Edificando sobre a rocha ou sobre a areia?
O
homem prudente edifica a sua casa sobre a rocha – o homem insensato edifica a sua
casa sobre a areia.
Introdução
“Todo
aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um
homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva,
transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela
casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve
estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que
edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios,
sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo
grande a sua ruína” (Mt 7.24-27).
Todos
os homens estão construindo?
Como
podemos ter certeza que estamos construindo de maneira correta?
Como
podemos ter garantia que estamos construindo na rocha e não na areia?
Algo que precisamos compreender é que todos os homens estão construindo.
De alguma maneira, de algum modo, através de pequenos detalhes ou grande
produções – os homens estão construindo um projeto de vida. O texto usa a palavra
no grego οικοδομεω, oikodomeo que significa construir uma casa, erigir uma
construção, fundar ou estabelecer. O foco da citação de Jesus não toma como
base a construção em si, mas o fundamento dela. Como dissemos anteriormente,
todos os homens estão construindo. Mas a pergunta chave é: em qual fundamento os homens estão construindo? Observe que a
passagem está fechando as bem-aventuranças. Neste ponto, podemos concluir que o
sermão do monte é o fundamento correto para construirmos. Cristo é o nosso
fundamento. Cristo é a palavra exata e o ensino correto no qual devemos
levantar a nossa obra.
“Segundo
a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como prudente construtor;
e outro edifica sobre ele. Porém cada um veja como edifica. Porque ninguém pode
lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo. Contudo,
se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas,
madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a
demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada
um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o
fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar,
sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo”
(ICo 3.10-15).
1. O homem prudente e o homem insensato
Na passagem que estamos trabalhando, Jesus identifica o Filho de Deus como
um construtor. Porém, o homem insensato também é um construtor. Precisamos
entender em qual momento Cristo os diferencia. Isso é extremamente importante,
porque nos levará a refletir sobre que tipo de cristianismo estamos vivendo.
Dois termos sãos usados: o homem
prudente e o homem insensato. A palavra prudente é φρονιμος, phronimos; que
significa um homem atento, inteligente. A palavra insensato é μωρος, moros; que
significa um homem ímpio, incrédulo. Quando consideramos a palavra prudente nas
Escrituras encontramos o momento em que ela é mencionada:
Quem é, pois, o servo fiel e prudente, a quem o
senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo?
Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo
assim. Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens (Mt 24.45-47).
Nesta parábola Jesus está indicando total fidelidade. O servo aqui é um
homem de confiança. Para ele foi entregue todos os recursos do Rei. Ele se
mantém administrando corretamente. O servo recebe o nome de fiel, ou seja, um
homem de credibilidade. Mas também, recebe o nome de um homem prudente – sábio,
sincero, esperto e inteligente. Kistemaker
comenta:
O servo demonstra duas características
indispensáveis: fidelidade e prudência. Ele é digno de confiança porque quando
diz sim, é sim, e quando diz não, é não. Seus conservos sabem que ele não falta
à sua palavra. Podem confiar nele. Ele, também, é perspicaz, pois sabe
antecipar os problemas, e está sempre preparado para enfrentá-los e resolvê-los,
efetivamente. Com aparente facilidade, tem sempre o controle da situação
(KISTEMAKER. 2011. p.117)
Note que Simon identifica as
características no servo prudente que fazem razão ao seu nome. Este é o tipo de
servo qualificado pelo livro de Mateus. Porém, o servo prudente só é habilitado
porque ouve as palavras do seu Senhor e as põe em pratica. Assim os evangelhos
diferenciam os filhos de Deus dos filhos das trevas. Os discípulos de Jesus
colocam suas palavras em pratica; “Se
alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; porque eu não
vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo. Quem me rejeita e não recebe as minhas
palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o
julgará no último dia” (Jo 12.47,48). Jesus ainda prossegue; “Se alguém me ama, guardará a minha palavra;
e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada. Quem não me ama
não guarda as minhas palavras; e a palavra que estais ouvindo não é minha, mas
do Pai, que me enviou”(Jo 14.23,24). Novamente podemos observar Simon dizer:
Uma pessoa que ouve as palavras de Jesus e as
pratica é como o construtor prudente. E é tolo aquele que, ouvindo palavras de
Jesus, não as obedece. Tal pessoa pode ser comparada ao construtor que constrói
sua casa sobre a areia, ou sobre a terra, sem alicerce...Jesus queria que seus
ouvintes não apenas ouvissem, mas também praticassem o que ele lhes havia dito.
