Os dois fundamentos



Edificando sobre a rocha ou sobre a areia?

O homem prudente edifica a sua casa sobre a rocha – o homem insensato edifica a sua casa sobre a areia.

Introdução

“Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína” (Mt 7.24-27).

Todos os homens estão construindo?

Como podemos ter certeza que estamos construindo de maneira correta?

Como podemos ter garantia que estamos construindo na rocha e não na areia?

Algo que precisamos compreender é que todos os homens estão construindo. De alguma maneira, de algum modo, através de pequenos detalhes ou grande produções – os homens estão construindo um projeto de vida. O texto usa a palavra no grego οικοδομεω, oikodomeo que significa construir uma casa, erigir uma construção, fundar ou estabelecer. O foco da citação de Jesus não toma como base a construção em si, mas o fundamento dela. Como dissemos anteriormente, todos os homens estão construindo. Mas a pergunta chave é: em qual fundamento os homens estão construindo? Observe que a passagem está fechando as bem-aventuranças. Neste ponto, podemos concluir que o sermão do monte é o fundamento correto para construirmos. Cristo é o nosso fundamento. Cristo é a palavra exata e o ensino correto no qual devemos levantar a nossa obra.

“Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como prudente construtor; e outro edifica sobre ele. Porém cada um veja como edifica. Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo. Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo” (ICo 3.10-15).
  
1. O homem prudente e o homem insensato


Na passagem que estamos trabalhando, Jesus identifica o Filho de Deus como um construtor. Porém, o homem insensato também é um construtor. Precisamos entender em qual momento Cristo os diferencia. Isso é extremamente importante, porque nos levará a refletir sobre que tipo de cristianismo estamos vivendo.
Dois termos sãos usados: o homem prudente e o homem insensato. A palavra prudente é φρονιμος, phronimos; que significa um homem atento, inteligente. A palavra insensato é μωρος, moros; que significa um homem ímpio, incrédulo. Quando consideramos a palavra prudente nas Escrituras encontramos o momento em que ela é mencionada:

Quem é, pois, o servo fiel e prudente, a quem o senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo? Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens (Mt 24.45-47).

Nesta parábola Jesus está indicando total fidelidade. O servo aqui é um homem de confiança. Para ele foi entregue todos os recursos do Rei. Ele se mantém administrando corretamente. O servo recebe o nome de fiel, ou seja, um homem de credibilidade. Mas também, recebe o nome de um homem prudente – sábio, sincero, esperto e inteligente. Kistemaker comenta:

O servo demonstra duas características indispensáveis: fidelidade e prudência. Ele é digno de confiança porque quando diz sim, é sim, e quando diz não, é não. Seus conservos sabem que ele não falta à sua palavra. Podem confiar nele. Ele, também, é perspicaz, pois sabe antecipar os problemas, e está sempre preparado para enfrentá-los e resolvê-los, efetivamente. Com aparente facilidade, tem sempre o controle da situação (KISTEMAKER. 2011. p.117)

Note que Simon identifica as características no servo prudente que fazem razão ao seu nome. Este é o tipo de servo qualificado pelo livro de Mateus. Porém, o servo prudente só é habilitado porque ouve as palavras do seu Senhor e as põe em pratica. Assim os evangelhos diferenciam os filhos de Deus dos filhos das trevas. Os discípulos de Jesus colocam suas palavras em pratica; “Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; porque eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo. Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia” (Jo 12.47,48). Jesus ainda prossegue; “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras; e a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai, que me enviou”(Jo 14.23,24). Novamente podemos observar Simon dizer:

Uma pessoa que ouve as palavras de Jesus e as pratica é como o construtor prudente. E é tolo aquele que, ouvindo palavras de Jesus, não as obedece. Tal pessoa pode ser comparada ao construtor que constrói sua casa sobre a areia, ou sobre a terra, sem alicerce...Jesus queria que seus ouvintes não apenas ouvissem, mas também praticassem o que ele lhes havia dito. É insuficiente apenas ouvir as palavras de Jesus. Aquele que crê deve aceitar a palavra de Jesus e construir sua casa de fé apenas nele. Jesus é o fundamento sobre o qual o homem prudente constrói (KISTEMAKER. 2011. p.29). 

