Escatologia. O Anticristo. Ponto de vista - PRETERISTA PARCIAL.



Harold R. Eberle e Martin Trench

Introdução

Quando os cristãos que cresceram sendo ensinados sobre a visão futurista ouvem a palavra “anticristo”, logo vêm à sua mente imagens de um governante maligno possuído por Satanás que em breve assumirá o controle do mundo e estabelecerá um governo mundial, um sistema econômico único e um sistema religioso falso[1].

Mas essa visão do anticristo está realmente na Bíblia?

“Os preteristas parciais não são obrigados a encaixar nenhuma passagem específica no futuro ou no passado. Eles tentam entender cada passagem em seu contexto e ambiente histórico. O preterista parcial procura indicações dentro do texto relacionadas ao momento histórico ao qual a passagem se aplica. Em seguida, ele considera o registro histórico para ver se existe algum evento histórico claro – e nesse caso, indivíduos na História – que corresponde à referência bíblica”.

Harold R. Eberle e Martin Trench

O Anticristo

A palavra “anticristo” é mencionada em apenas quatro passagens da Bíblia. Todas as quatro estão em 1 e 2 João. Veremos brevemente cada uma delas para aprender o que a Bíblia realmente diz sobre o anticristo, mas primeiramente você deve entender o quão pouco a Bíblia tem a dizer sobre esse assunto.
Alguns cristãos que foram ensinados de acordo com a visão futurista pensam que o livro de Apocalipse é sobre o anticristo vindouro e a sua atividade no mundo durante os últimos dias. Na verdade, a palavra “anticristo” não é mencionada nem sequer uma vez no livro de Apocalipse. Esse fator pode ser chocante para os cristãos que durante anos ouviram os ensinamentos futuristas. Afinal, o anticristo é discutido intensamente nesses círculos, e grande parte dessa discussão resulta do fato de igualarem o anticristo à besta mencionada em Apocalipse. Os preteristas parciais veem a besta mais precisamente como o Império Romano. Não vemos base justificável para associarmos o anticristo mencionado em 1 e 2 João à besta do Apocalipse. Como veremos nas próximas páginas, a descrição que a Bíblia nos dá do anticristo é muito diferente da descrição da besta do Apocalipse.
Os futuristas também gostam de associar o anticristo à figura mencionada em Daniel 9.27, que pôs fim ao sacrifício e às ofertas de grãos. Mas o anticristo nunca é mencionado em Daniel 9. É mais fácil entendermos que Jesus é Aquele que pôs fim aos sacrifícios e às ofertas de grãos.
Os futuristas também gostam de ver o anticristo em Mateus 24.15, na passagem em que Jesus se referiu ao “abominável da desolação”. Essa referência é entendida com mais precisão como os exércitos romanos que cercaram Jerusalém. Na verdade, Lucas registrou a mesma afirmação do nosso Senhor e nos disse claramente que o abominável da desolação se referia a esses exércitos (Lc 21.20).
A única outra passagem bíblica que os futuristas costumam usar para ensinar sobre o anticristo é 2 Tessalonicenses 2.3-10, em que Paulo fala sobre o homem da iniquidade (também chamado homem do pecado ou filho da perdição). Essa passagem também não tem nada a ver com um anticristo futuro, como veremos.

A descrição de João do anticristo

Para entender como João usa essa expressão, precisamos identificar o ambiente histórico no qual João estava vivendo e as pessoas a quem ele estava escrevendo suas cartas.
O principal ministério de João foi desenvolvido na Ásia Menor, que era o centro do gnosticismo, uma versão desviada do Cristianismo. Para entender o ministério de João precisamos entender primeiro como era essa seita do primeiro século.