É insuficiente apenas ouvir as palavras de Jesus. Aquele que crê deve aceitar a
palavra de Jesus e construir sua casa de fé apenas nele. Jesus é o fundamento
sobre o qual o homem prudente constrói (KISTEMAKER. 2011. p.29).
Este é o foco da passagem, a identificação daqueles que respondem ao
Filho de Deus. Os filhos prudentes respondem ao chamado do evangelho, enquanto
que os insensatos são resistentes. Em todo o sermão do monte, podemos apontar uma
clara distinção entre aqueles que estão ouvindo, atendendo e praticando;
enquanto que outros não ouvem e fazem o contrário do que Cristo ordena. A estes
- Cristo os chama de falsos:
Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos
apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos
seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou
figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore
má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore
má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e
lançada ao fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que
me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade
de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor,
Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não
expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes
direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a
iniquidade (Mt 7.15-23).
São falsos, se disfarçam de ovelhas, ou seja, se vestem como, mas em
seus corações são verdadeiros lobos. Eles também dão frutos, mas o fruto é mal.
Na boca destes insensatos, o Santo nome Senhor! Senhor! É pronunciado. Mas não
realizam a vontade do Senhor que clamam. Obras são realizadas em nome do
Senhor, mas o próprio diz: Eu não conheço nenhum de vocês; porque praticam a
iniquidade. Como já trabalhamos em artigos anteriores, a palavra iniquidade no
grego é ανομια, anomia; que significa condição daquele que não cumpre a Lei,
pois tem desprezo e assim pratica a maldade. O iniquo é alguém que vive uma
cultura contrária a Lei de Deus. Esta é a definição do homem insensato. Ele
está construindo, também é uma árvore que dá fruto. Entretanto, seu fruto é mal
e sua construção é feita na areia. Ele é identificado como um falso e um lobo.
É uma árvore má. É um homem insensato. Ryle comenta:
O homem que ouve o ensino cristão, mas nunca passa
da mera fase do ouvir, assemelha-se a “um homem insensato, que edificou a sua
casa sobre a areia”. Contenta-se unicamente em ouvir e aprovar; porém, não vai
além disso. Por ter alguns sentimentos, convicções e desejos de natureza
espiritual ele imagina que vai tudo bem com sua alma. E nessas coisas que ele
confia. Ele nunca rompe, de fato, com o pecado ou põe de lado o espírito
mundano. Ele, na verdade, nunca se apropria de Cristo. Nunca toma realmente a
sua cruz. É ouvinte da verdade, mas nada mais (RYLE. 2002. p. 52)
Ryle observa que o
insensato não passa da fase de apenas ouvir. Ele ouve e aprova, porém seu
limite é isso. Há sentimentos naquilo que ouve, há um certo ar de
arrependimento, emoções envolvidas, mas quando envolve a dor, ele não está
motivado a prosseguir. É apenas um ouvinte da verdade que evita viver a verdade
através da cruz. O comentarista também menciona sobre o homem prudente:
Quem ouve o ensino cristão e põe em prática o que
ouve, é como o “homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha”. Ele não
se contenta em apenas ouvir exortações ao arrependimento, exortações a confiar
em Cristo e a viver uma vida santa. Ele de fato se arrepende. Ele realmente
crê. Ele realmente abandona a prática do mal, aprende a fazer o bem, abomina
tudo que é pecaminoso e apega-se ao que é bom. Ele não só é um ouvinte, mas
também é um praticante (Tg 1.22), (RYLE. 2002. p.51)
O cristão conforme Ryle
explica, não se contenta em viver no patamar do ensino. Ele deseja viver mais.
