginar” essa construção que envolvia força e apresentação espiritual a todas as nações e conteúdo artístico, pois agora na Casa de Deus haveria música. Eis a resposta.
“Também estabeleceu os levitas na Casa do SENHOR com címbalos, alaúdes e harpas, segundo mandado de Davi e de Gade, o vidente do rei, e do profeta Natã; porque este mandado veio do SENHOR, por intermédio de seus profetas” (2Cron 29.25).
Enfatizemos novamente este ponto para compreender claramente. O texto diz que Davi recebeu uma planta da Casa de Deus e nela estabeleceu, deu um mandado, mandamento, para que tudo fosse construído; ou seja, o imaginativo passaria agora a ser visível; nele haveria turnos de levitas funcionando na Casa de Deus. Mas esse mandado, ou mandamento veio diretamente do Senhor por intermédio dos profetas. Por isso os verdadeiros profetas imaginam para construir o que se submeterá ao Senhor. Quando os profetas não estão falando, o ímpio está construindo, tanto arte como apresentação de vida contra o Altíssimo. A imaginação profética é o ponto de partida onde há inspiração divina para estabelecer na Terra meios visíveis onde o homem glorifica a Deus. Os profetas podem inspirar essa imaginação, pois vivem neste lugar santíssimo onde habita o Santo de Israel.
Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé́. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.


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