O Gnosticismo do Primeiro Século

O fundamento do gnosticismo do primeiro século era uma visão na qual o mundo espiritual estava distintamente separado do mundo natural. O mundo espiritual era considerado bom, e o mundo natural era considerado corrupto. Quando os líderes que tinham essa visão do mundo tentaram abraçar o Cristianismo, eles concluíram que Deus não poderia ter se revestido de carne nem ter vindo a este mundo corrupto na forma de Jesus. Esse entendimento levou a diversos ensinamentos falsos sobre a natureza de Jesus. Pensar neste mundo natural como um mundo corrupto também os levou a crer que uma pessoa precisa ser muito espiritual para ser um bom cristão. Assim, eles desenvolveram entendimentos místicos e ensinaram que uma pessoa precisa ter conhecimentos secretos para compreender Deus. Daí veio a palavra gnosticismo, que significa literalmente “conhecimento”.
Durante o primeiro século, o gnosticismo assumiu muitas formas, mas um dos grupos gnósticos mais influentes rejeitou completamente o Antigo Testamento. Eles declararam que o Deus do AT era o diabo e que Jesus havia vindo para nos revelar um “Pai desconhecido”. Outros gnósticos ensinavam que os rituais do AT ainda eram válidos para os cristãos. Alguns eram ascéticos ao extremo e ensinavam o vegetarianismo, além de se oporem a qualquer expressão sexual – mesmo dentro do casamento – ao passo que outros ensinavam a “libertação de todas as leis e faziam orgias como parte de seus rituais”.
Um dos mestres gnósticos de maior destaque era um homem chamado Cerinto. Ele era um judeu que vivia na Ásia Menor, ensinando que Jesus era o filho de José e Maria, não nascido de uma virgem, mas um homem comum. Cerinto afirmava que um espírito celestial chamado “o Cristo” veio sobre Jesus no Seu batismo e o deixou na crucificação. Jesus havia trazido ensinamentos secretos que permitiriam que as pessoas vencessem a escravidão ao mundo físico, mas os costumes judaicos também tinham de ser observados. Aqueles que provassem ser fieis a esses ensinamentos e observâncias viveriam literalmente durante mil anos de prazeres sensuais. Esses ensinamentos de Cerinto floresceram por toda a Ásia Menor.
Os registros históricos nos dizem que João ficou tão horrorizado com os ensinamentos de Cerinto que em uma ocasião, quando João entrou no banhos públicos com os seus discípulos em Éfeso, ele viu Cerinto e correu para fora da casa dos banhos, advertindo aos seus discípulos de que a casa poderia desabar porque “Cerinto, o inimigo da verdade, está dentro ela”[1].         
Esse era o ambiente no qual João ministrava. A história nos conta que por volta do ano 150 D.C., um terço de todos os cristãos estava sob a influência do gnosticismo. Era uma seita enorme e uma grande preocupação para os pais da Igreja. E João estava na linha de frente dessa batalha.

João escreveu para corrigir os ensinamentos gnósticos.

Assim que tomamos conhecimento do ambiente histórico no qual João ministrava, podemos entender mais facilmente os seus escritos. Por exemplo, seu evangelho começa dizendo:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai (Jo 1.1,14).

Você percebe o quanto essa declaração é profunda? Pelo fato de os gnósticos acharem que o mundo natural era maligno, eles não podiam acreditar que Jesus pudesse ter sido Deus e ao mesmo tempo ter assumido a forma humana. Mas João ensinou ousadamente aos seus leitores que ele viu Jesus. Jesus era real. Jesus veio a este mundo. João declarou que Jesus é Deus e Jesus veio em carne.
João também estava se opondo ao gnosticismo quando escreveu suas duas primeiras epístolas. Primeiramente, ele começa com uma declaração que é diametralmente oposta à visão gnóstica de Jesus.

O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada) (IJo 1.1,2).

Você percebe como João está confrontando clara e vigorosamente o gnosticismo? João disse que ele e os outros apóstolos ouviram Jesus, o viram e o tocaram com as suas mãos. Jesus se manifestou neste mundo. Ele era Deus, e Ele veio em carne.
Essa batalha travada por João contra o gnosticismo é de conhecimento comum entre os estudiosos da Bíblia. Na verdade, qualquer estudante que leva a sério o entendimento dos escritos de João estará sempre consciente desse fato.

O anticristo em 1 e 2 João


É a partir desse entendimento histórico que devemos ler os escritos de João. Próximo à metade de sua primeira carta, o apóstolo advertiu acerca dos falsos profetas do gnosticismo:

Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora. Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo (IJo 4.1-3).