Ele não quer apenas ouvir sobre a santidade, ele quer ser santo. Ele não deseja
apenas aprender sobre como ser um homem de testemunho justo na Terra – Ele quer
ser este justo. O cristão não quer aprender como ser um bom marido, ele deseja
ser um bom marido, um bom pai e um bom líder. O cristão realmente abandona a
pratica do mal e sabe, que conquistar esse tipo de vida é só através de muita
dor e sacrifício. Este é o caminho da cruz que ele não foge e não renuncia.
A grande verdade é que, o que custa pouco, vale
pouco! Uma religião que nada nos custa, e que não consista em outra coisa,
senão em ouvir sermões, sempre provará ser uma atividade inútil, por fim (RYLE.
2002. p.51).
2. Você não tem opção
Algo que precisamos entender é que o sermão do monte foi escrito para
cristãos. O texto tem ênfases nos pontos importantes do nosso entendimento e
caminhada cristã. Primeiramente podemos dizer: as bem-aventuranças caracteriza
os cristãos. O texto é imperativo. Deus está dizendo como são os cristãos.
Jesus está relatando como se comportam os cristãos. A Lei está nos relatando
como devem andar os cristãos. Não podemos olhar as palavras de Jesus como uma
opção entre outras opções possíveis e que elas tem a mesma importância. O texto
é dominante para que sejamos santos. Essa é a única opção clara, principal e
que desmonta totalmente qualquer outra opção. Vamos observar:
Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos
injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós.
Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim
perseguiram aos profetas que viveram antes de vós (Mt 5.11,12).
Vós sois o sal da terra...(Mt 5.13).
Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a
cidade edificada sobre um monte (Mt 5.14).
Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens,
para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus
(Mt 5.16).
Não podeis servir a Deus e às riquezas (Mt 6.24).
buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a
sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas (Mt 6.33).
Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e
espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por
ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida,
e são poucos os que acertam com ela (Mt 6.13,14).
Peguei alguns versículos para termos compreensão da ordem de Jesus. Ele
nos salvou, nos deu uma nova vida. Cristo simplesmente nos fez nova criatura: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova
criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (ICo
5.17). as bem-aventuranças simplesmente são um chamado de Deus dizendo – vivam
como nova criatura. Vivam de forma santa pois eu Sou Santo:
porque escrito está: Sede santos, porque eu sou
santo (1Pd 1.16).
A mesma ordem de Deus dada aos seus filhos, que envolve receber e viver
como se deve é a ordem que Jesus fazia seus milagres. Note as ordens claras de
Jesus para curar e fazer milagres:
E eis que um leproso, tendo-se aproximado,
adorou-o, dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me. E Jesus, estendendo
a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo
da sua lepra (Mt 8.2,3).
Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem
sobre a terra autoridade para perdoar pecados -- disse, então, ao paralítico:
Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. E, levantando-se, partiu para
sua casa (Mt 9.6,7).
Tiraram, então, a pedra. E Jesus, levantando os
olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste. Aliás, eu sabia
que sempre me ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para que
creiam que tu me enviaste. E, tendo dito isto, clamou em alta voz: Lázaro, vem
para fora! Saiu aquele que estivera morto, tendo os pés e as mãos ligados com
ataduras e o rosto envolto num lenço. Então, lhes ordenou Jesus: Desatai-o e
deixai-o ir (Jo 11.41-44).
Em todos estes textos podemos concordar. Quando Jesus disse as palavras;
“fique limpo, levanta-te e toma o teu
leito, Lázaro, vem para fora!”, existe no céu ou na Terra alguma força
existente que poderia parar a ordem de Cristo? Alguém ou algo teria força para
não obedecer? Todos concordariam. Nada no céu ou na Terra poderia deter a ordem
de Jesus. Esta é uma ordem imperativa, dominante e sem opção. Se nós podemos
admitir que nos milagres, as ordens de Cristo eram absolutas, porque não
consentimos também, que as ordens nas bem-aventuranças são absolutas. Elas são!
