Escatologia. O Anticristo. Ponto de vista - PRETERISTA PARCIAL.
Harold R. Eberle e Martin Trench
Introdução
Quando os cristãos que
cresceram sendo ensinados sobre a visão futurista ouvem a palavra “anticristo”,
logo vêm à sua mente imagens de um governante maligno possuído por Satanás que
em breve assumirá o controle do mundo e estabelecerá um governo mundial, um
sistema econômico único e um sistema religioso falso[1].
Mas essa visão do anticristo está realmente na
Bíblia?
“Os preteristas parciais não são obrigados a
encaixar nenhuma passagem específica no futuro ou no passado. Eles tentam
entender cada passagem em seu contexto e ambiente histórico. O preterista
parcial procura indicações dentro do texto relacionadas ao momento histórico ao
qual a passagem se aplica. Em seguida, ele considera o registro histórico para
ver se existe algum evento histórico claro – e nesse caso, indivíduos na
História – que corresponde à referência bíblica”.
Harold R. Eberle e Martin Trench
O Anticristo
A palavra “anticristo” é mencionada em apenas
quatro passagens da Bíblia. Todas as quatro estão em 1 e 2 João. Veremos
brevemente cada uma delas para aprender o que a Bíblia realmente diz sobre o
anticristo, mas primeiramente você deve entender o quão pouco a Bíblia tem a dizer
sobre esse assunto.
Alguns cristãos que foram
ensinados de acordo com a visão futurista pensam que o livro de Apocalipse é sobre
o anticristo vindouro e a sua atividade no mundo durante os últimos dias. Na
verdade, a palavra “anticristo” não é mencionada nem sequer uma vez no livro de
Apocalipse. Esse fator pode ser chocante para os cristãos que durante anos
ouviram os ensinamentos futuristas. Afinal, o anticristo é discutido
intensamente nesses círculos, e grande parte dessa discussão resulta do fato de
igualarem o anticristo à besta mencionada em Apocalipse. Os preteristas
parciais veem a besta mais precisamente como o Império Romano. Não vemos base
justificável para associarmos o anticristo mencionado em 1 e 2 João à besta do
Apocalipse. Como veremos nas próximas páginas, a descrição que a Bíblia nos dá
do anticristo é muito diferente da descrição da besta do Apocalipse.
Os futuristas também gostam
de associar o anticristo à figura mencionada em Daniel 9.27, que pôs fim ao
sacrifício e às ofertas de grãos. Mas o anticristo nunca é mencionado em Daniel
9. É mais fácil entendermos que Jesus é Aquele que pôs fim aos sacrifícios e às
ofertas de grãos.
Os futuristas também gostam
de ver o anticristo em Mateus 24.15, na passagem em que Jesus se referiu ao “abominável da desolação”. Essa
referência é entendida com mais precisão como os exércitos romanos que cercaram
Jerusalém. Na verdade, Lucas registrou a mesma afirmação do nosso Senhor e nos
disse claramente que o abominável da desolação se referia a esses exércitos (Lc
21.20).
A única outra passagem
bíblica que os futuristas costumam usar para ensinar sobre o anticristo é 2
Tessalonicenses 2.3-10, em que Paulo fala sobre o homem da iniquidade (também
chamado homem do pecado ou filho da perdição). Essa passagem também não tem
nada a ver com um anticristo futuro, como veremos.
A descrição de João do
anticristo
Para entender como João usa
essa expressão, precisamos identificar o ambiente histórico no qual João estava
vivendo e as pessoas a quem ele estava escrevendo suas cartas.
O principal ministério de
João foi desenvolvido na Ásia Menor, que era o centro do gnosticismo, uma
versão desviada do Cristianismo. Para entender o ministério de João precisamos
entender primeiro como era essa seita do primeiro século.
O Gnosticismo do Primeiro
Século
O fundamento do gnosticismo
do primeiro século era uma visão na qual o mundo espiritual estava
distintamente separado do mundo natural. O mundo espiritual era considerado
bom, e o mundo natural era considerado corrupto. Quando os líderes que tinham
essa visão do mundo tentaram abraçar o Cristianismo, eles concluíram que Deus
não poderia ter se revestido de carne nem ter vindo a este mundo corrupto na
forma de Jesus. Esse entendimento levou a diversos ensinamentos falsos sobre a
natureza de Jesus. Pensar neste mundo natural como um mundo corrupto também os
levou a crer que uma pessoa precisa ser muito espiritual para ser um bom
cristão. Assim, eles desenvolveram entendimentos místicos e ensinaram que uma
pessoa precisa ter conhecimentos secretos para compreender Deus. Daí veio a
palavra gnosticismo, que significa literalmente “conhecimento”.