Este é o foco da passagem, a identificação daqueles que respondem ao Filho de Deus. Os filhos prudentes respondem ao chamado do evangelho, enquanto que os insensatos são resistentes. Em todo o sermão do monte, podemos apontar uma clara distinção entre aqueles que estão ouvindo, atendendo e praticando; enquanto que outros não ouvem e fazem o contrário do que Cristo ordena. A estes - Cristo os chama de falsos:

Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade (Mt 7.15-23).

São falsos, se disfarçam de ovelhas, ou seja, se vestem como, mas em seus corações são verdadeiros lobos. Eles também dão frutos, mas o fruto é mal. Na boca destes insensatos, o Santo nome Senhor! Senhor! É pronunciado. Mas não realizam a vontade do Senhor que clamam. Obras são realizadas em nome do Senhor, mas o próprio diz: Eu não conheço nenhum de vocês; porque praticam a iniquidade. Como já trabalhamos em artigos anteriores, a palavra iniquidade no grego é ανομια, anomia; que significa condição daquele que não cumpre a Lei, pois tem desprezo e assim pratica a maldade. O iniquo é alguém que vive uma cultura contrária a Lei de Deus. Esta é a definição do homem insensato. Ele está construindo, também é uma árvore que dá fruto. Entretanto, seu fruto é mal e sua construção é feita na areia. Ele é identificado como um falso e um lobo. É uma árvore má. É um homem insensato. Ryle comenta:

O homem que ouve o ensino cristão, mas nunca passa da mera fase do ouvir, assemelha-se a “um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia”. Contenta-se unicamente em ouvir e aprovar; porém, não vai além disso. Por ter alguns sentimentos, convicções e desejos de natureza espiritual ele imagina que vai tudo bem com sua alma. E nessas coisas que ele confia. Ele nunca rompe, de fato, com o pecado ou põe de lado o espírito mundano. Ele, na verdade, nunca se apropria de Cristo. Nunca toma realmente a sua cruz. É ouvinte da verdade, mas nada mais (RYLE. 2002. p. 52)

Ryle observa que o insensato não passa da fase de apenas ouvir. Ele ouve e aprova, porém seu limite é isso. Há sentimentos naquilo que ouve, há um certo ar de arrependimento, emoções envolvidas, mas quando envolve a dor, ele não está motivado a prosseguir. É apenas um ouvinte da verdade que evita viver a verdade através da cruz. O comentarista também menciona sobre o homem prudente:

Quem ouve o ensino cristão e põe em prática o que ouve, é como o “homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha”. Ele não se contenta em apenas ouvir exortações ao arrependimento, exortações a confiar em Cristo e a viver uma vida santa. Ele de fato se arrepende. Ele realmente crê. Ele realmente abandona a prática do mal, aprende a fazer o bem, abomina tudo que é pecaminoso e apega-se ao que é bom. Ele não só é um ouvinte, mas também é um praticante (Tg 1.22), (RYLE. 2002. p.51)

O cristão conforme Ryle explica, não se contenta em viver no patamar do ensino. Ele deseja viver mais. Ele não quer apenas ouvir sobre a santidade, ele quer ser santo. Ele não deseja apenas aprender sobre como ser um homem de testemunho justo na Terra – Ele quer ser este justo. O cristão não quer aprender como ser um bom marido, ele deseja ser um bom marido, um bom pai e um bom líder. O cristão realmente abandona a pratica do mal e sabe, que conquistar esse tipo de vida é só através de muita dor e sacrifício. Este é o caminho da cruz que ele não foge e não renuncia.

A grande verdade é que, o que custa pouco, vale pouco! Uma religião que nada nos custa, e que não consista em outra coisa, senão em ouvir sermões, sempre provará ser uma atividade inútil, por fim (RYLE. 2002. p.51).

