O início do Profetismo


 

O início do Profetismo

Eugene Merrill

@osprofetas_


    A instituição do profetismo parece ter sido estabelecida sob Samuel, mas a existência de profetas precedeu em muito a instituição formal, remontando pelo menos ao tempo de Abraão (Gn 20.7). O principal termo usado para descrever o profeta no Antigo Testamento é nābîʾ, uma palavra derivada, aparentemente, do acadiano nabû e que significa “proclamador” ou “prognosticador”.

    A sua definição pelo uso é vista mais claramente no relato do chamado de Moisés pelo Senhor para retornar ao Egito a fim de tirar seu povo de lá. Quando Moisés protestou que era inarticulado e, portanto, incapaz de confrontar o faraó, o Senhor respondeu prometendo enviar Arão, seu irmão.

“Você falará com ele e porá palavras na boca dele”, disse o Senhor, e “ele falará ao povo em seu nome, e será como se ele fosse a sua boca e como se você fosse Deus para ele” (Êx 4.15-16).

    Então, e de modo ainda mais específico, foi dito a Moisés: “Eu fiz você como Deus para o faraó, e seu irmão Arão será seu profeta [nābîʾ]” (Êx 7.1).

    O profeta então era um porta-voz de Deus, um mensageiro que o representava diante de outras pessoas. Essa mesma função do profeta é fartamente atestada em todo o mundo do antigo Oriente Médio.

    O profeta era uma espécie de embaixador dos deuses, alguém que professava falar por eles e, além disso, defender a sua causa. O profeta em vista na passagem em questão não vinha das nações pagãs, mas do próprio Israel.

    Isso demonstra a existência de falsos profetas mesmo entre o povo escolhido, um fato inicialmente articulado de forma clara aqui, mas exemplificado repetidas vezes na história subsequente de Israel (cf. Dt 18.9-14, 20-22; 1Rs 18.19; 22.6).

    Assim, poderia haver falsos profetas de falsos deuses ou mesmo falsos profetas do Senhor, o Deus único e sem igual. Um dos meios pelos quais os profetas recebiam revelações eram os sonhos, por isso aqui o profeta é definido ainda como um “sonhador de sonhos” (v. 1; cf. Gn 37.1-10; Nm 12.6).

    Esse epíteto mais tarde foi geralmente associado a falsos profetas, no entanto, e pode já ter conotações negativas para a passagem (cf. Jr 23.23-32; 27.9-10; 29.8). O fato de que ele podia realizar sinais e prodígios milagrosos por si só não o legitimava como um profeta do Senhor. Um “sinal” ou “prodígio milagroso” era qualquer tipo de ação ou ato sobrenatural realizado para autenticar seu realizador como representante de uma divindade.

    O exemplo mais conhecido de seu uso é o das pragas do Êxodo, que o Senhor permitiu que Moisés infligisse ao Egito como testemunho de seu ministério

divinamente concedido como líder e profeta (cf. Êx 4.8,21; 7.3; 11.9-10; Dt 4.34; 6.22; 7.19; 26.8).

    Mas essas demonstrações de poder também poderiam ser realizadas por falsos profetas, tornando assim impossível confiar apenas nelas como critérios para determinar a verdade. É por isso que o sinal ou maravilha precisava ser testado em comparação com a mensagem do profeta, pois somente quando a mensagem fosse consistente com toda a gama da revelação divina os milagres que a acompanhavam poderiam receber credibilidade.

Merrill, Eugene H.. Deuteronômio: comentário exegético (Portuguese Edition) (pp. 407- 408). Vida Nova. Edição do Kindle.


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