Durante o primeiro século, o
gnosticismo assumiu muitas formas, mas um dos grupos gnósticos mais influentes
rejeitou completamente o Antigo Testamento. Eles declararam que o Deus do AT
era o diabo e que Jesus havia vindo para nos revelar um “Pai desconhecido”. Outros
gnósticos ensinavam que os rituais do AT ainda eram válidos para os cristãos. Alguns
eram ascéticos ao extremo e ensinavam o vegetarianismo, além de se oporem a
qualquer expressão sexual – mesmo dentro do casamento – ao passo que outros
ensinavam a “libertação de todas as leis e faziam orgias como parte de seus
rituais”.
Um dos mestres gnósticos de
maior destaque era um homem chamado Cerinto. Ele era um judeu que vivia na Ásia
Menor, ensinando que Jesus era o filho de José e Maria, não nascido de uma
virgem, mas um homem comum. Cerinto afirmava que um espírito celestial chamado
“o Cristo” veio sobre Jesus no Seu batismo e o deixou na crucificação. Jesus
havia trazido ensinamentos secretos que permitiriam que as pessoas vencessem a
escravidão ao mundo físico, mas os costumes judaicos também tinham de ser
observados. Aqueles que provassem ser fieis a esses ensinamentos e observâncias
viveriam literalmente durante mil anos de prazeres sensuais. Esses ensinamentos
de Cerinto floresceram por toda a Ásia Menor.
Os registros históricos nos
dizem que João ficou tão horrorizado com os ensinamentos de Cerinto que em uma
ocasião, quando João entrou no banhos públicos com os seus discípulos em Éfeso,
ele viu Cerinto e correu para fora da casa dos banhos, advertindo aos seus
discípulos de que a casa poderia desabar porque “Cerinto, o inimigo da verdade,
está dentro ela”[1].
Esse era o ambiente no qual João ministrava. A
história nos conta que por volta do ano 150 D.C., um terço de todos os cristãos
estava sob a influência do gnosticismo. Era uma seita enorme e uma grande
preocupação para os pais da Igreja. E João estava na linha de frente dessa
batalha.
João escreveu para corrigir
os ensinamentos gnósticos.
Assim que tomamos
conhecimento do ambiente histórico no qual João ministrava, podemos entender
mais facilmente os seus escritos. Por exemplo, seu evangelho começa dizendo:
No
princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... E o
Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a
sua glória, glória como do unigênito do Pai (Jo 1.1,14).
Você percebe o quanto essa
declaração é profunda? Pelo fato de os gnósticos acharem que o mundo natural
era maligno, eles não podiam acreditar que Jesus pudesse ter sido Deus e ao
mesmo tempo ter assumido a forma humana. Mas João ensinou ousadamente aos seus
leitores que ele viu Jesus. Jesus era real. Jesus veio a este mundo. João
declarou que Jesus é Deus e Jesus veio em carne.
João também estava se opondo
ao gnosticismo quando escreveu suas duas primeiras epístolas. Primeiramente,
ele começa com uma declaração que é diametralmente oposta à visão gnóstica de
Jesus.
O que
era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos
próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao
Verbo da vida (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos
testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos
foi manifestada) (IJo 1.1,2).
Você percebe como João está
confrontando clara e vigorosamente o gnosticismo? João disse que ele e os
outros apóstolos ouviram Jesus, o viram e o tocaram com as suas mãos. Jesus se
manifestou neste mundo. Ele era Deus, e Ele veio em carne.
Essa batalha travada por João
contra o gnosticismo é de conhecimento comum entre os estudiosos da Bíblia. Na
verdade, qualquer estudante que leva a sério o entendimento dos escritos de
João estará sempre consciente desse fato.
O anticristo em 1 e 2 João
É a partir desse entendimento
histórico que devemos ler os escritos de João. Próximo à metade de sua primeira
carta, o apóstolo advertiu acerca dos falsos profetas do gnosticismo:
Amados,
não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de
Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora. Nisto
reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo
veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede
de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual
tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo (IJo 4.1-3).