2. Você não tem opção


Algo que precisamos entender é que o sermão do monte foi escrito para cristãos. O texto tem ênfases nos pontos importantes do nosso entendimento e caminhada cristã. Primeiramente podemos dizer: as bem-aventuranças caracteriza os cristãos. O texto é imperativo. Deus está dizendo como são os cristãos. Jesus está relatando como se comportam os cristãos. A Lei está nos relatando como devem andar os cristãos. Não podemos olhar as palavras de Jesus como uma opção entre outras opções possíveis e que elas tem a mesma importância. O texto é dominante para que sejamos santos. Essa é a única opção clara, principal e que desmonta totalmente qualquer outra opção. Vamos observar:

Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós (Mt 5.11,12).

Vós sois o sal da terra...(Mt 5.13).

Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte (Mt 5.14).

Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus (Mt 5.16).

Não podeis servir a Deus e às riquezas (Mt 6.24).

buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas (Mt 6.33).

Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela (Mt 6.13,14).

Peguei alguns versículos para termos compreensão da ordem de Jesus. Ele nos salvou, nos deu uma nova vida. Cristo simplesmente nos fez nova criatura: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (ICo 5.17). as bem-aventuranças simplesmente são um chamado de Deus dizendo – vivam como nova criatura. Vivam de forma santa pois eu Sou Santo:

porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo (1Pd 1.16).

A mesma ordem de Deus dada aos seus filhos, que envolve receber e viver como se deve é a ordem que Jesus fazia seus milagres. Note as ordens claras de Jesus para curar e fazer milagres:

E eis que um leproso, tendo-se aproximado, adorou-o, dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me. E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra (Mt 8.2,3).

Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados -- disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. E, levantando-se, partiu para sua casa (Mt 9.6,7).

Tiraram, então, a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste. Aliás, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para que creiam que tu me enviaste. E, tendo dito isto, clamou em alta voz: Lázaro, vem para fora! Saiu aquele que estivera morto, tendo os pés e as mãos ligados com ataduras e o rosto envolto num lenço. Então, lhes ordenou Jesus: Desatai-o e deixai-o ir (Jo 11.41-44).

Em todos estes textos podemos concordar. Quando Jesus disse as palavras; “fique limpo, levanta-te e toma o teu leito, Lázaro, vem para fora!”, existe no céu ou na Terra alguma força existente que poderia parar a ordem de Cristo? Alguém ou algo teria força para não obedecer? Todos concordariam. Nada no céu ou na Terra poderia deter a ordem de Jesus. Esta é uma ordem imperativa, dominante e sem opção. Se nós podemos admitir que nos milagres, as ordens de Cristo eram absolutas, porque não consentimos também, que as ordens nas bem-aventuranças são absolutas. Elas são! O mesmo Cristo que cura de maneira extraordinária é o mesmo Senhor que diz; “construa sobre a rocha. Ouça a minhas voz e a coloque-as em prática”. Wesley comenta:

Jesus havia declarado todo o conselho de Deus a respeito do caminho da salvação. Também havia observado os principais obstáculos aos que desejam andar no caminho da salvação. Agora conclui o sermão com essas importantes palavras. É como se estivesse colocando um selo em sua profecia. Está imprimindo toda a sua autoridade no sermão pregado para que permaneça firme por gerações. Jesus não queria que ninguém acreditasse haver outro caminho além desse (WESLEY. 2013. p.237).

As palavras de Wesley são a impressão do selo de Deus em nós para vivermos de uma maneira diferente. Por fim, Wesley diz que Jesus deseja mostrar apenas um caminho. O caminho dos filhos que se assemelham com Jesus. Wesley continua:

Num sentido, [a Perfeição Cristã] é a pureza de intenções, a entrega de toda a vida a Deus. É entregar a Deus todo o nosso coração; é ter um só desejo e um só desígnio a governar todos os nossos sentimentos. É consagrar não apenas uma parte, mas todo o nosso coração, corpo e substância a Deus. Num outro sentido, é ter toda a mente de
Cristo capacitando-nos a andar como Cristo andou. É a circuncisão do coração de toda a sujeira, toda a poluição tanto interna como externa. É a renovação do coração na inteira imagem de Deus, a plena semelhança dAquele que o criou. E ainda noutro sentido, é amar a Deus com todo o nosso coração, e ao próximo como a nós mesmos[1].