O mesmo Cristo que cura de maneira extraordinária é o mesmo Senhor que diz; “construa sobre a rocha. Ouça a minhas voz e
a coloque-as em prática”. Wesley comenta:
Jesus havia declarado todo o conselho de Deus a
respeito do caminho da salvação. Também havia observado os principais
obstáculos aos que desejam andar no caminho da salvação. Agora conclui o sermão
com essas importantes palavras. É como se estivesse colocando um selo em sua
profecia. Está imprimindo toda a sua autoridade no sermão pregado para que
permaneça firme por gerações. Jesus não queria que ninguém acreditasse haver
outro caminho além desse (WESLEY. 2013. p.237).
As palavras de Wesley são a
impressão do selo de Deus em nós para vivermos de uma maneira diferente. Por
fim, Wesley diz que Jesus deseja mostrar apenas um caminho. O caminho dos
filhos que se assemelham com Jesus. Wesley continua:
Num sentido, [a Perfeição Cristã] é a pureza de
intenções, a entrega de toda a vida a Deus. É entregar a Deus todo o nosso
coração; é ter um só desejo e um só desígnio a governar todos os nossos
sentimentos. É consagrar não apenas uma parte, mas todo o nosso coração, corpo
e substância a Deus. Num outro sentido, é ter toda a mente de
Cristo capacitando-nos a andar como Cristo andou. É a circuncisão do coração de
toda a sujeira, toda a poluição tanto interna como externa. É a renovação do
coração na inteira imagem de Deus, a plena semelhança dAquele que o criou. E
ainda noutro sentido, é amar a Deus com todo o nosso coração, e ao próximo como
a nós mesmos[1].
Os sábios
constroem uma vida em Deus no entendimento dela resistir a tudo. Assim Carson diz:
A pessoa sábia representa aqueles que praticam as palavras
de Jesus; eles também constroem para que sua construção resista a tudo. Os que
fingem ter fé, que têm apenas um compromisso intelectual ou que desfrutam de
Jesus em pequenas doses são construtores insensatos. Quando as tempestades da
vida chegam, as estruturas deles não enganam ninguém, muito menos a Deus (cf.
Ez 13.10-16) (CARSON. 2010. P.236).
Atentemos aquilo que o comentarista diz. A construção do sábio não é
enganosa. O insensato pode enganar por um tempo, mas não resistirá. Os sábios
não constroem para haver vanglória, constroem para resistir ao teste de Deus.
As provações virão, mas os sábios constroem preparados para este tempo:
Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o
passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez
confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa,
para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes... Bem-aventurado o
homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido
aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.
(Tg 1.2-4,12).
3. A tempestade virá para todos revelando o oculto
Algo importantíssimo que precisamos aprender com este texto. A tempestade
virá para todos. Em algum momento de nossas vidas, numa fase inesperada, em um
momento preciso – um vento forte passará pelas nossas construções. A tempestade
revelará quem realmente somos. Note que no texto ambos construtores fazem o
mesmo. Ambos são bons e realizam sua obra de maneira aparentemente boa. Na
descrição de Jesus, a casa do insensato não é inferior a casa do homem
prudente. Ambas as casas são visivelmente aprovadas. Entretanto, há um
diferencial que ninguém consegue ver. Apenas com a vinda da tempestade, aquilo
que estava oculto passa a ser visto. O alicerce. A tormenta destapa para que
todos vejam o fundamento. John Stott
comenta:
Da mesma maneira, os cristãos professos (os
genuínos e os espúrios) frequentemente se parecem. Não podemos facilmente
distinguir qual é qual. Ambos parecem estar edificando vidas cristãs. Jesus não
está fazendo uma comparação entre cristãos e não-cristãos que não fizeram
nenhum profissão de fé. Pelo contrário, o que é comum aos dois edificadores
espirituais é que eles ouvem estas minhas palavras. Portanto, os dois são
membros da comunidade cristã visível. Ambos leem a Bíblia, vão à igreja, ouvem
os sermões e compram literatura cristã. O motivo por que tão frequentemente não
podemos diferenciar um do outro é que os alicerces de suas vidas estão ocultos
aos nossos olhos. A verdadeira pergunta não é se ouvem os ensinamentos de
Cristo (nem mesmo se os respeitam ou creem neles), mas se fazem o que ouvem.