Sabendo que João estava
dirigindo sua carta aos cristãos do primeiro século que estavam sendo
influenciados pela cultura e pelo pensamento gnóstico, podemos entender sua
advertência com relação aos muitos mestres e o cuidado de julgar cada um. A
base mais fundamental para julgá-los, João declarou, diz respeito ao que eles
ensinam sobre Jesus Cristo. Os verdadeiros profetas e mestres confessarão “que Jesus Cristo veio em carne”. Os
falsos negarão esse fato e ou então negarão que Jesus veio de Deus.
Esse é o espírito ao qual
João se referiu como anticristo. De acordo com João, o anticristo é um espírito
ou – aquele que tem um espírito – que não confessa que Jesus veio em carne ou
que Jesus veio de Deus.
De acordo com as palavras de
João, quando esse anticristo esteve ativo na terra? João disse que ele “já
estava no mundo”, isto é, ele estava ativo no primeiro século enquanto João
estava vivo. Mais especificamente, João estava atribuindo a atividade do
anticristo aos “muitos falsos profetas [que] têm saído pelo mundo”. De acordo
com João, esses falsos profetas estavam ativos durante o período em que ele
estava vivo.
Os preteristas parciais não
são obrigados a encaixar nenhuma passagem específica no futuro ou no passado.
Eles tentam entender cada passagem em seu contexto e ambiente histórico. O
preterista parcial procura indicações dentro do texto relacionadas ao momento
histórico ao qual a passagem se aplica. Em seguida, ele considera o registro
histórico para ver se existe algum evento histórico claro – e nesse caso,
indivíduos na História – que corresponde à referência bíblica.
Se adotarmos essa perspectiva
ao lermos a passagem de 1 João, observaremos as duas referências de tempo que
João faz no texto:
ü 1.“Têm saído pelo mundo”.
ü 2. “Já está no mundo”.
Se nos propusermos a ler
essas referências sem tentar encaixá-las nas nossas referências de tempo
preconcebidas, concluiremos que não há dúvidas de que João estava escrevendo
sobre um anticristo que estava ativo durante o período em que o apóstolo estava
vivo.
Agora, vamos examinar as outras passagens que
mencionam o anticristo.
Filhinhos,
já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora,
muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora (IJo
2.18).
Nesse versículo, João não nos
dá uma descrição ou uma definição do anticristo, mas ele amplia o nosso
entendimento, dizendo que há muitos anticristos, não apenas um. Além disso, ele
nos diz que eles já “apareceram”, isto é, durante o tempo em que João estava
vivo.
Quem é o
mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o
que nega o Pai e o Filho (IJo 2.22).
Essa descrição do anticristo
é semelhante àquela que já vimos. O anticristo é aquele que nega que Jesus é o
Cristo, negando também o Pai e o Filho.
Porque
muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus
Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo (2 João 1.7).
Observe a descrição de João
do anticristo: o enganador que “não
reconhece que Jesus veio em carne”. Percebe como João está lutando
claramente contra o ensino herético do gnosticismo do primeiro século? João falava
de um enganador que estava vivo no período em que o próprio João estava
vivendo.
E isso e tudo. Não há nenhuma
outra passagem na Bíblia que use a palavra “anticristo”.
Para os cristãos que
estudaram o ambiente histórico dos escritos de João, é óbvio que ele está
falando dos mestres gnósticos contra os quais estivera lutando durante o
primeiro século. Em três das quatro passagens em que João se refere aos
anticristos, ele os descreve como aqueles que negam que Jesus veio de Deus ou
que Jesus veio em carne. Além do mais, em três das quatro passagens, João disse
especificamente ao leitor que o anticristo estava ativo durante o período em
que ele vivia, no primeiro século:
ü 1.“Agora muitos anticristos têm surgido” (IJo
2.18)
ü 2. “Presentemente, já está no mundo” (IJo 4.3)
ü 3. “Têm saído pelo mundo fora” (IJo 4.1)
ü 4. “Têm
saído pelo mundo fora” (IJo 1.7)
O Homem da Iniquidade
As pessoas leem a Bíblia com
toda espécie de entendimentos predeterminados, por essa razão, temos de tomar
muito cuidado ao examinar o que realmente o texto bíblico diz sobre esse homem
da iniquidade.