Sabendo que João estava dirigindo sua carta aos cristãos do primeiro século que estavam sendo influenciados pela cultura e pelo pensamento gnóstico, podemos entender sua advertência com relação aos muitos mestres e o cuidado de julgar cada um. A base mais fundamental para julgá-los, João declarou, diz respeito ao que eles ensinam sobre Jesus Cristo. Os verdadeiros profetas e mestres confessarão “que Jesus Cristo veio em carne”. Os falsos negarão esse fato e ou então negarão que Jesus veio de Deus.
Esse é o espírito ao qual João se referiu como anticristo. De acordo com João, o anticristo é um espírito ou – aquele que tem um espírito – que não confessa que Jesus veio em carne ou que Jesus veio de Deus.
De acordo com as palavras de João, quando esse anticristo esteve ativo na terra? João disse que ele “já estava no mundo”, isto é, ele estava ativo no primeiro século enquanto João estava vivo. Mais especificamente, João estava atribuindo a atividade do anticristo aos “muitos falsos profetas [que] têm saído pelo mundo”. De acordo com João, esses falsos profetas estavam ativos durante o período em que ele estava vivo.
Os preteristas parciais não são obrigados a encaixar nenhuma passagem específica no futuro ou no passado. Eles tentam entender cada passagem em seu contexto e ambiente histórico. O preterista parcial procura indicações dentro do texto relacionadas ao momento histórico ao qual a passagem se aplica. Em seguida, ele considera o registro histórico para ver se existe algum evento histórico claro – e nesse caso, indivíduos na História – que corresponde à referência bíblica.
Se adotarmos essa perspectiva ao lermos a passagem de 1 João, observaremos as duas referências de tempo que João faz no texto:

ü  1.“Têm saído pelo mundo”.
ü  2. “Já está no mundo”.  

Se nos propusermos a ler essas referências sem tentar encaixá-las nas nossas referências de tempo preconcebidas, concluiremos que não há dúvidas de que João estava escrevendo sobre um anticristo que estava ativo durante o período em que o apóstolo estava vivo.
Agora, vamos examinar as outras passagens que mencionam o anticristo.

Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora (IJo 2.18).

Nesse versículo, João não nos dá uma descrição ou uma definição do anticristo, mas ele amplia o nosso entendimento, dizendo que há muitos anticristos, não apenas um. Além disso, ele nos diz que eles já “apareceram”, isto é, durante o tempo em que João estava vivo.

Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho (IJo 2.22).

Essa descrição do anticristo é semelhante àquela que já vimos. O anticristo é aquele que nega que Jesus é o Cristo, negando também o Pai e o Filho.

Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo (2 João 1.7).

Observe a descrição de João do anticristo: o enganador que “não reconhece que Jesus veio em carne”. Percebe como João está lutando claramente contra o ensino herético do gnosticismo do primeiro século? João falava de um enganador que estava vivo no período em que o próprio João estava vivendo.
E isso e tudo. Não há nenhuma outra passagem na Bíblia que use a palavra “anticristo”.
Para os cristãos que estudaram o ambiente histórico dos escritos de João, é óbvio que ele está falando dos mestres gnósticos contra os quais estivera lutando durante o primeiro século. Em três das quatro passagens em que João se refere aos anticristos, ele os descreve como aqueles que negam que Jesus veio de Deus ou que Jesus veio em carne. Além do mais, em três das quatro passagens, João disse especificamente ao leitor que o anticristo estava ativo durante o período em que ele vivia, no primeiro século:

ü  1.“Agora muitos anticristos têm surgido” (IJo 2.18)
ü  2. “Presentemente, já está no mundo” (IJo 4.3)
ü  3. “Têm saído pelo mundo fora” (IJo 4.1)
ü  4.  “Têm saído pelo mundo fora” (IJo 1.7)

O Homem da Iniquidade


As pessoas leem a Bíblia com toda espécie de entendimentos predeterminados, por essa razão, temos de tomar muito cuidado ao examinar o que realmente o texto bíblico diz sobre esse homem da iniquidade.

Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus. Não vos recordais de que, ainda convosco, eu costumava dizer-vos estas coisas? E, agora, sabeis o que o detém, para que ele seja revelado somente em ocasião própria. Com efeito, o mistério da iniquidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém; então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda. Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos (2 Ts 2.3-10).