Os sábios constroem uma vida em Deus no entendimento dela resistir a tudo. Assim Carson diz:

A pessoa sábia representa aqueles que praticam as palavras de Jesus; eles também constroem para que sua construção resista a tudo. Os que fingem ter fé, que têm apenas um compromisso intelectual ou que desfrutam de Jesus em pequenas doses são construtores insensatos. Quando as tempestades da vida chegam, as estruturas deles não enganam ninguém, muito menos a Deus (cf. Ez 13.10-16) (CARSON. 2010. P.236).

Atentemos aquilo que o comentarista diz. A construção do sábio não é enganosa. O insensato pode enganar por um tempo, mas não resistirá. Os sábios não constroem para haver vanglória, constroem para resistir ao teste de Deus. As provações virão, mas os sábios constroem preparados para este tempo:

Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes... Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam. (Tg 1.2-4,12).

3. A tempestade virá para todos revelando o oculto


Algo importantíssimo que precisamos aprender com este texto. A tempestade virá para todos. Em algum momento de nossas vidas, numa fase inesperada, em um momento preciso – um vento forte passará pelas nossas construções. A tempestade revelará quem realmente somos. Note que no texto ambos construtores fazem o mesmo. Ambos são bons e realizam sua obra de maneira aparentemente boa. Na descrição de Jesus, a casa do insensato não é inferior a casa do homem prudente. Ambas as casas são visivelmente aprovadas. Entretanto, há um diferencial que ninguém consegue ver. Apenas com a vinda da tempestade, aquilo que estava oculto passa a ser visto. O alicerce. A tormenta destapa para que todos vejam o fundamento. John Stott comenta:

Da mesma maneira, os cristãos professos (os genuínos e os espúrios) frequentemente se parecem. Não podemos facilmente distinguir qual é qual. Ambos parecem estar edificando vidas cristãs. Jesus não está fazendo uma comparação entre cristãos e não-cristãos que não fizeram nenhum profissão de fé. Pelo contrário, o que é comum aos dois edificadores espirituais é que eles ouvem estas minhas palavras. Portanto, os dois são membros da comunidade cristã visível. Ambos leem a Bíblia, vão à igreja, ouvem os sermões e compram literatura cristã. O motivo por que tão frequentemente não podemos diferenciar um do outro é que os alicerces de suas vidas estão ocultos aos nossos olhos. A verdadeira pergunta não é se ouvem os ensinamentos de Cristo (nem mesmo se os respeitam ou creem neles), mas se fazem o que ouvem. Apenas uma tempestade revelará a verdade. Às vezes, uma tempestade de crises ou calamidades revela que tipo de pessoa somos, pois “a verdadeira piedade não se distingue totalmente de sua imitação até que venham as provações”. Caso contrário a tempestade do dia do juízo certamente o fará (STOTT. 2008. P.220).

A tempestade no qual Cristo menciona pode ser comparada a mesma provação que Tiago fala. Ela virá para todos, mas pode vir de uma maneira que não imaginamos. Para alguns a pobreza é mais insuportável do que para outros; entretanto, para alguns a riqueza é mais difícil de lidar do que para outros. Alguns sucumbem ao poder, outros a uma vida fácil. Muitos podem ceder a uma vida difícil de dor ou doenças; até a morte de alguém muito amado. Decepções, traições, desilusões e até sonhos frustrados – a tempestade pode vir de uma maneira inesperada. Essa força devastadora pode revelar o que realmente está em nosso coração.

Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual também já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade. Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece (Fp 4.10-13).