Ninguém,
de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a
apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se
opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto
de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio
Deus. Não vos recordais de que, ainda convosco, eu costumava dizer-vos estas
coisas? E, agora, sabeis o que o detém, para que ele seja revelado somente em
ocasião própria. Com efeito, o mistério da iniquidade já opera e aguarda
somente que seja afastado aquele que agora o detém; então, será, de fato,
revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o
destruirá pela manifestação de sua vinda. Ora, o aparecimento do iníquo é
segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da
mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o
amor da verdade para serem salvos (2 Ts 2.3-10).
Para entender quem é ele,
precisamos considerar o ambiente histórico das palavras de Paulo. A quem Paulo
estava escrevendo? Ele estava escrevendo aos cristãos que viviam em
Tessalônica. Paulo tinha um relacionamento com essas pessoas. Eram pessoas que
Paulo sabia que iam entender as suas palavras. Ele não estava escrevendo
mensagens misteriosas que confundiriam sua mente. Na verdade, Paulo indica (2
Ts 2.5, “Não vos recordais de que, ainda
convosco, eu costumava dizer-vos estas coisas?”), que ele está esclarecendo
as coisas sobre as quais já os havia ensinado verbalmente antes, enquanto
estava presente com eles. Como teriam eles entendido as palavras do apóstolo?
A chave para nosso
entendimento é o tempo em que esse homem da iniquidade estaria ativo. Paulo
disse que a apostasia deveria vir em primeiro lugar, e ela veio durante o
primeiro século.
Paulo nos deu outras referências de tempo para
o homem da iniquidade quando escreveu:
E,
agora, sabeis o que o detém, para que ele seja revelado somente em ocasião
própria. Com efeito, o mistério da iniquidade já opera e aguarda somente que
seja afastado aquele que agora o detém (2 Ts 2.6,7).
Existem três referências aqui
que nos dizem que o homem da iniquidade estava por perto durante o tempo em que
Paulo vivia:
ü 1. “O que o detém”.
ü 2. “Já opera”.
ü 3. “Aquele que agora o detém”.
Paulo também disse aos
Tessalonicenses: “sabeis o que o detém”,
sugerindo que eles estavam familiarizados com esse homem da iniquidade e que
ele tinha relação com as coisas que estavam acontecendo ao redor naquela época.
Além disso, sabemos que Paulo
foi condenado à morte por volta do ano 68 D.C., de modo que ele devia estar
escrevendo a respeito de algum governante da época ou anterior àquele período.
A quem, então, esse homem da
iniquidade se refere? Na verdade, precisamos lhe dar três respostas.
Naturalmente, sabemos que seria muito mais fácil se tivéssemos apenas uma
resposta a oferecer, mas dúzias – talvez centenas – de indivíduos apresentaram
suas propostas ao longo da história da Igreja indicando quem seria esse homem
da iniquidade. Depois de intensos estudos, concluímos que existem três
respostas diferentes que apresentam significativa credibilidade.
Pelo fato de que essa é
apenas uma questão secundária e de que este livro não se concentra no homem da
iniquidade, discutiremos apenas brevemente cada uma das três opções.
O Imperador Nero como Homem
da Iniquidade
Primeiro,
devemos considerar quem teria vindo à mente das pessoas a quem Paulo escreveu
sua carta. Lembre-se de que Paulo estava escrevendo a pessoas reais que viviam
na Ásia Menor. Naturalmente, hoje aceitamos a epístola de 2 Tessalonicenses
como parte das Sagradas Escrituras e, portanto, podemos aplicar seus
ensinamentos à nossa vida. Entretanto, precisamos ter em mente o ambiente
histórico. Há 2 mil anos, quando Paulo estava escrevendo, ele dirigira sua
carta a amigos e discípulos que passavam por tempos difíceis.
Se estivéssemos no lugar
daqueles cristãos do primeiro século, é possível que tivéssemos igualado o
homem da iniquidade ao Imperador Nero. É difícil imaginar qualquer pessoa mais
iníqua do que ele. Como explicamos, ele matou muitos de sua família, inclusive
chutou sua mulher grávida até a morte. Ele torturou e assassinou cristãos em
grande quantidade e exigiu ser adorado como deus. Existem inscrições daquele
período que se referiam a Nero como “Deus Todo-Poderoso” e “Salvador”. À luz
desses fatos, parece que os tessalonicenses que leram a carta de Paulo em
primeira mão concluíram facilmente que o homem da iniquidade era Nero.