Para entender quem é ele, precisamos considerar o ambiente histórico das palavras de Paulo. A quem Paulo estava escrevendo? Ele estava escrevendo aos cristãos que viviam em Tessalônica. Paulo tinha um relacionamento com essas pessoas. Eram pessoas que Paulo sabia que iam entender as suas palavras. Ele não estava escrevendo mensagens misteriosas que confundiriam sua mente. Na verdade, Paulo indica (2 Ts 2.5, “Não vos recordais de que, ainda convosco, eu costumava dizer-vos estas coisas?”), que ele está esclarecendo as coisas sobre as quais já os havia ensinado verbalmente antes, enquanto estava presente com eles. Como teriam eles entendido as palavras do apóstolo?
A chave para nosso entendimento é o tempo em que esse homem da iniquidade estaria ativo. Paulo disse que a apostasia deveria vir em primeiro lugar, e ela veio durante o primeiro século.

Paulo nos deu outras referências de tempo para o homem da iniquidade quando escreveu:

E, agora, sabeis o que o detém, para que ele seja revelado somente em ocasião própria. Com efeito, o mistério da iniquidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém (2 Ts 2.6,7). 

Existem três referências aqui que nos dizem que o homem da iniquidade estava por perto durante o tempo em que Paulo vivia:

ü  1. “O que o detém”.
ü  2. “Já opera”.
ü  3. “Aquele que agora o detém”.

Paulo também disse aos Tessalonicenses: “sabeis o que o detém”, sugerindo que eles estavam familiarizados com esse homem da iniquidade e que ele tinha relação com as coisas que estavam acontecendo ao redor naquela época.
Além disso, sabemos que Paulo foi condenado à morte por volta do ano 68 D.C., de modo que ele devia estar escrevendo a respeito de algum governante da época ou anterior àquele período.
A quem, então, esse homem da iniquidade se refere? Na verdade, precisamos lhe dar três respostas. Naturalmente, sabemos que seria muito mais fácil se tivéssemos apenas uma resposta a oferecer, mas dúzias – talvez centenas – de indivíduos apresentaram suas propostas ao longo da história da Igreja indicando quem seria esse homem da iniquidade. Depois de intensos estudos, concluímos que existem três respostas diferentes que apresentam significativa credibilidade.
Pelo fato de que essa é apenas uma questão secundária e de que este livro não se concentra no homem da iniquidade, discutiremos apenas brevemente cada uma das três opções.

O Imperador Nero como Homem da Iniquidade

Primeiro, devemos considerar quem teria vindo à mente das pessoas a quem Paulo escreveu sua carta. Lembre-se de que Paulo estava escrevendo a pessoas reais que viviam na Ásia Menor. Naturalmente, hoje aceitamos a epístola de 2 Tessalonicenses como parte das Sagradas Escrituras e, portanto, podemos aplicar seus ensinamentos à nossa vida. Entretanto, precisamos ter em mente o ambiente histórico. Há 2 mil anos, quando Paulo estava escrevendo, ele dirigira sua carta a amigos e discípulos que passavam por tempos difíceis.
Se estivéssemos no lugar daqueles cristãos do primeiro século, é possível que tivéssemos igualado o homem da iniquidade ao Imperador Nero. É difícil imaginar qualquer pessoa mais iníqua do que ele. Como explicamos, ele matou muitos de sua família, inclusive chutou sua mulher grávida até a morte. Ele torturou e assassinou cristãos em grande quantidade e exigiu ser adorado como deus. Existem inscrições daquele período que se referiam a Nero como “Deus Todo-Poderoso” e “Salvador”. À luz desses fatos, parece que os tessalonicenses que leram a carta de Paulo em primeira mão concluíram facilmente que o homem da iniquidade era Nero.

“Pois o mistério da iniquidade já opera”. Ele fala aqui de Nero... (João Crisóstomo: Ancient Christian Commentary [Antigo Comentário Cristão], 2000, XI, p. 111)  

O que significa a declaração que diz que o mistério da iniquidade já opera? ...ele sempre esperou que suas palavras fossem entendidas como se aplicassem a Nero (Santo Agostinho: Citado em Apocalypse por Stuart).