Através de todo texto que estamos trabalhando é mais fácil entendermos aquilo que Paulo diz: “tudo posso naquele que me fortalece”. Ou seja, com Cristo posso passar por todas as coisas, porque Ele é a minha força – Ele é a minha Rocha. Nele construo toda a minha vida. Cristo se torna minha casa inabalável.
O teste de Cristo não só revela minha obra, mas revela quem verdadeiramente sou. Acredito que todos já estudaram sobre a palavra hipócrita. O próprio sermão do monte combate esse comportamento: “E, quando orardes, não sereis como os hipócritas...” (Mt 6.5). A palavra hipócrita no grego é υποκριτης, hupokrites que quer dizer ator, artista de teatro, um dissimulador, impostor, ou seja, um hipócrita. A pergunta é: como identificar um hipócrita? Por aquilo que ele faz enquanto está vivendo uma certa realidade tranquila? De maneira alguma. Como a própria palavra diz; ele é um ator. O hipócrita só é revelado quando Deus deseja o revelar. Através da vinda de Deus sobre este. Deus vem e esquadrinha nosso coração:

Tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai e serve-o de coração íntegro e alma voluntária; porque o SENHOR esquadrinha todos os corações e penetra todos os desígnios do pensamento. Se o buscares, ele deixará achar-se por ti; se o deixares, ele te rejeitará para sempre. Agora, pois, atende a tudo, porque o SENHOR te escolheu para edificares casa para o santuário; sê forte e faze a obra (ICr 28.9,10).

O texto diz que Deus esquadrinha todos os corações e penetra em toda obra de imaginação criada no homem. Isso é aprofundar nos desígnios dos pensamentos do homem. Deus realmente nos conhece. Os hipócritas tentam relacionar-se com Deus até o último dia. Naquele Dia o próprio Cristo diz: “nunca vos conheci...” (Mt 7.23). O hipócrita que é um ator, conhece a roupa cristã e tenta se relacionar com Deus através deste ato. Cristo combateu isso. Deus ama os seus filhos porque os conhece: “...O Senhor conhece os que lhe pertencem...” (2Tm 2.19).

Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado (Lc 18.9-14).

Note neste texto que aqueles que se consideram justos estão em pé, oram segundo a roupas que vestem. Seguem um modelo aparentemente espiritual e pensam ser assim. Entretanto, o publicano nem levanta os olhos para o céu. Bate no peito e reconhece ser um pecador. Sejamos honestos. Como nos relacionamos com Deus? A tempestade é a vinda de Deus. Ele vem desmascarar o mundo. Por isso Ele é a Luz do mundo. Nada que há trevas permanecerá. Conforme o texto que usamos de Paulo aos coríntios; “Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará” (ICo 3). O fogo de Deus passará por nós e distinguirá se aquilo que somos ou a obra que realizamos tem algo de valioso. Mike Bickle comenta:

Nosso amor por Jesus deve ser testado e provado genuíno sob as pressões da vida. Existem duas aplicações para a tempestade que testa nossa fundação espiritual. Primeiro, pressões pessoais nesta vida revelam a genuinidade de nossa fé. Segundo, a avaliação de nossa vida no julgamento de Cristo irá revelar o verdadeiro caráter de nossa fé (1 Cor. 3:11-15) (BICKLE. 2010).

Conforme Mike diz; estaremos sendo revelados diante do nosso Senhor. As pressões da vida vindo da parte de Deus, devem denunciar aquilo que escondemos em nossos corações. Terminaremos com o comentário do Lloyd Jones.

Você reconhece que é possível ter um falso senso de perdão? Você percebe que é possível possuir uma falsa paz em seu coração? Você talvez diga: “Não tenho tido preocupações com os meus pecados durante anos”. Eu posso acreditar nisso, se você é apenas um crente nominal. O fato que alguém não tem pensado sobre os seus pecados durante vários anos, por si só serve de indicação de que há algo de muito distorcido em seu senso de segurança e paz. O individuo que nunca experimenta o que significa passar por certos temores acerca de si mesmo, temores esses que nos levam a nos aproximarmos de Cristo, encontra-se em uma condição altamente perigosa. É possível ter uma falsa paz, um falso consolo e uma falsa orientação...embora existam muitos pontos de semelhança entre aqueles dois homens e suas duas casas, há uma diferença essencial. Essa diferença não se manifesta à superfície. Já tivemos ocasião de indicar a natureza dos testes, em nossa análise sobre o individuo insensato. Tudo o que precisamos fazer é aplicar esses testes a nós mesmos – essa precipitação, essa mentalidade que não dá ouvidos a nenhuma advertência, que não se incomoda com planos e especificações, que pensa que sabe o que quer e o que é melhor, e que se atira impensadamente a realização da obra. Portanto, examinemos a nós mesmos a luz desses critérios, e então seremos capacitados a ver bem claramente a qual categoria nós pertencemos (LLOYD JONES. 1999. p.575)


Qual é o seu desejo supremo?