Apenas uma tempestade revelará a verdade. Às vezes, uma tempestade de crises ou
calamidades revela que tipo de pessoa somos, pois “a verdadeira piedade não se
distingue totalmente de sua imitação até que venham as provações”. Caso
contrário a tempestade do dia do juízo certamente o fará (STOTT. 2008. P.220).
A tempestade no qual Cristo menciona pode ser comparada a mesma provação
que Tiago fala. Ela virá para todos,
mas pode vir de uma maneira que não imaginamos. Para alguns a pobreza é mais insuportável
do que para outros; entretanto, para alguns a riqueza é mais difícil de lidar
do que para outros. Alguns sucumbem ao poder, outros a uma vida fácil. Muitos
podem ceder a uma vida difícil de dor ou doenças; até a morte de alguém muito
amado. Decepções, traições, desilusões e até sonhos frustrados – a tempestade
pode vir de uma maneira inesperada. Essa força devastadora pode revelar o que
realmente está em nosso coração.
Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora,
uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual também já tínheis
antes, mas vos faltava oportunidade. Digo isto, não por causa da pobreza,
porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar
humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já
tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de
escassez; tudo posso naquele que me fortalece (Fp 4.10-13).
Através de todo texto que estamos trabalhando é mais fácil entendermos
aquilo que Paulo diz: “tudo posso naquele
que me fortalece”. Ou seja, com Cristo posso passar por todas as coisas,
porque Ele é a minha força – Ele é a minha Rocha. Nele construo toda a minha
vida. Cristo se torna minha casa inabalável.
O teste de Cristo não só revela minha obra, mas revela quem
verdadeiramente sou. Acredito que todos já estudaram sobre a palavra hipócrita. O próprio sermão do monte
combate esse comportamento: “E, quando
orardes, não sereis como os hipócritas...” (Mt 6.5). A palavra hipócrita no
grego é υποκριτης, hupokrites que quer dizer ator, artista de teatro, um
dissimulador, impostor, ou seja, um hipócrita. A pergunta é: como identificar um hipócrita? Por aquilo que ele faz enquanto está vivendo
uma certa realidade tranquila? De maneira alguma. Como a própria palavra
diz; ele é um ator. O hipócrita só é revelado quando Deus deseja o revelar.
Através da vinda de Deus sobre este. Deus vem e esquadrinha nosso coração:
Tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai e
serve-o de coração íntegro e alma voluntária; porque o SENHOR esquadrinha todos
os corações e penetra todos os desígnios do pensamento. Se o buscares, ele
deixará achar-se por ti; se o deixares, ele te rejeitará para sempre. Agora,
pois, atende a tudo, porque o SENHOR te escolheu para edificares casa para o
santuário; sê forte e faze a obra (ICr 28.9,10).
O texto diz que Deus esquadrinha todos os corações e penetra em toda
obra de imaginação criada no homem. Isso é aprofundar nos desígnios dos
pensamentos do homem. Deus realmente nos conhece. Os hipócritas tentam
relacionar-se com Deus até o último dia. Naquele Dia o próprio Cristo diz: “nunca vos conheci...” (Mt 7.23). O
hipócrita que é um ator, conhece a roupa cristã e tenta se relacionar com Deus
através deste ato. Cristo combateu isso. Deus ama os seus filhos porque os
conhece: “...O Senhor conhece os que lhe
pertencem...” (2Tm 2.19).
Propôs também esta parábola a alguns que confiavam
em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros: Dois homens
subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O
fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te
dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem
ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo
quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar
os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim,
pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele;
porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado
(Lc 18.9-14).
Note neste texto que aqueles que se consideram justos estão em pé, oram
segundo a roupas que vestem. Seguem um modelo aparentemente espiritual e pensam
ser assim. Entretanto, o publicano nem levanta os olhos para o céu. Bate no
peito e reconhece ser um pecador. Sejamos honestos. Como nos relacionamos com Deus? A tempestade é a vinda de Deus. Ele
vem desmascarar o mundo. Por isso Ele é a Luz do mundo. Nada que há trevas
permanecerá. Conforme o texto que usamos de Paulo aos coríntios; “Contudo, se o que alguém edifica sobre o
fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se
tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada
pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará” (ICo 3).