João Levi como Homem da Iniquidade

John Bray, outro mestre de escatologia e escritor respeitado, defende um ótimo argumento de que o homem da iniquidade foi um homem do primeiro século chamado João Levi de Gischala[2].    
João Levi foi um líder entre os Zelotes, que estavam tentando derrubar o governo romano. Ele era iníquo no sentido de que se rebelou tanto contra o governo judeu quanto contra o governo romano. Quando Paulo escreveu sua carta aos tessalonicenses, João Levi estava ativo em Jerusalém incitando os judeus a se rebelarem contra Roma, mas ele foi detido por causa dos sacerdotes, particularmente por causa do sumo sacerdotes Ananias. João Levi de Gischala incitou os idumeus, também chamados de edonitas a se levantarem contra Jerusalém com 20 mil soldados. Eles realizaram um grande massacre, matando mais de 8 mil pessoas, inclusive o sumo sacerdote.
Quando o sumo sacerdote, isto é, aquele que detinha, foi morto, João Levi incitou os zelotes, juntamente com muitos outros judeus, a se revelarem contra o governo romano. Foi essa rebelião – predominante entre muitos judeus e depois provocada por João Levi – que fez com que Roma descesse sobre Jerusalém e a destruísse no ano 70 D.C.
João Levi também fez com que a provisão de milho da cidade fosse queimada, juntamente com outras provisões, e o resultado foi milhares de habitantes de Jerusalém morrendo de inanição enquanto os exércitos romanos sitiavam a cidade. Quando a cidade estava sendo atacada, João Levi e seus seguidores assumiram o controle do Templo. João contaminou o Templo usando os vasos sagrados e colocando um fim aos sacrifícios. Nesse sentido, ele estava tomando o lugar de Deus enquanto estava no Templo.
Quando o Templo foi queimado e derrubado ao chão, João Levi de Gischa sucumbiu junto com ele. John Bray afirma que esse foi o momento em que Jesus enviou seu julgamento e matou o homem da iniquidade.

O Homem Carnal como Homem da Iniquidade


Outra explicação razoável para o homem da iniquidade de Paulo não é uma pessoa, mas a humanidade como um todo em seu estado carnal e pecaminoso. Quando os cristãos ouvem isso pela primeira vez, costumam ter dificuldade até mesmo de conceber a ideia, porque sempre pensaram em uma pessoa quando imaginaram o homem da iniquidade. Entretanto, quando permitimos que nossa mente raciocine sobre os fatos a partir desses termos, descobrimos que pode fazer sentido.
Para considerar essa explicação, precisamos ver a humanidade dividida em dois grupos – os não salvos e os salvos, os que estão em Adão e os que estão em Cristo (Rm 5.12-21; 6.5,6; ICo 2.14; 3.1, 16; 12.12-14; 2Co 6.14-16; Ef 2.19-22; 4.22-24; Cl 3.5-11). Portanto, todo corpo coletivo de Adão é o homem do pecado. Como esse entendimento em mente, podemos ler a descrição de Paulo do homem da iniquidade:

O qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus (2 Ts 2.4)

Paulo pode estar explicando como as pessoas carnais rejeitam o verdadeiro Deus e se colocam como deuses. Na passagem anterior, Paulo também escreve como o homem carnal está sendo detido. Essa afirmação pode ser entendida como o efeito que os cristãos têm sobre o mundo, pois eles são o sal da terra e a luz do mundo. Um dia Jesus voltará, e então os verdadeiros crentes serão arrebatados com Ele. Naquele momento, Jesus removerá o que o impede e, assim, haverá a revelação do homem carnal. Será como a separação das ovelhas dos bodes ou do trigo do joio. Quando o povo de Deus for removido, o homem da iniquidade será revelado.

Então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda (2Ts 2.8)

Em Segunda Vinda Jesus aparecerá em glória; então Ele matará os maus e eliminará a carnalidade.

Bibliografia

·      Harold R. Eberle e Martin Trench. Escatologia Vitoriosa. Uma visão preterista parcial. Chara. Brasília (p. 213-228).  