Você é daqueles que andam à cata dos benefícios e das bênçãos da vida e da salvação cristãs, ou você tem um desejo muito mais profundo e amadurecido do que isso?

Você está atrás de resultados carnais e superficiais, ou você anela por conhecer a Deus e por tornar-se mais e mais parecido com o Senhor Jesus Cristo? Você tem fome e sede de justiça?
  

Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.

@ze.ronaldo.templodefogo @osprofetas_ @lagrimasportuacausa @templodefogo @portuacasa


BIBLIOGRAFIA

KISTEMAKER. Simon. J. As parábolas de Jesus. Cultura. São Paulo: 2011.
RYLE. J.C. Meditações do Evangelho de Mateus. Fiel. São Paulo: 2002.
WESLEY. John. O Sermão do Monte. Vida. São Paulo: 2013. 
CARSON. D.A. O Comentário de Mateus. Shedd. São Paulo: 2010.
STOTT. John. O Sermão do Monte. ABU. São Paulo: 2008.
BICKLE. Mike. As Bem-Aventuranças. 2010.
LLOYD JONES, Martin. Sermão do Monte. Fiel: São Paulo, 1999


[1] John Wesley: Deles Wesley derivou importantes elementos do seu conceito da natureza da perfeição, como por exemplo, a possibilidade real de praticar a pureza de intenções, a necessidade de imitar Cristo como modelo de vida santa, e o amor por Deus e pelo próximo como a “perfeição” definitiva e normativa. Esta citação vem da sua obra Uma Explicação Clara da Perfeição Cristã, e serve de Kempis, Taylor, e Law. Retirado do site: https://arminianismo.wordpress.com/2012/01/09/a-teologia-de-john-wesley/







 "O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com)   - Adquira o livro clicando:  http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576 

Banda TEMPLO (ICor 3.17) de FOGO (Hb 12.29)


CD – O VIDENTE


Este CD tem como característica fundamental a vida e a mensagem dos profetas do AT. Todas as músicas estão baseadas em textos das Escrituras. A música “o Vidente” baseia-se em uma linha de profetas do Antigo Israel chamados de Nabiy’, Chozeh e Ra’ah, Is 6.1-3; ISm 9.9; 16.1-13; Dn 7.1-8; Zc 3.1-10. (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-o-…). A música “Terra Especial” e “Alguém” conta a trajetória de Moisés com o povo de Israel rumo a Terra prometida (Ex 12.1-51; 14.1-31). A música “Jeremias 7” baseia-se nas advertências do profeta contra as perversidades dos religiosos (Jr 7.1-34). “Oséias, o profeta do amor” é poetizado com o intenso amor de Javé pelo seu povo (Os 1.2,9; 2.1; 11.1; 14.1,4). A música “Elias”, retratará o episódio no monte Carmelo, onde Javé responde com fogo no desafio entre Elias e os profetas de Baal (IRs 18.1-40). A música “Teu Querer” é uma balada baseada na doutrina da Eleição Incondicional – homens como (Paulo) e outros, impactados pela escolha soberana de Deus (At 9.3; Rm 8.29,30). A música “Confiar nos profetas” baseia-se neste texto das Escrituras: “...Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis...” – A música relata o contexto deste pronunciamento contando a história do Rei Josafá (2Cr 20.20). Por fim, temos a música do profeta “Joel”, especificamente com uma mensagem sobre “O Dia do Senhor”. Essa música fecha o CD com a profecia da volta de JESUS!

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Comentários

  1. Senhor, nos ensine construir sobre a rocha, sermos relevantes em nosso meio pra tua glória e viver de forma correta para o Senhor!

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