O fogo de Deus passará por nós e distinguirá se aquilo que somos ou a obra que
realizamos tem algo de valioso. Mike Bickle comenta:
Nosso amor por Jesus deve ser testado e provado
genuíno sob as pressões da vida. Existem duas aplicações para a tempestade que
testa nossa fundação espiritual. Primeiro, pressões pessoais nesta vida revelam
a genuinidade de nossa fé. Segundo, a avaliação de nossa vida no julgamento de
Cristo irá revelar o verdadeiro caráter de nossa fé (1 Cor. 3:11-15) (BICKLE.
2010).
Conforme Mike diz; estaremos
sendo revelados diante do nosso Senhor. As pressões da vida vindo da parte de
Deus, devem denunciar aquilo que escondemos em nossos corações. Terminaremos com
o comentário do Lloyd Jones.
Você reconhece que é possível ter um falso senso de
perdão? Você percebe que é possível possuir uma falsa paz em seu coração? Você
talvez diga: “Não tenho tido preocupações com os meus pecados durante anos”. Eu
posso acreditar nisso, se você é apenas um crente nominal. O fato que alguém
não tem pensado sobre os seus pecados durante vários anos, por si só serve de
indicação de que há algo de muito distorcido em seu senso de segurança e paz. O
individuo que nunca experimenta o que significa passar por certos temores acerca
de si mesmo, temores esses que nos levam a nos aproximarmos de Cristo, encontra-se
em uma condição altamente perigosa. É possível ter uma falsa paz, um falso
consolo e uma falsa orientação...embora existam muitos pontos de semelhança
entre aqueles dois homens e suas duas casas, há uma diferença essencial. Essa
diferença não se manifesta à superfície. Já tivemos ocasião de indicar a
natureza dos testes, em nossa análise sobre o individuo insensato. Tudo o que
precisamos fazer é aplicar esses testes a nós mesmos – essa precipitação, essa
mentalidade que não dá ouvidos a nenhuma advertência, que não se incomoda com
planos e especificações, que pensa que sabe o que quer e o que é melhor, e que
se atira impensadamente a realização da obra. Portanto, examinemos a nós mesmos
a luz desses critérios, e então seremos capacitados a ver bem claramente a qual
categoria nós pertencemos (LLOYD JONES. 1999. p.575)
Qual
é o seu desejo supremo?
Você
é daqueles que andam à cata dos benefícios e das bênçãos da vida e da salvação
cristãs, ou você tem um desejo muito mais profundo e amadurecido do que isso?
Você
está atrás de resultados carnais e superficiais, ou você anela por conhecer a
Deus e por tornar-se mais e mais parecido com o Senhor Jesus Cristo? Você tem
fome e sede de justiça?
Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.
@ze.ronaldo.templodefogo @osprofetas_ @lagrimasportuacausa @templodefogo @portuacasa
BIBLIOGRAFIA
KISTEMAKER.
Simon. J. As parábolas de Jesus. Cultura. São Paulo: 2011.
RYLE. J.C.
Meditações do Evangelho de Mateus. Fiel. São Paulo: 2002.
WESLEY. John. O
Sermão do Monte. Vida. São Paulo: 2013.
CARSON. D.A. O
Comentário de Mateus. Shedd. São Paulo: 2010.
STOTT. John. O
Sermão do Monte. ABU. São Paulo: 2008.
BICKLE. Mike.
As Bem-Aventuranças. 2010.
LLOYD JONES,
Martin. Sermão do Monte. Fiel: São Paulo, 1999
John Wesley: Deles Wesley derivou importantes elementos do seu conceito
da natureza da perfeição, como por exemplo, a possibilidade real de praticar a
pureza de intenções, a necessidade de imitar Cristo como modelo de vida santa,
e o amor por Deus e pelo próximo como a “perfeição” definitiva e normativa.
Esta citação vem da sua obra Uma Explicação Clara da Perfeição Cristã, e serve
de Kempis, Taylor, e Law. Retirado do site: https://arminianismo.wordpress.com/2012/01/09/a-teologia-de-john-wesley/
Senhor, nos ensine construir sobre a rocha, sermos relevantes em nosso meio pra tua glória e viver de forma correta para o Senhor!
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