Urim e Tumim
Urim e Tumim
Ex 28.29-30, “Assim, Arão levará os nomes dos filhos de Israel no peitoral do juízo sobre o seu coração, quando entrar no santuário, para memória diante do SENHOR continuamente. Também porás no peitoral do juízo o Urim e o Tumim, para que estejam sobre o coração de Arão, quando entrar perante o SENHOR; assim, Arão levará o juízo dos filhos de Israel sobre o seu coração diante do SENHOR continuamente”.
O Urim e o Tumim são caracterizados como pertencentes a Deus, que confiou esses meios revelatórios a Levi, na pessoa do sumo sacerdote.
Dt 33.8, “De Levi disse: Dá, ó Deus, o teu Tumim e o teu Urim para o homem, teu fidedigno, que tu provaste em Massá, com quem contendeste nas águas de Meribá”.
Esperava-se do governante civil que indagasse Javé por meio do sumo sacerdote sobre todos os assuntos relacionados à execução do seu ofício.
Nm 27.21, “Apresentar-se-á perante Eleazar, o sacerdote, o qual por ele consultará, segundo o juízo do Urim, perante o SENHOR; segundo a sua palavra, sairão e, segundo a sua palavra, entrarão, ele, e todos os filhos de Israel com ele, e toda a congregação”.
Há consenso geral de que o uso de Urim e Tumim pode ser indicado pelo emprego do vb. “consultar a”, seguido por “Javé” ou “Deus” quando não é mencionado nenhum outro meio de revelação. Tal uso é encontrado em circunstâncias importantes, quando a revelação adicional era de vital importância. Não há nenhuma indicação clara de que esse meio oracular foi usado depois do tempo de Davi.
Jz 1.1, “Depois da morte de Josué, os filhos de Israel consultaram o SENHOR, dizendo: Quem dentre nós, primeiro, subirá aos cananeus para pelejar contra eles?”.
ISm 14.37, “Disse, porém, o sacerdote: Cheguemo-nos aqui a Deus. Então, consultou Saul a Deus, dizendo: Descerei no encalço dos filisteus? Entregá-los-ás nas mãos de Israel? Porém aquele dia Deus não lhe respondeu”.
ISm 23.2,4, “Consultou Davi ao SENHOR, dizendo: Irei eu e ferirei estes filisteus? Respondeu o SENHOR a Davi: Vai, e ferirás os filisteus, e livrarás Queila. Porém os homens de Davi lhe disseram: Temos medo aqui em Judá, quanto mais indo a Queila contra as tropas dos filisteus. Então, Davi tornou a consultar o SENHOR, e o SENHOR lhe respondeu e disse: Dispõe-te, desce a Queila, porque te dou os filisteus nas tuas mãos”.
O consenso presente é de que o Urim e o Tumim fossem uma forma de oráculo de sorte. Fatores importantes, porém, depõem contra isso.
ISm 14.41, “Falou, pois, Saul ao SENHOR, Deus de Israel: Mostra a verdade. Então, Jônatas e Saul foram indicados por sorte, e o povo saiu livre”.
Além disso, a terminologia associada ao lançar das sortes nunca é usada de forma não controversa com o Urim e o Tumim. Além disso, quando a revelação era dada, era sempre transmitida em termos de Deus falando e poderia conter mais do que uma resposta a uma questão em termos de informação ou nuances sutis de encorajamento.
ISm 10.22, “Então, tornaram a perguntar ao SENHOR se aquele homem viera ali. Respondeu o SENHOR: Está aí escondido entre a bagagem”.
IISm 5.23,24, “Davi consultou ao SENHOR, e este lhe respondeu: Não subirás; rodeia por detrás deles e ataca-os por defronte das amoreiras. E há de ser que, ouvindo tu um estrondo de marcha pelas copas das amoreiras, então, te apressarás: é o SENHOR que saiu diante de ti, a ferir o arraial dos filisteus”.
Jz 20.18, “Levantaram-se os israelitas, subiram a Betel e consultaram a Deus, dizendo: Quem dentre nós subirá, primeiro, a pelejar contra Benjamim? Respondeu o SENHOR: Judá subirá primeiro”.
Jz 20.23, “Antes, subiram os filhos de Israel, e choraram perante o SENHOR até à tarde, e consultaram o SENHOR, dizendo: Tornaremos a pelejar contra os filhos de Benjamim, nosso irmão? Respondeu o SENHOR: Subi contra ele”.