Ronaldo José Vicente. É casado com Clarissa Alster Vicente e tem uma filha chamada Esther Alster Vicente. É Pastor da Igreja PorTuaCasa, localizada em São Paulo. É teólogo formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente, faz mestrado em Antigo Testamento pelo Andrew Jumper. Escritor, lançou um livro que se chama: “O Profeta em Israel e a Justiça Social”, lançado pela Editora Reflexão. Desenvolve seus artigos no blog:www.lagrimasportuacausa.blogspot.com.br. É músico (baterista), autor de várias composições. Exerce seu trabalho com sua banda chamada Templo de Fogo. 


Igreja PorTuaCasa. Localizada na Rua Almeria, 58 - Vila Granada - SP - CEP 03654-000 (Perto do metro Guilhermina - Esperança - Linha Vermelha).
Facebook: https://www.facebook.com/groups/374908422689555/ 


 "O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com)   - Adquira o livro clicando:  http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576 


Banda Templo (ICor 3.17) de Fogo (Hb 12.29)


CD – O VIDENTE


Este CD tem como característica fundamental a vida e a mensagem dos profetas do AT. Todas as músicas estão baseadas em textos das Escrituras. A música “o Vidente” baseia-se em uma linha de profetas do Antigo Israel chamados de Nabiy’, Chozeh e Ra’ah, Is 6.1-3; ISm 9.9; 16.1-13; Dn 7.1-8; Zc 3.1-10. (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-o-…). A música “Terra Especial” e “Alguém” conta a trajetória de Moisés com o povo de Israel rumo a Terra prometida (Ex 12.1-51; 14.1-31). A música “Jeremias 7” baseia-se nas advertências do profeta contra as perversidades dos religiosos (Jr 7.1-34). “Oséias, o profeta do amor” é poetizado com o intenso amor de Javé pelo seu povo (Os 1.2,9; 2.1; 11.1; 14.1,4). A música “Elias”, retratará o episódio no monte Carmelo, onde Javé responde com fogo no desafio entre Elias e os profetas de Baal (IRs 18.1-40). A música “Teu Querer” é uma balada baseada na doutrina da Eleição Incondicional – homens como (Paulo) e outros, impactados pela escolha soberana de Deus (At 9.3; Rm 8.29,30). A música “Confiar nos profetas” baseia-se neste texto das Escrituras: “...Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis...” – A música relata o contexto deste pronunciamento contando a história do Rei Josafá (2Cr 20.20). Por fim, temos a música do profeta “Joel”, especificamente com uma mensagem sobre “O Dia do Senhor”. Essa música fecha o CD com a profecia da volta de JESUS!

I. Você pode adquirir o CD no valor de 20,00 + custo de correios 8,00, total = 28,00
Você também pode adquirir o livro “o Profeta em Israel e a Justiça Social”. Este livro é do Pr Ronaldo José Vicente, baterista da banda. O livro foi a ideia inicial para o trabalho que se desenvolveu no CD (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-pr…)
II. Você pode adquirir o livro no valor de 30,00 + custo de correios 8,00, total = 38,00
III. Você pode adquirir o livro e + CD no valor de 50,00 + custo de correios 8,00, total = 58,00
Transferindo ou fazendo o depósito nas contas:

Banco Itaú. Ag 1664 Conta Corrente 28767-7 /Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
Banco Santander: Ag 0201 Conta Corrente 01062968-1/ Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
(envie o comprovante em in box para enviarmos o pedido).


[1] Pamphilius Eusebius, The History of the Church (Londres, England: Penguin Books, 1965), III, p. 28.
[2] John Bray, The Man of Sin of II Tessalonians 2 (Lakeland, FL: John Bray Ministry, 1997), pp. 27-41.

[1] O famoso mestre futurista, Jack Van Impe, escreveu: “A lógica nos diz que esse homem está vivo hoje, aguardando para entrar em ação”. (Millnnium: Beginning or End? [Nashville, TN: Word Publishing, 1999], p. 5).   

Comentários

  1. Muito bom , embora eu discorde da terceira e última explicação à respeito do Homem da Iniquidade , contudo , diante do exposto , eu achei muito bom mesmo . Graça e paz !

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