“Pois o
mistério da iniquidade já opera”. Ele fala aqui de Nero... (João Crisóstomo:
Ancient Christian Commentary [Antigo Comentário Cristão], 2000, XI, p. 111)
O que
significa a declaração que diz que o mistério da iniquidade já opera? ...ele
sempre esperou que suas palavras fossem entendidas como se aplicassem a Nero
(Santo Agostinho: Citado em Apocalypse por Stuart).
João Levi como Homem da
Iniquidade
John Bray, outro mestre de
escatologia e escritor respeitado, defende um ótimo argumento de que o homem da
iniquidade foi um homem do primeiro século chamado João Levi de Gischala[2].
João Levi foi um líder entre
os Zelotes, que estavam tentando derrubar o governo romano. Ele era iníquo no
sentido de que se rebelou tanto contra o governo judeu quanto contra o governo
romano. Quando Paulo escreveu sua carta aos tessalonicenses, João Levi estava
ativo em Jerusalém incitando os judeus a se rebelarem contra Roma, mas ele foi
detido por causa dos sacerdotes, particularmente por causa do sumo sacerdotes
Ananias. João Levi de Gischala incitou os idumeus, também chamados de edonitas
a se levantarem contra Jerusalém com 20 mil soldados. Eles realizaram um grande
massacre, matando mais de 8 mil pessoas, inclusive o sumo sacerdote.
Quando o sumo sacerdote, isto
é, aquele que detinha, foi morto, João Levi incitou os zelotes, juntamente com
muitos outros judeus, a se revelarem contra o governo romano. Foi essa rebelião
– predominante entre muitos judeus e depois provocada por João Levi – que fez
com que Roma descesse sobre Jerusalém e a destruísse no ano 70 D.C.
João Levi também fez com que
a provisão de milho da cidade fosse queimada, juntamente com outras provisões,
e o resultado foi milhares de habitantes de Jerusalém morrendo de inanição
enquanto os exércitos romanos sitiavam a cidade. Quando a cidade estava sendo
atacada, João Levi e seus seguidores assumiram o controle do Templo. João
contaminou o Templo usando os vasos sagrados e colocando um fim aos
sacrifícios. Nesse sentido, ele estava tomando o lugar de Deus enquanto estava
no Templo.
Quando o Templo foi queimado e
derrubado ao chão, João Levi de Gischa sucumbiu junto com ele. John Bray afirma
que esse foi o momento em que Jesus enviou seu julgamento e matou o homem da
iniquidade.
O Homem Carnal como Homem da
Iniquidade
Outra explicação razoável
para o homem da iniquidade de Paulo não é uma pessoa, mas a humanidade como um
todo em seu estado carnal e pecaminoso. Quando os cristãos ouvem isso pela
primeira vez, costumam ter dificuldade até mesmo de conceber a ideia, porque
sempre pensaram em uma pessoa quando imaginaram o homem da iniquidade.
Entretanto, quando permitimos que nossa mente raciocine sobre os fatos a partir
desses termos, descobrimos que pode fazer sentido.
Para considerar essa
explicação, precisamos ver a humanidade dividida em dois grupos – os não salvos
e os salvos, os que estão em Adão e os que estão em Cristo (Rm 5.12-21; 6.5,6;
ICo 2.14; 3.1, 16; 12.12-14; 2Co 6.14-16; Ef 2.19-22; 4.22-24; Cl 3.5-11).
Portanto, todo corpo coletivo de Adão é o homem do pecado. Como esse
entendimento em mente, podemos ler a descrição de Paulo do homem da iniquidade:
O qual
se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a
ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o
próprio Deus (2 Ts 2.4)
Paulo pode estar explicando
como as pessoas carnais rejeitam o verdadeiro Deus e se colocam como deuses. Na
passagem anterior, Paulo também escreve como o homem carnal está sendo detido.
Essa afirmação pode ser entendida como o efeito que os cristãos têm sobre o
mundo, pois eles são o sal da terra e a luz do mundo. Um dia Jesus voltará, e
então os verdadeiros crentes serão arrebatados com Ele. Naquele momento, Jesus
removerá o que o impede e, assim, haverá a revelação do homem carnal. Será como
a separação das ovelhas dos bodes ou do trigo do joio. Quando o povo de Deus
for removido, o homem da iniquidade será revelado.
Então,
será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de
sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda (2Ts 2.8)
Em Segunda Vinda Jesus
aparecerá em glória; então Ele matará os maus e eliminará a carnalidade.