Jz 20.27,28, “E os filhos de Israel perguntaram ao SENHOR (porquanto a arca da Aliança de Deus estava ali naqueles dias; e Finéias, filho de Eleazar, filho de Arão, ministrava perante ela naqueles dias), dizendo: Tornaremos a sair ainda a pelejar contra os filhos de Benjamim, nosso irmão, ou desistiremos? Respondeu o SENHOR: Subi, que amanhã eu os entregarei nas vossas mãos”.
Parece que o dom de profecia estava envolvido nisso. Se aceitam “luz” e “perfeição” como o significado dos termos heb. e como descritivos do oráculo, o uso de Urim por si só pode indicar que luz fosse uma característica-chave ao receber-se uma revelação. Pode ser teorizado, a seguir, que em um tempo em que a autenticação dos sinais divinos não era desconhecida, a revelação era acompanhada por um sinal confirmatório de uma luz especial ou milagrosa (relacionadas à[s] pedra[s] preciosa[s]), constituindo o meio oracular de que a mensagem era realmente de Deus. É possível que fosse desse modo que “o julgamento do Urim [mispat hã Urim]” era dado.
Nm 27.21, “Apresentar-se-á perante Eleazar, o sacerdote, o qual por ele consultará, segundo o juízo do Urim, perante o SENHOR; segundo a sua palavra, sairão e, segundo a sua palavra, entrarão, ele, e todos os filhos de Israel com ele, e toda a congregação”.
O Urim e o Tumim pertenciam a Deus e somente ele podia fazer esse meio funcionar:
Dt 33.8, “De Levi disse: Dá, ó Deus, o teu Tumim e o teu Urim para o homem, teu fidedigno, que tu provaste em Massá, com quem contendeste nas águas de Meribá”.
Uma leitura literal sugere que o Urim e o Tumim provavelmente estivessem disponíveis, mas não funcionavam.
ISm 14.37, “Disse, porém, o sacerdote: Cheguemo-nos aqui a Deus. Então, consultou Saul a Deus, dizendo: Descerei no encalço dos filisteus? Entregá-los-ás nas mãos de Israel? Porém aquele dia Deus não lhe respondeu”.
Ed 2.62,63, “Estes procuraram o seu registro nos livros genealógicos, porém o não acharam; pelo que foram tidos por imundos para o sacerdócio. O governador lhes disse que não comessem das coisas sagradas, até que se levantasse um sacerdote com Urim e Tumim”.
Cornelis Van Dam. Dicionário Intern. de Teologia e Exegese do AT, Vol 1, (p. 353).
Também a esse respeito, o historiador Flávio Josefo comenta sobre as vestes do Sacerdote e o Urim e Tumim:
“É preciso, porém, acrescentar aqui uma coisa que eu havia omitido no que se refere às vestes do sumo sacerdote, e é que Deus, para impedir que os que usavam essas vestes, tão santas e tão magníficas, pudessem abusar dos homens sob o pretexto do dom da profecia, jamais lhes honrava os sacrifícios sem dar sinais visíveis de sua presença, não somente ao seu povo, mas também aos estrangeiros que lá se encontrassem. Quando lhe aprazia fazer esse favor, uma das duas sardônicas de que falei (e de cuja natureza seria inútil dizer algo, porque todos as conhecem bastante) — a que estava sobre o ombro direito do sumo sacerdote — lançava tal claridade que podia ser percebida de muito longe, o que, não lhe sendo natural e não acontecendo fora da ocasião, devia causar admiração àqueles que fingem parecer sábios, pelo desprezo que votam à nossa religião. Eis, porém, aqui, outra coisa ainda mais admirável. É que Deus se servia ordinariamente dessas doze pedras preciosas, que o sumo sacerdote trazia sobre o seu essém, ou racional, para pressagiar a vitória. Pois antes que se levantasse o acampamento, delas saía tão viva luz que todo o povo ficava sabendo que a soberana Majestade estava presente e prestes a ajudá-los. Isso faz com que todos dentre os gregos que não têm aversão pelos nossos mistérios e se persuadiram pelos seus próprios olhos desse milagre chamem o essém de logiom, que significa “oráculo”, ou “racional”. Mas quando comecei a escrever isto, havia duzentos anos que essa sardônica e esse racional não lançavam mais tal resplendor e luz, porque Deus está irritado conosco, por causa de nossos pecados, como direi em outro lugar. Vou agora retomar o fio da minha narração”.
Josefo, Flávio. História dos Hebreus (Portuguese Edition) (pp. 246-247). CPAD. Edição do Kindle.
Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Autor de vários artigos sendo disponibilizadas sempre no site “Lagrimasportuacausa”.


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