Estou farto da sua adoração

 


Estou farto da sua adoração

John Goldingay Isaías 1.1-20


    Acabamos de retornar a nossa casa, após o culto do Domingo de Ramos, na igreja, uma grande ocasião. Como de hábito, iniciamos com a distribuição de cruzes de palma; nunca considero como garantido que, na Califórnia, podemos confeccionar as cruzes com folhas de palmeiras que crescem nas imediações da igreja. A seguir, então, reencenamos os eventos do primeiro Domingo de Ramos, ao seguirmos em procissão pelas ruas vizinhas à igreja, retornando à entrada principal, entoando o hino característico dessa data, “Glória, louvor e honra a ti”. O momento mais comovente foi a leitura dramatizada do relato em Marcos sobre a última semana na vida terrena de Jesus, com os membros da congregação assumindo as diferentes partes, mas proferindo em uníssono aquelas terríveis palavras: “Crucifica-o!” Mais de um membro comentou que quase chegou às lágrimas, enquanto outra pessoa, que participou da liderança do culto comigo, disse: “Bem, com certeza foi um belo culto.”

    Então, cheguei em casa e li esse trecho no qual Deus pergunta ao povo de Judá qual a serventia da adoração deles. O problema não residia apenas nos sacrifícios externos — ele se refere às orações do povo. Deus não sugere que a adoração deles era apenas externa, não de coração. Ao que parece, eles eram sinceros em cada aleluia que proferiam. O problema estava na disparidade entre o que eles expressavam em seu coração, durante a adoração, e as suas ações fora do contexto da adoração. Deus os compara aos governantes e habitantes de Sodoma e Gomorra, pois os judaítas eram tão sensíveis em relação a Deus quanto foram aquelas duas cidades. Quando erguiam suas mãos a Deus em oração, tudo o que Ele via eram as mãos manchadas de sangue. O povo precisava de purificação. A comunidade não podia mais ser a espécie de cidade na qual as pessoas são maltratadas e oprimidas, com suas vidas ameaçadas por motivos que nada têm a ver com elas.

    Por serem uma comunidade assim é que os judaítas experimentaram o castigo de Yahweh dos Exércitos, descrito no parágrafo inicial. Isaías 1 é uma coletânea de mensagens do profeta em diferentes contextos, reunidas com o objetivo de introduzir o seu ministério como um todo. A tribulação relatada nesse primeiro parágrafo não ocorre no começo de seu ministério, mas próximo ao fim dele; a descrição aqui serve como introdução ao trabalho que o profeta desenvolveu. Quer saber o que o ministério de Isaías logrou, como a história termina? Bem, essa é a resposta. Então, o segundo parágrafo principal leva o leitor a um retorno aos motivos pelos quais tudo terminou daquela maneira.

    Isso ocorreu pela relação dos judaítas com o seu Pai celestial. Eles não são crianças, mas adolescentes e jovens adultos que fazem parte de uma família estendida, moradores de uma mesma vila. O pai ainda é a figura com maior autoridade; ele estabelece os padrões morais, mas os filhos deixam de prestar atenção às suas palavras. Desse modo, o pai precisa discipliná-los. Assim, eles acabaram como um filho individual que, apesar de castigado, está pedindo por mais punições. O retrato literal será pintado ao longo dos capítulos 37 e 38, que descrevem como os assírios atacam Judá e subjugam o povo. Os invasores assumem o controle de todas as cidades judaítas, com exceção de Jerusalém, que é deixada como a única cabana no meio da vinha, ou de um campo de melões com um abrigo para as pessoas vigiarem a plantação. O reino de Judá termina quase tão devastado quanto as cidades de Sodoma e Gomorra, outrora situadas no vale do Jordão, o que é plenamente justificável, pois os judaítas se comportaram como os habitantes daquelas duas cidades.

    Por um momento, devemos retornar à abertura do livro. Ela descreve os capítulos que vêm a seguir como se fosse uma visão. Não se trata de algo imaginado por Isaías, mas de uma visão com respeito a “Judá e Jerusalém”. Essa expressão, regularmente, é uma referência à comunidade em Judá após o exílio e, portanto, convida os leitores naquele contexto posterior a ver que a mensagem de Isaías é dirigida a eles, não apenas às pessoas que viviam nos dias do profeta. Essa introdução estabelece o próprio ministério de Isaías no contexto dos reinos de quatro reis. Era prática comum o rei nomear o seu sucessor (em geral, um de seus filhos) e torná-lo corregente, muito antes de o monarca principal morrer, o que asseguraria uma sucessão suave. As circunstâncias se tornaram mais complicadas para Uzias porque ele contraiu uma doença de pele, normalmente conhecida como lepra, o que o impedia de cumprir suas funções públicas. Assim, muito cedo em seu reinado, ele nomeou Jotão, o seu filho, como corregente; na verdade, provavelmente, Jotão faleceu antes mesmo de seu pai. Então, Acaz, filho de Jotão, assumiu a corregência. Por motivos práticos, dos reis presentes nos capítulos 1—39, os mais relevantes são Acaz e, depois, Ezequias. Uma característica-chave desses reinados é a pressão política sobre Judá, resultante do desenvolvimento e das aspirações do Império Assírio, que gerou uma questão para Acaz diferente da gerada para Ezequias. A menção nominal aos quatro reis logo na abertura do livro, reforça a necessidade de compreendermos a mensagem de Isaías no contexto dos eventos do dia. O que Deus tem a dizer para o povo judaíta relaciona-se ao momento de vida no qual eles estão. Além disso, essa palavra é transmitida, especialmente, a um profeta; Isaías, filho de Amoz (não o Amós que aparece no livro que leva o seu nome, cuja grafia é diferente). Ela não cai dos céus sem a mediação humana, mas é proferida por meio de um ser humano que é, em si mesmo, uma parte importante da mensagem. O seu próprio nome estabelece o ponto: Isaías significa “Yahweh é libertação”.


Goldingay, John. Box Proféticos para todos (Portuguese Edition) (pp. 21- 24). Thomas Nelson Brasil. Edição do Kindle.


Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé́. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.


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