Bibliografia
·
Harold
R. Eberle e Martin Trench. Escatologia Vitoriosa. Uma visão preterista parcial.
Chara. Brasília (p. 213-228).
Ronaldo José Vicente. É casado com Clarissa Alster Vicente e tem uma filha chamada Esther Alster Vicente. É Pastor da Igreja PorTuaCasa, localizada em São Paulo. É teólogo formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente, faz mestrado em Antigo Testamento pelo Andrew Jumper. Escritor, lançou um livro que se chama: “O Profeta em Israel e a Justiça Social”, lançado pela Editora Reflexão. Desenvolve seus artigos no blog:www.lagrimasportuacausa.blogspot.com.br. É músico (baterista), autor de várias composições. Exerce seu trabalho com sua banda chamada Templo de Fogo.
Igreja PorTuaCasa. Localizada na Rua Almeria, 58 - Vila Granada - SP - CEP 03654-000 (Perto do metro Guilhermina - Esperança - Linha Vermelha).
Facebook: https://www.facebook.com/groups/374908422689555/
"O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com) - Adquira o livro clicando: http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576
Banda Templo (ICor 3.17) de Fogo (Hb 12.29)
CD – O VIDENTE
Este CD tem como característica fundamental a vida e a mensagem dos profetas do AT. Todas as músicas estão baseadas em textos das Escrituras. A música “o Vidente” baseia-se em uma linha de profetas do Antigo Israel chamados de Nabiy’, Chozeh e Ra’ah, Is 6.1-3; ISm 9.9; 16.1-13; Dn 7.1-8; Zc 3.1-10. (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-o-…). A música “Terra Especial” e “Alguém” conta a trajetória de Moisés com o povo de Israel rumo a Terra prometida (Ex 12.1-51; 14.1-31). A música “Jeremias 7” baseia-se nas advertências do profeta contra as perversidades dos religiosos (Jr 7.1-34). “Oséias, o profeta do amor” é poetizado com o intenso amor de Javé pelo seu povo (Os 1.2,9; 2.1; 11.1; 14.1,4). A música “Elias”, retratará o episódio no monte Carmelo, onde Javé responde com fogo no desafio entre Elias e os profetas de Baal (IRs 18.1-40). A música “Teu Querer” é uma balada baseada na doutrina da Eleição Incondicional – homens como (Paulo) e outros, impactados pela escolha soberana de Deus (At 9.3; Rm 8.29,30). A música “Confiar nos profetas” baseia-se neste texto das Escrituras: “...Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis...” – A música relata o contexto deste pronunciamento contando a história do Rei Josafá (2Cr 20.20). Por fim, temos a música do profeta “Joel”, especificamente com uma mensagem sobre “O Dia do Senhor”. Essa música fecha o CD com a profecia da volta de JESUS!
I. Você pode adquirir o CD no valor de 20,00 + custo de correios 8,00, total = 28,00
Você também pode adquirir o livro “o Profeta em Israel e a Justiça Social”. Este livro é do Pr Ronaldo José Vicente, baterista da banda. O livro foi a ideia inicial para o trabalho que se desenvolveu no CD (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-pr…)
II. Você pode adquirir o livro no valor de 30,00 + custo de correios 8,00, total = 38,00
III. Você pode adquirir o livro e + CD no valor de 50,00 + custo de correios 8,00, total = 58,00
Transferindo ou fazendo o depósito nas contas:
Banco Itaú. Ag 1664 Conta Corrente 28767-7 /Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
Banco Santander: Ag 0201 Conta Corrente 01062968-1/ Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
Banco Santander: Ag 0201 Conta Corrente 01062968-1/ Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
(envie o comprovante em in box para enviarmos o pedido).
[1] Pamphilius Eusebius, The History of the Church
(Londres, England: Penguin Books, 1965), III, p. 28.
[2] John Bray, The Man of Sin of II
Tessalonians 2 (Lakeland, FL: John Bray Ministry, 1997), pp. 27-41.
[1] O famoso
mestre futurista, Jack Van Impe, escreveu: “A lógica nos diz que esse homem
está vivo hoje, aguardando para entrar em ação”. (Millnnium: Beginning or End?
[Nashville, TN: Word Publishing, 1999], p. 5).









Muito bom , embora eu discorde da terceira e última explicação à respeito do Homem da Iniquidade , contudo , diante do exposto , eu achei muito bom mesmo . Graça e paz !
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